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Grandes atrizes e clássicos do cinema vencedores do Oscar para conferir em casa

'Coleção Oscar' traz filmes como 'Farrapo Humano' e e outros estrelados por nomes como Joanne Woodward

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2018 | 15h30

Faltam poucos dias para o Oscar - em 4 de março - e, como sempre, os filmes indicados para o prêmio são os que mais atraem público nos cinemas da cidade. Ninguém discute a força da estatueta da Academia de Hollywood como chamariz para espectadores de todo o mundo. E é nesta época que todo mundo quer tirar sua casquinha nesse quinhão. No mercado de home vídeo, a Classicline lançou dois volumes da Coleção Oscar, um dedicado aos melhores filmes, outro, às melhores atrizes, cada um com três discos (e três títulos).

Melhores atrizes

As homenageadas são três vencedoras do prêmio no final dos anos 1950 e princípio dos 60. Joanne Woodward venceu como melhor atriz de 1957, por As Três Máscaras de Eva. Susan Hayward, no ano seguinte, por Eu Quero Viver! E Anne Bancroft, como melhor atriz de 1962, por O Milagre de Anna Sullivan.

Joanne Woodward

Casada com Paul Newman - ficaram juntos até a morte dele, em 2008 -, foi premiada por seu papel no drama psicológico, mais que thriller psicanalítico, de Nunnally Johnson. Em As Três Máscaras de Eva, ela faz mulher com distúrbio de personalidade - tem três, e de temperamentos bem diversos, o que permitiu à atriz entregar toda a extensão de seu talento. O filme não é grande coisa, mas ela, sim. Joanne derrotou Deborah Kerr (O Céu por Terstemunha), Ana Magnani (A Fúria da Carne), Elizabeth Taylor (A Árvore da Vida) e Lana Turner (A Caldeira do Diabo). Só para lembrar, A Ponte do Rio Kwai venceu como melhor filme e diretor (David Lean), aarebanhando mais cinco estatuetas.

Susan Hayward

Chamada de operária da interpretação, Susan havia sido indicada várias vezes, adquirindo a fama de perdedora. Finalmente, ela virou o jogo com sua memorável criação como Barbara Graham, no filme Eu Quero Viver, que luta para evitar o cumprimento da sentença que a condenou à morte na câmara de gás. A história é real e Susan dá um show; a trilha de jazz, uma característica do diretor Robert Wise na época, intensifica a emoção. Susan derrotou Deborah Kerr (Mesas Separadas), Shirley MacLaine (Deus Sabe Quanto Amei), Rosalind Russell (A Mulher do Século) e Elizabeth Taylor (Gata em Teto de Zinco Quente). Gigi, de Vincente Minnelli, venceu melhor filme e direção, e ganhou mais sete estatuetas.

Anne Bancroft

Anna Maria Louisa Italiano era seu nome verdadeiro. Intérprete de pequenos papéis num sem número de filmes desde 1952, Anne alternava cinema e teatro. Em 1958, venceu o Tony, o Oscar do teatro, por Dois na Gangorra e, no ano seguinte, repetiu o prêmio por The Miracle Worker. A peça, adaptada por Arthur Penn, lhe valeu o Oscar e mais o Bafta e o prêmio de melhor atriz no Festival de San Sebastian. Anne é excepcional como a professora que consegue resgatar das trevas e dotar de linguagem a cega, surda e muda Helen Keller, que vivia como um bicho. A história é real e Patty Duke, que faz a garota, também venceu como melhor coadjuvante. Anne derrotou Bette Davis (O Que Terá Acontecido a Baby Jane?), Katharine Hepburn (Longa Jornada Noite Adentro), Geraldine Page (Doce Pássaro da Juventude) e Lee Remick (Vício Maldito). Lawrence da Arábia, de David Lean, venceu os prêmios de filme e direção, mais seis estatuetas.

Melhores filmes

O pacote da coleção contempla três vencedores dos anos 1930 e 40. Do Mundo nada Se Leva venceu como melhor filme e diretor (Frank Capra), de 1938. Farrapo Humano, de Billy Wilder, repetiu essas estatuetas (e outras), em 1945. E Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler, em 1946.

Do Mundo nada Se Leva

Capra já havia recebido duas vezes o Oscar de direção (por Aconteceu naquela NoiteO Galante Mr. Deeds) e uma vez o de melhor filme (Aconteceu naquela Noite) quando repetiu as duas estatuetas. Três Oscars, um recorde na época. Capra e seu roteirista, Robert Riskin, nunca foram unanimidades. Muitos críticos sempre se irritaram com o truísmo da dupla, os discursos moralizadores sobre a democracia. De qualquer maneira, é impossível negar a Capra sua condição de grande entertainer. Do Mundo nada Se Leva é uma da suas obras mais características. Uma garota quer apresentar à família seu pretendente rico. Além de pobre, a família é excêntrica. A máxima que move a ficção - o dinheiro não traz felicidade (You Can't Take It with You, Você não Pode Levá-lo). Grande elenco, grandes cenas, um regalo. Capra derrotou, na disputa de direção - Michael Curtiz, duas vezes, por Anjos da Cara Suja e Quatro Filhas; Norman Taurog, Com os Braços Abertos; e King Vidor, A Cidadela.

Farrapo Humano

Billy Wilder na sua fase de filmes noir. The Lost Weekend, título original, passa-se num fim de semana em que um alcoólatra, vítima de uma crise de abstinência, tem alucinações e faz de tudo para conseguir dinheiro para comprar bebida. O longa possui forte tonalidade expressionista e, além dos Oscars de filme e direção, venceu melhor ator (Ray Milland) e roteiro adaptado (Wilder e Charles Brackett). Na disputa do prêmio da categoria, Wilder venceu - Clarence Browen (A Mocidade É Assim), Alfred Hitchcock (Quando Fala o Coração), Leo McCarey (Os Sinos de Santa Maria) e Jean Renoir (Amor à Terra).

Os Melhores Anos de Suas Vidas

Vencedor dos Oscars de filme e direção de 1942, por Mrs. Minniver/Rosa da Esperança, William Wyler repetiu os dois prêmios quatro anos mais tarde, com Os Melhores Anos de Nossas Vidas. O filme marcou época por abordar as dificuldades de readaptação de veteranos à vida civil, após a Segunda Guerra. Fredric March e Harold Russell venceram os prêmios de ator e coadjuvante, e o segundo, que havia perdido as duas mãos na guerra, abraçou-se à estatueta, que não conseguia empalmar. O filme venceu também como melhor roteiro e trilha. Na disputa da categoria, Wyler venceu os colegas diretores - Clarence Brown (Virtude Selvagem), Frank Capra (A Felicidade não Se Compra), David Lean (Breve Encontro) e Robert Siodmak (Os Assassinos). Em 1959, Wyler receberia pela terceira vez os prêmios de filme e direção, por Ben-Hur

 

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