Paul Drinkwater/NBC
Paul Drinkwater/NBC

Globo de Ouro celebra as mulheres e fortalece 'Lady Bird' e 'Três Anúncios Para um Crime'

Cerimônia foi iniciada neste domingo, 7, na Califórnia

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 02h23

“Boa noite, senhoras e senhores que restaram”, diz Seth Meyers, o apresentador da 75.ª cerimônia do Globo de Ouro, realizada no hotel Hilton, na celebrada Beverly Hills, na Califórnia, na madrugada deste domingo, 7, para segunda, 8.

O palco brilha, as luzes estão acesas. Tudo como sempre. Mas Hollywood já não é mais a mesma.

E, no monólogo de abertura do discurso do também ator e comediante, as cartas já estavam expostas na mesa. Desde 2017, o show biz passa por mudanças drásticas, a partir da força das mulheres, unidas, das acusações contra homens abusivos e poderosos desse mercado – o caso do superprodutor Harvey Weinstein é apenas o primeiro, mas, infelizmente, não foi único nem isolado. 

++ Discursos no Globo de Ouro são marcados por protestos

Lady Bird: É Hora de Voar, filme de Greta Gerwig e indicado nas categorias de comédia/musical se mostrou, ao fim do primeiro grande teste, uma força a ser batida. Saoirse Ronan, a protagonista do longa, ficou com o prêmio de melhor atriz. E o filme levou a cobiçada estatueta de melhor comédia ou musical.

Questionou-se o fato de Greta não ser indicada entre diretores. “São só homens”, cutucou Natalie Portman, ao listar os indicados na categoria vencida por Guillermo Del Toro, de A Forma da Água. A vitória de Gary Oldman, pelo papel em O Destino de uma Nação, e Frances McDormand, por Três Anúncios Para um Crime, apontam rumos surpreendentes nessa temporada de premiações. Três Anúncios... também sai fortalecido ao ser eleito melhor filme dramático. 

++ 'O tempo dos abusadores já acabou', diz Oprah Winfrey no Globo de Ouro

Não é de se impressionar, quando, na primeira premiação de 2018, organizada pela Associação de Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, sejam elas as protagonistas, mesmo quando um homem é o escolhido como apresentador. Logo de início, a primeira estatueta foi entregue para Nicole Kidman – era a sua quarta, aliás –, como melhor atriz em minissérie ou telefilme.

Fundamental para os dias de hoje, Big Little Lies é um projeto incinerado pelo protagonismo feminino criado por Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern. “Minha mãe foi uma defensora dos direitos das mulheres. Cada conquista minha é uma conquista dela também”, disse Nicole. “Que possamos mudar o mundo.” Big Little Lies também foi lembrada na categoria de ator e atriz coadjuvantes, para Alexander Skarsgard e Laura Dern, e minissérie. 

Laura, que integra o time de grandes atrizes a levar, como par para a festa, uma ativista política, foi também das mais incisivas no discurso ao microfone. “Muitos de nós foram ensinados a não batalhar”, disse ela, em favor das mulheres e das minorias.

“Foi a cultura do silêncio a ser normalizada. Eu suplico que nós não só apoiemos os sobreviventes que têm coragem suficiente não só para falar a verdade, mas para promover justiça. Mas que possamos proteger e empregar essas pessoas.”

A atriz, por exemplo, tinha consigo no tapete vermelho Monica Ramirez, uma ativista política pelos direitos das trabalhadoras rurais latinas que vivem nos Estados Unidos. 

É um início de um novo ciclo em Hollywood – e ainda bem. Nas categorias dedicadas às produções televisivas – lembrando que, no Globo de Ouro, são escolhidos os melhores da TV e do cinema –, elas dominaram. Como esperado, The Handmaid’s Tale, a série baseada no romance O Conto da Aia, de Margaret Atwood, se impôs.

Era inevitável que desbancasse os blockbusters The Crown, Game of Thrones e Stranger Things na disputa de melhor série dramática. É um tormento absoluto que vem da tela da TV (ou smartphones, afinal, é uma série produzida pelo serviço de streaming Hulu, ainda indisponível no Brasil) sobre um mundo que beira o nosso – mas é ainda mais catastrófico.

Nele, os Estados Unidos são comandados por um governo ultrarreligioso e quase todas as mulheres são inférteis. Aquelas que ainda são capazes de ter filhos são praticamente escravizadas, usadas para a reprodução das castas mais altas – obviamente. O que dói é perceber como esse mundo fantasioso de Margaret Atwood se coloca tão próximo daquele que vivemos por aqui. 

Elisabeth Moss, que já havia sido um estouro com sua personagem forte e libertária em Mad Men – uma mulher à frente do seu tempo para a série de época –, recebeu seu segundo Globo da carreira com o protagonismo de The Handmaid’s Tale. A cerimônia do Emmy, realizada ainda no ano passado, já havia funcionado como um termômetro e era quase certa a vitória de Elisabeth.

Ao microfone, a atriz fez questão de lembrar os homens que trabalhavam na série. “É desse tipo de homem que a indústria precisa”, disse. “Esse prêmio é para você, Margaret, que teve a força para falar sobre intolerância e justiça.”

Confira, abaixo, a lista de vencedores do Globo de Ouro 2018, que será atualizada ao longo da premiação:

CINEMA

Melhor filme de drama

Três Anúncios Para um Crime

Melhor atriz em filme de drama

Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime

Melhor ator em filme de drama

Gary Oldman, O Destino de uma Nação

Melhor filme de comédia ou musical

Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor atriz em filme de comédia ou musical 

Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar

Melhor ator em filme de comédia ou musical

James Franco, O Artista do Desastre

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney, Eu, Tonya

Melhor ator coadjuvante

Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime

Melhor diretor

Guillermo Del Toro, A Forma da Água

Melhor roteiro

Martin McDonagh, Três Anúncios Para um Crime

Melhor filme em língua estrangeira

Em Pedaços (Alemanha/França)

Melhor canção original

This Is Me, de Benj Pasek e Justin Paul para O Rei do Show

Melhor animação

Viva: A Vida é uma Festa

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat, A Forma da Água

TV

Melhor série de drama

The Handmaid's Tale

Melhor atriz em série de drama

Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale

Melhor ator em série de drama

Sterling K. Brown, This is Us

Melhor série de comédia ou musical

The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor atriz em série de comédia ou musical

Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor ator em série de comédia ou musical

Aziz Ansari, Master of None

Melhor minissérie ou telefilme

Big Little Lies

Melhor atriz em minissérie ou telefilme

Nicole Kidman, Big Little Lies

Melhor ator em minissérie ou telefilme

Ewan McGregor, Fargo

Melhor atriz coadjuvante em série

Laura Dern, Big Little Lies

Melhor ator coadjuvante em série

Alexander Skarsgard, Big Little Lies

PRÊMIO CECIL B. DEMILLE

Oprah Winfrey

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.