JF Diorio/Estadão
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'Gostei muito, vocês fizeram direitinho', diz Eder Jofre sobre '10 Segundo Para Vencer'

Atleta parou de lutar em 1976, marcou o mundo do boxe e é um dos ídolos de Mike Tyson

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2018 | 06h00

Eder Jofre foi às lágrimas ao ver a pré-estreia de 10 Segundos Para Vencer, principalmente nas cenas em que Osmar Prado interpreta seu pai, Aristides Kid Jofre. “Gostei muito. Vocês fizeram direitinho. Ele era assim mesmo”, disse o ex-boxeador, de 82 anos, com dificuldades. Em 2015, ele foi diagnosticado portador de encefalopatia traumática crônica, doença que afeta a memória e as funções motoras, comum em atletas que sofrem pancadas repetidas na cabeça.

Eder Jofre parou de lutar em 1976, mas o mundo do boxe jamais esqueceu seus feitos em cima do ringue. Em 1992, seu nome foi incluído já na quarta edição do Hall da Fama, em Nova York. A revista The Ring, a publicação mais importante da modalidade, classificou o brasileiro como o nono melhor pugilista entre todas as categorias em 1995. O Conselho Mundial de Boxe, órgão internacional de maior prestígio, estampa desde 2014 o rosto do boxeador no cinturão de campeão peso-galo.

Todo este reconhecimento foi obtido por intermédio das “aulas” que Eder proporcionou em suas 81 lutas como profissional. O “Galo de Ouro” – apelido dado pelo escritor Benedito Rui Barbosa, na década de 60 – tinha um estilo único. Todos os golpes eram aplicados com maestria. O caminhar no ringue era impecável e a resistência ao ataque adversário, incomum. Suas atuações o tornaram ídolo de Mike Tyson. “Quando me perguntam sobre o Brasil, logo lembro de Eder Jofre. Eu vi muitas de suas lutas em filmes que tinha na casa de Cus D’Amato (primeiro treinador). Sempre admirei muito o seu estilo de luta. Muito agressivo e golpes fortes e perfeitos na linha de cintura”, afirma o mais jovem campeão dos pesos pesados.

 

Eder Jofre lutou em uma época sem internet. Seus combates no exterior no começo de carreira só podiam ser acompanhadas pela família e pelos fãs pelo rádio. Os “filmes” demoravam dias para chegar ao Brasil. Mas suas vitórias se tornaram eternas. Na reunião de assinatura de contrato para a luta contra o mexicano Eloy Sanchez, em 1960, Sugar Ray Robinson, o maior boxeador que já existiu, fez questão de conhecer Eder em Los Angeles. Com o título, foi apontado o melhor do ano, à frente de Muhammad Ali.

Eder fez parte de um geração de que colocou o País no mundo do esporte. Adhemar Ferreira da Silva (atletismo), Maria Esther Bueno (tênis), Wlamir Marques e Amaury Passos (basquete) foram outros que viraram mitos, ao conquistar feitos até hoje não igualados após mais de cinco décadas.

Por tudo isso, 10 Segundos Para Vencer vem com justiça homenagear em vida um dos atletas mais importantes de todos os tempos. Não só do Brasil, mas do mundo.

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