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Governo Doria libera R$ 200 mi para setor audiovisual, mas deixa de fora filmes de viés político

Declaração foi feita durante o lançamento do Programa de Investimento no Setor Audiovisual de São Paulo (ProAV SP), no Palácio dos Bandeirantes, nesta sexta-feira

Julliana Martins, Especial para o Estado

04 de outubro de 2019 | 15h46

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira, 4, que vai disponibilizar R$ 200 milhões em linhas de crédito direcionados para a produção de filmes, documentários e até de games, com o objetivo de fomentar o crescimento do setor audiovisual no estado. O financiamento, no entanto, não contemplará filmes de viés ideológico, expressão que, para Doria, refere-se a obras que tenham cunho político-partidário.

"Se alguém quiser fazer um filme que exalte a vida do Lula, por exemplo, que pague pela produção e distribuição. Nós não vamos vetar, proibir, censurar, nem criar nenhum tipo de limitação. Mas financiamento com o dinheiro público, não”, afirmou o governador, acrescentando que essa decisão é apenas para assuntos políticos, sem envolver pautas de comportamento. “Isso se restringe à política especificamente. Levamos a sério o nosso conceito de que a diversidade deve ser respeitada em todas as suas manifestações.”

O secretário estadual de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, no entanto, afirmou que não farão nenhuma análise de conteúdo de projetos para aprovar o financiamento, até porque a verba está sendo destinada especificamente para as empresas. "Não vamos analisar projetos", disse. "O diferencial é que o investimento público nessa área sempre se deu por projetos e aqui nós estamos trabalhando diretamente com as empresas, focando na infraestrutura delas”, acrescentou o secretário.

Segundo ele, a ideia é que as linhas lançadas possam suprir a lacuna encontrada pelas empresas de produção audiovisual no momento de financiar planos de expansão e fluxo de caixa dos projetos. Assim,  as empresas do estado de São Paulo poderiam se tornar mais competitivas, tendo maior acesso a capital para ocupar os novos espaços e aproveitar as transformações que o mercado audiovisual está passando.

Lançado nesta sexta-feira, 4, no Palácio dos Bandeirantes, o Programa de Investimento no Setor Audiovisual de São Paulo (ProAV SP) é uma ação integrada entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa e a Desenvolve SP - instituição financeira do Governo de São Paulo. A proposta é uma oferta de R$ 200 milhões disponíveis ainda este ano em duas linhas de crédito, com juros mais atrativos e maiores prazos de pagamento.

Perguntado sobre a crise na Agência Nacional de Cinema (Ancine) e se o ProAV funcionaria como uma forma de suprir parte dos recursos retidos na agência, o secretário declarou que o programa vai funcionar de forma complementar ao trabalho que já vinha sendo feito pelo órgão e pelo Fundo de Investimento Setorial.

"Eu espero que as questões em relação a Ancine se resolvam logo, porque a agência é fundamental para esse setor e que o Fundo Setorial funcione e possa ser expandido e melhorado”, disse. 

Nos últimos meses, a Ancine se tornou um assunto muito debatido no governo do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a considerar fechar o órgão antes de pensar em transferí-la do Rio de Janeiro para Brasília. No fim de agosto, ele deu ordem para afastar o presidente do órgão, Christian de Castro Oliveira, acusado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, e designou Alex Braga Muniz para o cargo. Afastado, Christian escreveu uma carta se defendendo das acusações.

Bolsonaro defende a criação de filtros culturais para ter certeza de que os projetos que receberão financiamento não sejam, por exemplo, filmes "como o da Bruna Surfistinha", que conta a história de uma prostituta.

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