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'González Iñárritu fez uma obra de arte', diz DiCaprio

Ator elogia o diretor de 'O Regresso', que fala da luta pela sobrevivência de um homem em busca de vingança

Antonio Martin Guirado, EFE

26 de dezembro de 2015 | 16h00

LOS ANGELES - Leonardo DiCaprio não disfarça o orgulho ao falar de The Revenant, O Regresso, do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu que considera “uma obra de arte” com a qual avança como favorito para levar o Oscar de melhor ator. O filme, que também tem Tom Hardy no elenco, está previsto para estrear no Brasil em 4 de fevereiro de 2016.

“Não nego que foi a filmagem mais difícil de minha vida, mas no fim veio a recompensa porque González Iñárritu traduziu esse esforço numa obra de arte”, garantiu DiCaprio em entrevista à EFE.

“Embarcamos numa viagem existencial em plena natureza e fomos ao limite de nossas forças. Estávamos ali por uma razão e creio que o espectador vá se emocionar incrivelmente com essa história. É algo realmente original. Não se fazem mais filmes assim”, disse o ator, que acaba de fazer 41 anos.

Baseado em fatos reais, que inspiraram romance homônimo escrito por Michael Punke, o drama conta a história de Hugh Glass (DiCaprio), um conhecido explorador que, atacado por um urso, é abandonado pelos companheiros de expedição. Seu desejo de vingança faz com que sobreviva para se lançar numa odisseia de centenas de quilômetros e chegar aos que o traíram. Para tanto, Glass terá de recuperar-se milagrosamente dos ferimentos, vencer o inverno brutal e driblar enfrentamentos com tribos que povoavam o oeste dos EUA no início do século 19.

“Sabia perfeitamente que tipo de cineasta é Alejandro: alguém incrivelmente amável, cortês e colaborador, que procura fazer o melhor filme possível levando em conta todos os elementos para que o espectador viva uma autêntica imersão quando entre no cinema”, explicou DiCaprio.

Nos meses anteriores à estreia, muita gente vem qualificando a produção de “inferno” e “pesadelo” pela dureza das condições climáticas nas quais rolou a filmagem, com várias demissões e pedidos para sair.

Além disso, o filme foi rodado inteiramente com luz natural – um trabalho maravilhoso do diretor de fotografia mexicano Emmanuel “El Chivo” Lubezki –, exigindo o deslocamento da equipe do Canadá para a Patagônia argentina em busca da neve necessária para filmar a etapa final.

“Logicamente, González Iñárritu defende seu ponto de vista. Luta de forma incessante para conseguir o que quer e chegar à autenticidade a qualquer preço, declarou um DiCaprio para o qual o diretor mexicano possui “as melhores virtudes” dos “maiores cineastas” com os quais trabalhou, incluindo Martin Scorsese.

“Queria trabalhar com Alejandro. É alguém a quem respeito enormemente. As pessoas, e isso ocorre com muito poucos diretores, veem seu cinema não pelo espetáculo, mas pela arte. Como com Martin Scorsese”, avaliou o ator quatro vezes candidato ao Oscar.

DiCaprio afirmou que González Iñárritu tem um “vasto conhecimento” da história do cinema e procura “pintar um quadro” com cada uma de suas películas. “São pinturas muito específicas – assegurou –, tendo clara a pátina que quer empregar e a tela a ser usada. E é implacável e inflexível na hora de conseguir o que procura.”

No centro da história está a relação de Glass com o filho, fruto de um relacionamento com uma índia pawnee, que se converterá na chave para a sobrevivência do personagem em condições tão extremas.

“É alguém de quem tiraram tudo, uma pessoa que precisa encontrar um certo desejo espiritual e existencial para continuar lutando pela sua vida. Contar isso quase sem diálogo foi muito interessante para mim”, declarou também o ator.

Após o apavorante ataque sofrido pelo personagem nos primeiros 30 minutos do filme, DiCaprio se fecha em si e oferece uma interpretação na qual transmite tudo por meio dos olhos e expressividade, no oposto da verborragia e histrionismo de seu Jordan Belfort no Lobo de Wall Street.

“Foi um desafio”, afirmou. “Às vezes se chega ao público mais com os silêncios”, acrescentou DiCaprio. Para ele, alguns de seus momentos favoritos na história do cinema são assim, sem palavras. “Reagir ante o que está em frente. Isso é fazer com que um silêncio diga mais que mil palavras. Assumi esses objetivos. Foi uma experiência muito instintiva.”

DiCaprio, após trabalhar com diretores como Scorsese, Steven Spielberg, Christopher Nolan, Quentin Tarantino, Clint Eastwood, Sam Mendes, James Cameron e o próprio González Iñárritu, descarta, por enquanto, a possibilidade de dirigir algum dia.

“Demoraria muito para estar à altura deles”, afirmou, entre risos. Mas tem, sim, um desejo para o futuro: trabalhar num longa com Scorsese e Robert De Niro, a quem que considera “o maior ator vivo”. “Se tivesse essa oportunidade eu a agarraria”, encerrou DiCaprio. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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