Granado encanta platéia de Berlim com "Travelling with Che"

Um bioquímico argentino aposentado de 81 anos e o filho cubano de Che Guevara foram as principais atrações de hoje no Festival de Berlim. Alberto Granado e Camilo Guevara vieram à capital alemã para apresentar o documentário Travelling With Che, incluído de última hora na mostra paralela Panorama. O diretor e crítico italiano Gianni Miná leva Granado aos mesmos locais da America Latina onde esteve acompanhado do jovem Ernesto Guevara há 50 anos. Miná e Granado seguem a produção de Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles, que refaz de forma ficcional os mesmos passos dos dois jovens aventureiros.Miná detinha os direitos dos diários que Guevara e Granado haviam escrito em sua viagem pela America Latina. Várias vezes tentou em vão conseguir financiamento para dirigir um filme inspirado neles. ?Já havia desistido, quando o Robert Redford me ligou dizendo que queria negociar?, disse o diretor italiano. Ele abriu mão de seu projeto inicial, mas não desistiu de fazer seu próprio filme. Em Travelling With Che, Miná percorre com Granado as mesmas cidades latino-americanas onde esteve com Guevara há 50 anos, a partir de Buenos Aires, de onde saíram, até chegar à Letizia, na fronteira colombiana com o Brasil. O documentário acompanha de perto a produção do filme de Walter Salles, revelando também um pouco dos bastidores das filmagens. Mas a principal preocupação é registrar o depoimento do único sobrevivente da ousada viagem iniciática de dois jovens estudantes argentinos.Caristmático e cativante, Granado aparece em Travelling With Che Guevara dando indicações a Walter Salles e conselhos aos atores Rodrigo de La Serna (Ernesto) e Gael Garcia Bernal (Alberto). ?Vou lhe dizer uma coisa?, diz para Bernal, a certa altura. ?Não tente ser como Che ou imitá-lo, pois isso è impossível. Procure ser você mesmo.?O velho companheiro de Ernesto Guevara exibiu a mesma simpatia quando falou com o público presente na sessão. Ao ser questionado sobre como teria influenciado seu colega de viagem, respondeu com humildade e um grande sorriso estampado no rosto. ?Cinqüenta anos depois dessa aventura, é um pouco difícil dizer se o influenciei. Naqueles dias, a vida dele girava em torno da pesquisa e da literatura, e mais tarde dos esportes.?Granado, que há muitos anos vive em Havana, não teve oportunidade de ir ao Sundance Festival para assistir à primeira exibicao de Diários de Motocicleta. ?Não consegui o visto?, revelou ele. ?Sempre podemos colocar a culpa dessas coisas no imperialismo ianque, mas desta vez devo admitir que mandamos os 45 mil papéis que eles sempre nos pedem tarde demais.?Camilo Guevara também falou da sensação de estar revendo histórias que seu pai viveu anos atrás e de como encara o fardo de ser filho de um personagem mítico. ?Meu pai marcou uma época e, certamente, devemos muito a ele por causa de tudo o que fez?, disse ele. ?O Che pode ser meu pai biológico, mas ele deixou muitos filhos espirituais. E, claro, para mim, tanto o documentário quanto o filme são muito emocionantes e se aproximam muito da idéia que eu tinha de todas essas histórias que eu conhecia lendo.?

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