Mario Anzuoni/Reuters
Mario Anzuoni/Reuters

Globo de Ouro 2017 celebra a diversidade e o filme 'La La Land'

Cerimônia foi realizada em Los Angeles, no domingo, 8

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2017 | 01h14

Se você quer logo saber o que o Globo de Ouro indica sobre o que acontecerá no Oscar, aqui vai: La La Land: Cantando Estações deve dominar a temporada de premiações e chegar forte à cerimônia da Academia, em 26 de fevereiro. Na noite deste domingo, 8, o musical levou a melhor em categorias importantes, como de melhor ator (para Ryan Gosling) e roteiro (para Damien Chazelle). 

Mas o Globo já não vale tanto para esse propósito. E, por isso, a noite se tornou especial. No Oscar do ano passado, o aviso era claro. O Twitter e outras redes sociais foram tomadas por pessoas que reclamavam da ausência de atores, atrizes, roteiristas e diretores negros entre os indicados. O diretor Spike Lee e a atriz Jada Pintett-Smith iniciaram um boicote. O público concordava ao usar a hashtag #OscarSoWhite, que em uma tradução livre pode ser interpretado por “Oscar tão branco”. Um recado foi dado. E foi entendido – ao menos, foi o que a edição realizada na noite de ontem, em Los Angeles. 

E a questão, felizmente, não foi segregar ainda mais as performances de acordo com a cor de pele de cada um dos artistas. O Globo de Ouro, em um reflexo de um mundo que já não aceita esse ou qualquer tipo de diferenciação, prestou atenção na qualidade das produções. Venceu, nesta cerimônia de número 74, apresentada por um pouco inspirado Jimmy Fallon, o bom e velho merecimento. Como, por exemplo, a vitória de Atlanta, série criada, dirigida e protagonizada por Donald Glover, um dos nomes mais quentes da TV e da música de 2016.

O seriado, indicado na categoria melhor série de comédia ou musical logo em sua primeira temporada, desbancou bambambãs que já haviam se destacado nos anos anteriores, como Black-ish, Mozart in The Jungle, Trasparent e Veep. Glover e sua equipe venceram com os pés nas costas ao mostrarem a dura vida de um jovem sem dinheiro que decide se tornar empresário do primo rapper. “Jamais imaginávamos que alguém assistiria à nossa série”, disse Glover ao microfone. 

Enfim, uma noite com a representatividade foi vista e transmitida. The People v. O. J. Simpson: American Crime Story, por exemplo, faturou prêmios importantes, inclusive como melhor filme ou série limitada. Tracee Ellis Ross, filha de Diana Ross, foi escolhida a melhor atriz de série de comédia em sua primeira indicação. 

Viola Davis, atriz que faturou o Globo como melhor atriz coadjuvante no filme Fences, dirigido e protagonizado por Denzel Washington, subiu ao palco e, quase às lágrimas, agradeceu pelo prêmio recebido, enfim. Atriz, tão elogiada por crítica e público, foi indicada para o Oscar por duas vezes. Para o Globo, foram outras quatro. Ao receber sua merecida estatueta, além de se colocar como uma das favoritas na corrida do Oscar, ela lembrou da sua própria origem e do avô cuidador de cavalos. Afinal, como disse Lorenzo Soria, presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, o Globo do ano preferiu as histórias humanas. “Mostramos o sentido da vida.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.