'Good bye Solo' conta história delicada no cinema

Longa começa comhomem de 70 anos tentando fazer um acordo com um taxista senegalês que mora nos EUA

REUTERS

17 de setembro de 2009 | 11h54

Ganhador do prêmio da Crítica Internacional no Festival de Veneza no ano passado, Good Bye Solo é um drama delicado que tece, por um vies humanista, uma história de desolação da qual se destaca o trabalho de dois atores e um roteiro muito bem construído, co-assinado pelo diretor Ramin Bahrani e Bahareh Azimi. O longa estreia em São Paulo nesta sexta-feira.  

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trailer Trailer de "Goodbye Solo"

 

 Amizade inamizade inusitada entre William (Red West) e Solo (Souleymane Sy Savane), um motorista de táxi. Foto: Divulgação 

Good bye Solo parte de uma premissa simples, que a dupla de roteirista poderia ter levado a diversos caminhos - alguns deles excessivamente melodramáticos - mas sempre optam pela sutileza de uma história que se desenvolve com seus personagens. Muito da força do filme também vem da direção segura de Bahrani. O longa começa com um homem na casa dos 70 anos tentando fazer um acordo com um taxista senegalês que mora nos EUA.

O homem quer pagar adiantado mil dólares para, no dia 20 de outubro, ser levado a uma região montanhosa, onde há uma famosa rocha gigantesca e muito vento. O motivo nunca será revelado com palavras, mas deduzido pelo público e pelo motorista de táxi ao longo dos quase 90 minutos de filme.

Surge uma amizade inusitada entre William (Red West) e Solo (Souleymane Sy Savane), um motorista de táxi sempre animado que, às vezes, parece uma versão masculina da alegre protagonista de Sempre Feliz.

É uma relação até estranha, pois Solo quer ajudar William, mas este não quer ser ajudado. Morando em Winston-Salen, na Carolina do Norte, Solo também quer a sua fatia do sonho americano, tentando passar no exame para comissário de bordo.

Casado com uma mexicana, eles esperam o primeiro filho e cuidam da filha mais velha dela, com quem o taxista tem uma relação muito próxima. Assim, Good bye Solo acompanha alguns dias na vida desse grupo de personagens, até chegar em 20 de outubro - a data do acordo entre Solo e William.

Em seu filme, Bahrani não está interessado em falar de multiculturalismo ou observar o estrangeiro como um ser exótico - pelo contrário. O que interessa ao jovem diretor, de 33 anos, é a dinâmica das relações humanas, os laços que unem Solo e William, formados tão pelo acaso.

A jornada dos personagens ecoa O Gosto de Cereja, um dos filmes emblemáticos de Abbas Kiarostami, mas, aqui, Bahrani não é mero aprendiz - pode em alguns momentos se referir a mestres, mas sabe tomar o trabalho de diretor em suas mãos e fazer um filme próprio.

Para colocar Good bye Solo num patamar elevado, Bahrani conta com o trabalho excepcional de dois atores. West, que foi amigo de juventude de Elvis Presley, e trabalhou em alguns filmes com o roqueiro, tem a cara de sujeito comum.

Um homem de poucas palavras, descobrimos sobre sua personalidade e intenções junto com Solo. E como muito pouco é realmente dito, nunca temos certeza de algumas coisas. Já Sy Savane não é do Senegal, como o personagem, mas da Costa do Marfim, e já trabalhou como comissário de bordo na Air Afrique - sonho profissional do personagem Solo.

Good bye Solo chega como um novo fôlego no cinema independente norte-americano, que anda tão cheio de seus vícios visuais, de suas muletas narrativas e paternalismos multiculturais. Aqui, a força está naquilo que não é dito. Não é um filme de mensagem - ainda bem! É um filme sobre as pessoas, suas relações e o mundo - por isso mesmo, tão triste quanto reconfortante, tão enigmático quanto recompensador.  (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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