Goiás faz 2.º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental

A comemoração do último Dia Internacional do Meio Ambiente deste século será segunda-feira, mas as principais festividades começam a ser realizadas amanhã, com a abertura do 2.º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na cidade histórica de Goiás, a 130 quilômetros de Goiânia. Até domingo, 38 produções nacionais e estrangeiras vão participar da mostra competitiva, que será encerrada com um show de Gilberto Gil e Egberto Gismonti."A premiação vai reafirmar uma decisão estratégica: o cultural precede o econômico e o social, abre caminho para eles, ajuda a moldá-los", afirma o presidente de honra do festival Washington Novaes. O Fica será realizado no momento em que Goiás antiga capital do Estado, está sendo julgada pela Unesco e pode receber o título de Patrimônio da Humanidade. E também quando as discussões sobre a relação do homem com o meio ambiente apontam perigos iminentes, caso medidas não sejam tomadas.Novaes, por exemplo, dedica-se ao projeto de redução de lixo da cidade de Goiás. Sua grande meta é mudar os hábitos da população e fazer com que deixem de ser utilizadas embalagens ecologicamente incorretas, como as de plástico, que podem ser substituídos pelas de vidro.O festival recebeu inscrições de 224 produções de 40 países. Alguns já foram exibidos comercialmente, como Hans Staden, de Luís Alberto Pereira, sobre o viajante alemão que, no início da colonização, se envolveu com tribos canibais. É o caso também dos documentários Fé, de Ricardo Dias, mosaico sobre a religiosidade brasileira, e Os Carvoeiros, de Nigel Noble, que retrata as condições dos trabalhadores de minas de carvão.Entre os estrangeiros programados destaca-se o curta de animação The Periwig-Maker, do alemão Steffen Schaffer, que, por meio de bonecos, conta a história de uma praga que dizimou boa parte da população da cidade de Londres, na Inglaterra, em 1665. Outro destaque é o documentário escocês Transition, de Andy Mackumann, que trata das drásticas mudanças ambientais e econômicas vividas na Escócia, no último século.ParceriaComo novidade para este ano, o Fica dá início à formação de uma rede mundial de festivais de cinema ambiental. O Festival de Serra de Estrela, em Portugal, um dos mais importantes da Europa, foi o primeiro a formalizar uma parceria. Assim, integram a mostra brasileira filmes como "O Estado do Cão", de Peter Brosens e Dorjkhandyn Turmunkh, produção da Mongólia e da Bélgica - já exibida na Mostra Internacional de Cinema de 1998. O filme narra uma lenda mongol, em que os cachorros, quando morrem, devem voltar como homens. Outro participante de peso é Lixo, da portuguesa Rita Nunes. Dois dos temas mais alarmantes para os cientistas, às vésperas da entrada do novo milênio, são a extinção da flora e da fauna e a crise global da biodiversidade. Como evitar a perda irreversível de milhares de espécies de plantas e animais que vivem no planeta e como lidar com esse desafio ao equilíbrio e à integridade da vida é o que propõe o documentário Hotspots, de 13 minutos de duração, dirigido por Haroldo de Castro.Para enfrentar esse problema com a urgência necessária, um grupo de especialistas internacionais, liderado por Russel A. Mittermeier, presidente da Conservation International, identificou as 25 áreas de maior prioridade para a conservação da biodiversidade mundial. Essas áreas são chamadas Hotspots e concentram, em apenas 1,4% da superfície do planeta, mais de 60% das espécies de plantas e animais terrestres. Entre elas estão a mata atlântica e o cerrado do Brasil, a região dos Andes tropicais, a Ilha de Madagáscar e a Indonésia.HomenagemO artista plástico Siron Franco, que assina o cartaz de divulgação do festival, nasceu na cidade de Goiás e vai aproveitar para fazer uma homenagem aos índios goyazes, que habitavam a região. Todos foram dizimados, porém, sem que ficasse um único registro de suas imagens. Agora, o pintor vai desenhar em uma pedra, às margens do Rio Vermelho, sete máscaras cada uma delas com uma letra do nome da nação indígena, e vai cobri-las com ouro. "Quero resgatar a imagem desses índios que foram mortos e ao mesmo tempo chamar a atenção para a preservação do rio, que quase morreu por causa do garimpo de ouro", justifica.

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