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Gracias a La Vida e a Mercedes Sosa

Homenagem à cantora, ‘A Voz da América’, de Rodrigo H. Vila, é o filme mais aplaudido de todo o Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio/ Fortaleza, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2013 | 21h46

Mercedes Sosa, a Voz da América Latina, de Rodrigo H. Vila, foi o filme mais aplaudido de todo o Cine Ceará. Sugere que a intérprete de Gracias a La Vida e Volver a los 17 continua muito viva na imaginação das pessoas. Mesmo daquelas que talvez nem nascidas fossem no tempo em que ela era uma voz que cantava os oprimidos do continente castigado por ditaduras militares. Mercedes nasceu em 1935 e morreu em 2009. O seu auge foi nos 1970 e 1980.

O documentário tem corte tradicional. Trabalha com imagens que a cantora deixou em vida, que, graças à sua fama, não foram poucas. Além disso, há os depoimentos de gente famosa que com ela conviveu ou, em determinado momento, dividiu palco com ela – casos do cubano Pablito Milanés, do argentino Fito Páez, dos brasileiros Chico Buarque e Milton Nascimento.

No todo, o que há de mais empolgante mesmo é a história que se desenha, uma típica saga latino-americana de superação. Da infância miserável e famélica à fama conseguida graças à sua voz intensa. As dificuldades na era da ditadura militar e o exílio em Paris. Por fim, a volta, em 1982, ainda sob os militares, num show antológico que prenuncia o fim do regime. Depois a doença, o declínio e um momento de magia, quando, ainda recuperando-se da doença, consegue fazer um dueto com Pablo Milanés da canção Años, e leva o teatro inteiro ao pranto. Há imagens dessa noite histórica. Ainda muito doente, Mercedes vai a um show do amigo Pablito no Luna Park. Do palco, ele a homenageia e pede que lhe passem um microfone. Da garganta da senhora alquebrada e obesa brota aquela voz maravilhosa, que todos conhecem. Ela esquece a letra e o público a ajuda. É um momento preparado pelos deuses da música.

Esta é a segunda vez que Rodrigo trata do universo de Mercedes Sosa. Antes, havia feito Cantora, un Viaje Íntimo (2009) sobre os bastidores do último disco gravado por Mercedes. “Pode-se esperar uma trilogia?” “Agora eu diria que não, que, para mim o assunto está esgotado, mas, você sabe, Mercedes Sosa é todo um universo, então não fecho as portas”, diz Rodrigo.

De fato, melhor deixá-las abertas: a trajetória de Mercedes, como de Violeta Parra, se confunde com toda uma história de lutas do continente. Vão além do musical. Funcionavam como vozes, ou melhor, porta-vozes de angústias coletivas e de anseios sociais. Os tempos mudaram. As ideologias, se diz, entraram em recesso. O artista delegado de um povo não é mais figura corrente. Diluiu-se nas margens do mercado. Mercedes Sosa é um caso único, em que o significado de sua arte era maior do que o da própria arte, em si. Ela não cantava para nós; cantava por nós

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