"Goodbye Lenin", sensação na Berlinale

Wolfgang Becker vai logo avisando:terminou Goodbye Lenin há apenas uma semana e, portanto,ainda não tem distanciamento crítico para falar sobre o seufilme que está sendo uma das sensações da Berlinale. Embora donada casa, a Alemanha não costuma brilhar no festival que realizaem sua capital. Podem existir concorrentes mais fortes, masninguém se arrisca a descartar um Urso de Ouro ou, no mínimo, deprata para Goodbye Lenin. "Sinceramente, não quero pensar nisso agora; para mim,os elogios que o filme vem recendo do público e dos críticos jávale como um Urso de Ouro para mim." Ele ainda se lembra daquele dia de 1989 em que foi, comomuitos outros alemães, para o lugar onde se ergue hoje PotsdamerPlatz. Havia gente dos dois lados daquela que era a principalpassagem entre as duas Alemanhas, Oriental e Ocidental."Ficamos ali olhando e tivemos a nítida sensação de estarmosassistindo ao colapso de um sistema. Tínhamos medo das armas queos soldados orientais portavam, mas no fim o muro caiu sem umtiro." A idéia do filme veio do roteirista Bernd Lichtenberg.Ele mandou uma sinopse de quatro ou cinco páginas para Becker,dizendo que ele seria o ideal para a história que misturacomédia e drama. A mistura atraiu o diretor, mas não só ela. Aépoca, também. Goodbye Lenin trata do colapso do comunismodo ângulo de um rapaz cuja mãe, militante comunista, entra emcoma. Quando ela recobra a consciência, oito meses mais tarde,acorda num país diferente, mas o filho, para poupá-la, mantém ocomunismo dentro de casa.Boas chances - É um filme divertido emuito berlinense, no humor, na ambientação. A escolha do atorDaniel Bruhl para protagonista foi fundamental, admite odiretor. "Ele é o eixo da narrativa e foi a partir de Danielque montamos todo o elenco. Era preciso muita afinação entretodos os atores. Se ele falhasse, seria um desastre." Oscríticos estão encantados, o Urso de Ouro é uma possibilidade.Becker é capaz de falar durante horas sobre seu filme. Preferefalar da representação alemã como um todo. Na segunda-feira, passouLichter ("Luzes Distantes"), de Hans Christian Schmid.Ainda falta passar Der Alte Affe Angst, de Oskar Roehler."Nas entrevistas que demos, prévias ao festival, tentamosmostrar que nossos filmes formam um bloco sobre o que ocorreu eainda está ocorrendo na Alemanha. A reunificação, os refugiadossão os nossos temas. Somos indivíduos, claro, e cada filmeexpressa seu autor, mas o importante, para nós, é acreditar queestamos, em conjunto, expressando na tela essa nova Alemanha,com sua pujança e também todos os problemas que não podemosesconder."

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2003 | 17h30

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