"Gostaríamos de poder participar", diz Solot

Leia a entrevista com Steve Solot, vice-presidente da MPA (Motion Pictures Association) e autor da carta O Cinema Estrangeiro ? Hoje Parceiro do Cinema Nacional, distribuido à Imprensa com argumentos da associação contra as propostas do Gedic (Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica)Agência Estado ? A proposta do Gedic deve ser enviada ao Congresso brasileiro no fim deste mês. Como o sr. vê o andamento do projeto?Steve Solot ? Nós não sabemos se isso vai entrar no Congresso. Tem quem diga que pode passar como MP (medida provisória). E com MP não há debate público. O medo é esse. Hoje em dia, as empresas associadas à MPA participam na indústria brasileira em termos de co-produção. Essa participação é baseada no artigo 3 da Lei do Audiovisual. Se isso mudar, pode mudar o interesse das empresas.O produtor Luiz Carlos Barreto disse que a participação da MPA nas discussões do Gedic é inadimissível, pois trata-se da elaboração de leis nacionais.O debate tem de ser público. Não que a MPA como entidade estrangeira queira se meter. Estamos falando de empresas idôneas, brasileiras inclusive, que pagam impostos, contratam artistas, fazem dublagem, legendagem, compram equipamentos e exibem o produto nacional e estrangeiro.Qual é o interesse da MPA em incentivar a co-produção entre empresas brasileiras e estrangeiras?O interesse é comercial, porque os filmes brasileiros têm, nos últimos anos, se mostrado como um produto muito bom para o mercado interno e exterior. Esse filmes, em vários casos, são distribuídos pelas empresas norte-americanas nos EUA e na América Latina. Isso porque essas empresas acreditam no talento do produto do Brasil.O recente episódio da greve dos roteiristas e atores em Hollywood foi apontado como um alerta aos grandes estúdios norte-americanos no sentido de incentivar a produção cinematográfica em países do Terceiro Mundo e, assim, defender a produção dos EUA e até espalhar um estilo ?american way? de cinema. O sr. vê esse panorama?Não é uma tentativa de criar um estilo ?american way? aqui. É exatamente o contrário. Empresas querem filmes brasileiros com identidade nacional. Foi o que se deu na Argentina com o filme Nove Rainhas, que foi um co-produção com a MPA, e é essencialmente argentino."Sabor da Paixão" ("Woman on Top"), com Penélope Cruz e Murílio Benício, é um típico filme de um Brasil americanizado. Assim como a crítica que se faz ao filme "Bossa Nova", que ?aluga? o cenário brasileiro para um tema mais próximo ao público norte-americano.Honestamente, eu não acho. Esse filme realmente foi distribuído pela MPA. Mas não é uma tendência. É mais interessante um Eu Tu Eles, um Central do Brasil e Auto da Compadecida, porque são uma visão brasileira e objetiva do País. Num mundo globalizado precisa-se de histórias locais. Mostram temas universais, como família, amor, casais, em ambientes totalmente diferentes do que americanos, franceses e mexicanos estão acostumados a ver. Outro exemplo é Amores Possíveis, que é um filme fantástico.Qual será a reação da MPA no caso de o governo aprovar o projeto do Gedic por meio de uma MP?Reação oficial não pode haver, porque MP é uma forma de governo. Nós só achamos que é um mecanismo aberto e gostaríamos de poder ter uma participação nesse sentido.

Agencia Estado,

22 de agosto de 2001 | 10h21

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