Mario Miranda
Mario Miranda

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro consagra 'Benzinho'

Entre os vencedores, Karine Teles, melhor atriz, e Stepan Nercessian, melhor ator; confira lista completa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 11h53

Grande Zezé Motta. Foi aplaudida de pé, como homenageada especial – vencedora do troféu Grande Otelo de carreira –, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A festa, que começou na quarta, 14, avançou pela madrugada de quinta. Foi a 18.ª edição do prêmio, e a primeira vez que ele saiu do Rio, tornando-se itinerante. O Teatro Municipal – lembrado pelo secretário municipal de Cultura, Alê Youssef, como palco da Semana Modernista de 1922 –, acolheu a classe cinematográfica.

A premiação teve como tema cinema e música. Ney Latorraca e atrizes do filme Antônia apresentaram performances magníficas. O teor crítico deu o tom. Cacá Diegues, um dos vencedores da noite, lembrou que o cinema brasileiro já atravessou tempos muito mais sombrios, e sobreviveu. Stepan Nercessian, melhor ator por Chacrinha – O Velho Guerreiro, de Andrucha Waddington, dedicou seu Grande Otelo – o Oscar do cinema brasileiro – “aos que não entendem e querem destruir nosso cinema, mas não conseguirão”.

Benzinho foi o grande vitorioso. Venceu nas categorias de filme, direção (Gustavo Pizzi), roteiro original (Karine Teles e Pizzi), melhor atriz (Karine), melhor atriz coadjuvante (Adriana Esteves) e melhor montagem (Lívia Serpa).

Adriana esteve gloriosa – concorria também a melhor atriz (por Canastra Suja) e, ao subir ao palco, por um momento ficou confusa por qual papel estava sendo premiada. Começou a agradecer pelo outro, antes que caísse a ficha (ou o apresentador Rodrigo Pandolfo lhe soprasse no ouvido) e ela pusesse seu agradecimento, por Benzinho, nos trilhos.

Chacrinha, indicado para 12 prêmios, perdeu a maioria, mas venceu com honra o melhor ator, melhor filme do público e o prêmio de som, muito importante num musical. 

Cacá Diegues e a mulher, a produtora Renata Magalhães, levaram um balaio de prêmios, por Grande Circo Místico, incluindo melhor roteiro adaptado (Cacá e George Moura), fotografia, direção de arte, efeitos visuais, figurino, maquiagem.

O secretário estadual de Cultura Sérgio Sá Leitão subiu ao palco com o prefeito Bruno Covas, a diretora da Spcine, Laís Bodanzky, e o secretário Youssef e antecipou, sem entrar em detalhes, um plano do governo do Estado de São Paulo que vai investir R$ 200 milhões no audiovisual. “O importante é dialogar”, disse Jorge Peregrino, presidente da Academia. Para ele, é necessário reverter os desencontros da área de cinema com o governo federal.

A festa teve produção de Oscar. O roteiro falava da trilha – o cordel – que fazia avançar a história de Deus e o Diabo na Terra do Sol e no telão apareciam as imagens do clássico de Glauber Rocha. Manuel/Geraldo Del Rey correndo para o mar, virava um ator correndo. Foram momentos de muita intensidade. 

Sonia Braga reinou soberana como imagem – embalada pela canção de Chico Buarque (Que Será?) em Dona Flor e Seus Dois Maridos, Caetano Veloso (Pecado Original) em A Dama do Lotação e Chico e Antônio Carlos Jobim (Eu Te Amo), no filme homônimo.

Zezé foi buscada na plateia por dançarinos do palco. Apareceu muito jovem em cenas de Xica da Silva, o clássico de Cacá Diegues, e Tudo Bem, de Arnaldo Jabor. Agradeceu cantando a capela Missão, de João Nogueira. Foi uma bela festa. Afirmação de identidade e resistência – do audiovisual como cultura, e atividade econômica. E a premiação nacional, como acontece com o Globo de Ouro (o prêmio dos correspondentes estrangeiros de Hollywood), agora inclui séries. No ano que vem tem mais. De novo, na cidade, mas o palco, já anunciado, será a Sala São Paulo. 

 

​OS VENCEDORES

Melhor Longa-metragem de Ficção

Benzinho, de Gustavo Pizzi.  

 

Melhor Longa-Metragem Documentário

Ex Pajé, de Luiz Bolognesi. 

Melhor Longa-Metragem Infantil 

Detetives do Prédio Azul 2 - O Mistério Italiano, de Viviane Jundi. 

 

Melhor Longa-Metragem Comédia

Minha Vida em Marte, de Susana Garcia. 

 

Melhor Direção

Gustavo Pizzi, por Benzinho

 

Melhor Atriz

Karine Teles, por Benzinho

 

Melhor Ator

Stepan Nercessian, por Chacrinha: O Velho Guerreiro (de Andrucha Waddigton)

 

Melhor Atriz Coadjuvante

Adriana Esteves, por Benzinho

 

Melhor Ator Coadjuvante

Matheus Nachtergaele, por O Nome da Morte (de Henrique Goldman)

 

Melhor Direção de Fotografia

Gustavo Hadba, ABC, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Roteiro Original

Karine Teles e Gustavo Pizzi, por Benzinho

 

Melhor Roteiro Adaptado

Carlos Diegues e George Moura, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Direção de Arte

Artur Pinheiro, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Figurino

Kika Lopes, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Maquiagem

Catherine Leblanc Caraes e Emmanuelle Fèvre, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Efeito Visual

Marcelo Siqueira, ABC e Thierry Delobel, por O Grande Circo Místico

 

Melhor Montagem Ficção

Livia Serpa, por Benzinho

 

Melhor Montagem Documentário

Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, por Todos os Paulos do Mundo

 

Melhor Som

Jorge Saldanha, Armando Torres Jr, ABC, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Renan Deodato, por Chacrinha: O Velho Guerreiro

 

Melhor Trilha Sonora Original

Elza Soares e Alexandre Martins, por My Name is Now, Elza Soares

 

Melhor Trilha Sonora

Zeca Baleiro, por Paraiso Perdido (de Monique Gardenberg)

 

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro

Infiltrado na Klan/ Blackkklansman (EUA), de Spike Lee. 

 

Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano

Uma Noite de 12 Anos/La Noche de 12 Años (Argentina, Espanha, Uruguai), de Álvaro Brechner. 

 

Melhor Longa-Metragem de Animação - Menção Honrosa 

Peixonata - O Filme

 

Melhor Curta-Metragem Animação

Lé com Cré, de Cassandra Reis

 

Melhor Curta-Metragem Documentário

Cor de Pele, de Livia Perini

 

Melhor Curta-Metragem Ficção

O Órfão, de Carolina Markowicz

 

Melhor Série Brasileira de Animação

Irmão do Jorel, de Juliano Enrico

 

Melhor Série Brasileira de Documentário

Inhotim - Arte Presente

 

Melhor Série Brasileira de Ficção 

Escola de Gênios - 1ª Temporada

 

Melhor Longa-Metragem Ficção - Voto Popular

Chacrinha: O Velho Guerreiro de Andrucha Waddington.

 

Melhor Longa-Metragem Documentário - Voto Popular

My Name Is Now, Elza Soares, de Elizabete Martins Campos       

 

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro - Voto Popular

Nasce Uma Estrela/A Star is Born (EUA), de Bradley Cooper.

 

Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano - Voto Popular

Uma Noite de 12 Anos/La Noche de 12 Años (Argentina, Espanha, Uruguai), de Álvaro Brechner.

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