Governo de SP "esquece" cineasta em prêmio

A cineasta Ana Maria Magalhães, diretora de Lara, vive uma situação insólita: no dia 29 de dezembro, ela soltou fogos para comemorar sua inclusão em uma lista de diretores contemplados com um programa de estímulo ao cinema do governo do Estado. Naquele dia, o governador Geraldo Alckmin anunciou a liberação de R$ 4,8 milhões para apoio de 27 filmes, entre eles Lara. Ana Maria fez planos, comprometeu-se com credores, tocou adiante seu barco. Mas, passados 3 meses, o filme foi o único que não recebeu um tostão. "Por que apenas este, entre 27? E com que direito se publica em um jornal importante que se fez o que não foi feito?", ela desabafa. Em busca de saber o que se passou, a cineasta enviou carta à Secretária de Cultura, Claudia Costin, expondo seu questionamento.A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Cultura informou ontem que a lista de 27 contemplados, na verdade, era uma "sugestão" do governo aos bancos financiadores do projeto, Santander Banespa e Nossa Caixa, e que ficaria a critério de cada banco a adoção ou não daqueles filmes sugeridos.Ana Maria está convencida que o fato de ser carioca está na raiz de sua exclusão - todas as outras produções são paulistas. Mas diz que o edital que instituiu o prêmio de incentivo do Estado permitia a participação. Além disso, já havia recebido recursos do programa e investiu no Estado de São Paulo recursos da ordem de R$ 945 mil na produção. "Lamento que a argumentação técnica não tenha sido suficiente para convencer a Secretaria de Cultura a reparar essa falta. A irracionalidade específica não deixa de ser um instrumento de manutenção de uma ordem injusta socialmente. Espero que compreendam a minha completa intolerância aos métodos vigentes que o Brasil também não suporta mais", escreveu a diretora, em carta indignada à Secretaria de Estado da Cultura.Os recursos para os 27 filmes anunciados pelo governo do Estado em dezembro sairiam dos bancos Nossa Caixa e Santander Banespa - com investimentos respectivos de R$ 2 milhões e R$ 2,8 milhões. A operação de incentivo era transversal: os bancos comprariam espaço publicitário na TV Cultura (fundação ligada ao Estado), que repassaria o dinheiro desses anúncios para os produtores cinematográficos.Foi uma forma de o governo retomar um programa que estava paralisado, o extinto PIC-TV (Programa de Integração Cinema e Televisão, inativo desde 2001). A maior parte dos filmes da lista era de produções que já tinham contrato com o programa, explicou ao Estado o então secretário, Marcos Mendonça.

Agencia Estado,

21 de março de 2003 | 10h14

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