Governo quer ajudar na campanha de "Eu Tu Eles"

O filme Eu, Tu, Eles, do diretor Andrucha Waddington, é o candidato do Brasil para a disputa de uma das cinco vagas de produções cinematográficas que concorrerão ao prêmio de melhor filme estrangeiro do Oscar 2001. Ele foi escolhido hoje para representar o Brasil, por unanimidade dos cineastas integrantes de uma comissão formada pelo Ministério da Cultura. Mas para estar na noite de entrega do prêmio, precisará eliminar dezenas de outros filmes estrangeiros.Eu, Tu, Eles conta a história verídica de uma mulher que vive com três maridos, no sertão nordestino, debaixo do mesmo teto. A atriz Regina Casé faz o papel de Darlene. Interpretando os maridos estão Lima Duarte (o provedor), Stênio Garcia (o amoroso) e Luiz Carlos Vasconcelos (a paixão). Ele concorreu com outros dez filmes: O Auto da Compadecida, de Guel Arraes; Estorvo, de Ruy Guerra, Castelo Ra-Tim-Bum, de Cao Hamburger; Através da Janela, de Tata Amaral; Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, de Zelito Vianna; Amélia, de Ana Carolina Teixeira Soares; Hans Staden, de Luiz Alberto Pereira; O Dia da Caça, de Alberto Graça; A 3.ª Morte de Joaquim Bolivar, de Flávio Cândido; e Cruz e Souza - O Poeta do Desterro, de Sylvio Back."Todos esses filmes tinham qualidade suficiente para representar o Brasil no Oscar", defendeu Carlos Diegues, o Cacá um dos integrantes da comissão que não se cansava de demonstrar orgulho com os filmes que disputavam a indicação. Para ele, o filme de Andrucha tem condições de vencer o Oscar, porque até agora, em sua opinião, não apareceu outra produção estrangeira que se destacasse.Cacá Diegues comenta que Eu, Tu, Eles fala de um aspecto da vida brasileira, sensível, delicada e extremamente moderna. Para ele, quanto mais fundo os cineastas abordarem a realidade brasileira, mais universal será o resultado. "Você chora, ri e se emociona", resume a cineasta Sandra Werneck, que fez parte da comissão e comentou haver resgate do cinema novo no filme do Andrucha.O secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, José Álvaro Moisés, disse que o governo quer ajudar a produtora e o distribuidor do filme a divulgá-lo para aumentar o cacife do filme brasileiro na disputa cercada de lobby dos outros distribuidores. Moisés informou que a seleção foi rapidíssima e foram consideradas as qualidades artísticas, cinematográficas e humanas. "Estamos felizes com a escolha." O filme já foi assistido por 650 mil expectadores e, no momento, há 40 cópias circulando por cinemas no interior do País. Ele já ganhou menção honrosa em Cannes.

Agencia Estado,

24 de outubro de 2000 | 20h45

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