Dale Robinette/Lionsgate
Dale Robinette/Lionsgate

Globo de Ouro já não é termômetro para o Oscar, mas diverte

A 74.ª edição da cerimônia está marcada para este domingo, 8, e, no Brasil, será transmitida pelo canal por assinatura TNT, a partir das 22h

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2017 | 04h00

Quarenta e nove dias separam a entrega do Globo de Ouro para a cerimônia do Oscar. Houve um tempo em que se dizia que a primeira premiação, aquela que sempre foi vista como a responsável por abrir a temporada de prêmios para o cinema, indicava a temperatura e a possibilidade de vitória de determinado filme ou diretor. Esse tempo passou. O Globo de Ouro, hoje, representa um misto de autobajulação da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, os votantes dessa premiação e uma oportunidade se discutir se as escolhas dos vencedores foram equivocadas ou justas. A 74.ª edição da cerimônia está marcada para este domingo, 8, realizada no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. No Brasil, a festa apresentada por Jimmy Fallon será transmitida pelo canal por assinatura TNT, a partir das 22h. 

A grande questão do Globo de Ouro é dividir suas categorias. Não há uma escolha pelo melhor filme ou melhor série de TV – sim, é sempre importante lembrar que o Globo também vota nas melhores produções para a telinha. As categorias se dividem entre melhores filmes e séries de comédia/musical e drama. O que, no ano passado, gerou um descontentamento. Embora com um bom timing de piadas por parte do seu protagonista Matt Damon, a ficção científica dramática Perdido em Marte foi escolhida como melhor longa de comédia e drama. Até Damon também ficou com um Globo como melhor ator nesta categoria. Depois de tanto chiado por parte do restante da crítica e até da indústria, a associação decidiu mudar suas regras. Filmes dramáticos com tons de comédia, caso de Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott, concorrerão com outros dramas. 

Outras das questões da temporada de premiações do cinema no ano passado foi a falta de representatividade de atores e diretores negros entre os indicados e vencedores. O fato criou a hashtag no Twitter de #oscarsowhite, algo como “Oscar muito branco”, em tradução livre. O Globo, ao menos, indica uma mudança de comportamento, enfim. Há grandes produções, como Moonlight – Sob a Luz do Luar, Estrelas Além do Tempo, Fences e Loving, nenhuma ainda em cartaz no Brasil, que figuram entre as categorias de melhores filmes e têm seus atores negros listados entre os postulantes ao troféu. A tendência é que isso se repita nas premiações que virão ao longo destes dois meses. 

As duas forças no cinema deste ano estão em duas histórias que fogem da grandiloquência de 2016. Como melhor comédia/musical, o favorito da crítica é La La Land – Cantando Estações, de Damien Chazelle. O mesmo diretor e roteirista de Whiplash deixa a dureza do seu filme anterior, mantêm o flerte com o jazz e transforma a música numa história de amor mais leve entre Ryan Gosling e Emma Stone, ambos também indicados em suas categorias. O longa tem sete indicados e é o favorito a sair do Globo com força para o Oscar – mas, como sabemos, nem tanto.

O.J. Simpson e Donald Glover dominam a TV

O ano de 2016 foi o ano de Donald Glover. Ator, roteirista e músico, ele lançou dois hits. O primeiro, sob o nome artístico de Childish Gambino, foi Awaken, My Love!, um disco que funde funk, soul e R&B em uma linguagem moderna – um dos melhores álbuns da temporada passada. O segundo hit foi a série Atlanta, exibida nos Estados Unidos pelo canal FX, que ganhou duas indicações ao Globo de Ouro deste ano. 

Em Atlanta, Glover é o criador, roteirista, diretor, produtor executivo e, ainda, o protagonista. Na telinha, ele interpreta um jovem que decide se tornar empresário do primo, um rapper chamado Paperboy, na tentativa de sair de uma vida miserável. A série, embora com altas doses dramáticas, não se deixa tornar pesada, e foi indicada na categoria de melhor produção de comédia – trata-se do amalucado Globo de Ouro, afinal. Glover também foi indicado como melhor ator. E, se a premiação fosse justa, levaria os dois prêmios. 

A série a ser batida, desta vez, é The People v. O. J. Simpson: American Crime Story, também do canal FX, que tem cinco indicações, inclusive na categoria de melhor filme para TV ou série limitada e destaques individuais para os atores Courtney B. Vance, Sarah Paulson, Sterling K. Brown e John Travolta. 

Outrora bambambã, Game of Thrones ficou com duas indicações mesmo após uma boa sexta temporada e não deve ser lembrada. Mozart in the Jungle, da Amazon, com duas indicações, pode dar trabalho. 

 

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