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‘Gostei tanto que chorei duas vezes', diz Mutarelli sobre 'Que Horas Ela Volta'

No filme de Anna Muylaert, o escritor faz o papel de dono de casa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2015 | 03h00

Depois de Natimorto, de Paulo Machline, Lourenço Mutarelli recebeu tantos convites para atuar que fez um recuo tático. “Comecei a rejeitar tudo, mas a Anna (a diretora Anna Muylaert), com quem tenho trabalhado bastante, me disse que escreveu o papel de Que Horas Ela Volta? para mim e eu terminei fazendo.” Mutarelli faz o dono da casa, um tipo meio patético que leva uma vida apagada. “A Anna trabalha muito o elenco para construir a história dos personagens. Ela até incentiva a gente a criar cenas imaginárias para explorar e expressar a fraqueza dessas pessoas.”

E qual é a fraqueza do marido? “Embora ele possua o dinheiro, imaginei que tivesse sofrido algum trauma. Queria ser artista, mas terminou por se acomodar na própria mediocridade. E aí surge a garota (Jessica a filha de Val, a doméstica), que lhe dá uma sacudida”, afirmou ainda. É uma atuação minimalista, mas muito intensa. Há uma cena genial, quando Mutarelli, no filme, pede a garota em casamento.

“Essa cena é bem expressiva de como a Anna (a diretora) trabalha com os atores. Filmamos a cena, um diálogo normal, já era o fim da jornada e ela me disse. ‘Amanhã vamos filmar de novo. Quero tentar alguma coisa diferente.’ E me pediu que preparasse um texto pedindo a Jessica em casamento. Até tentei, mas não estava conseguindo. Resolvi improvisar na hora, e isso me criou um problema com a captadora do som. Ela disse que meu coração disparou e estava batendo muito forte. Mas a cena ficou muito boa. O constrangimento. Camila (Márdila, que faz a filha de Val) é ótima.”

Mutarelli elogia o método de Anna Muylaert, que, aliás, é coisa dela. Pouquíssimos diretores fazem como ela. “Anna faz muito trabalho de mesa com os atores e, antes da filmagem, ela passa o filme pela câmera. Grava em digital, de forma contínua. Não tínhamos a Regina (Casé), que teve uma substituta, mas todo o restante do elenco estava nas cenas. E foi muito bacana porque aquilo não apenas dava uma segurança para a gente como permitia à própria Anna testar algumas ideias de plano e enquadramento”, lembrou.

O dublê de escritor e ator conta que gostou muito do resultado. “Anna estimula a gente a ser livre. E havia aquele elenco maravilhoso, todo mundo jogando muito bem. É sempre um risco, cair no estereótipo, mas não há nada disso em Que Horas Ela Volta?” E Mutarelli termina fazendo uma confissão inesperada. “Me emocionei tanto que confesso que chorei duas vezes com a Regina (Casé), nas cenas da piscina e da bandeja. Aquilo é bom demais”, acrescenta.

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