Acervo Tempo Glauber
Acervo Tempo Glauber

Glauber Rocha é homenageado pelo Festival de Cinema de Roma

O documentário 'Glauber, Claro', de César Augusto Meneghetti, será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e, em dezembro, chegará ao Canal Curta!

AFP, Redação

19 de outubro de 2020 | 09h06

Com um documentário sobre seu exílio voluntário na Itália nos anos 1970, o Festival de Cinema de Roma, que será realizado até dia 25, homenageou o diretor brasileiro Glauber Rocha, considerado o pai do Cinema Novo

O documentário, intitulado Glauber, Claro, do cineasta brasileiro César Augusto Meneghetti, 55 anos, apresenta ao espectador o espírito de Rocha, em sua vital criatividade acompanhada pela necessidade de protestar à sua maneira contra um sistema e um mundo que rejeitou. Filme está na programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e será exibido no Canal Curta, em dezembro.

"É um metafilme, nos metemos dentro de um filme e seu mundo", disse à AFP Meneghetti, que não pôde comparecer à exibição desta segunda-feira no auditório do MAXXI em Roma, devido à pandemia. 

O filme, dedicado ao influente diretor, ator e roteirista, morto em 1981 aos 43 anos, é inspirado no filme Claro, rodado por Rocha em Roma em 1975, durante seu exílio na Itália. 

O mosaico de memórias, de amigos, de atores, de colaboradores e críticos, descreve toda uma geração que acreditava em princípios e se sentia politicamente comprometida. 

"Na montagem fomos guiados pela sinceridade, pelo emocional, o que vinha do coração, a cronologia não contou. Nos deixamos levar”, contou Meneghetti. 

Conhecido pelos seus filmes políticos, expressos de forma forte, muitas vezes aliados ao misticismo e ao folclore, entre eles Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, mas também pelo seu estilo e fotografia particulares, Glauber Rocha 45 anos depois continua muito atual. 

"Esses jovens de 80 anos que entrevistei ainda são muito vitais e ainda acreditam que devemos lutar por um mundo melhor", disse Meneghetti, que queria fazer o filme desde 2005, quando estudava no Centro Experimental de Cinema de Roma. 

Rocha, que contava histórias entre a verdade e a imaginação, foi censurado no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985), razão pela qual deixou seu país para morar em vários lugares, como Espanha, Chile, Itália e Portugal. 

"Ele foi um visionário. Ele antecipou o homem global e também foi um pensador", afirmou o cineasta, que não o conheceu pessoalmente. 

O documentário aborda, sem dizer explicitamente, argumentos muito atuais no Brasil, como autoritarismo, violência estatal e racismo. Usa material inédito do arquivo histórico da televisão estatal italiana. 

"Foi uma sorte poder mostrar um importante pedaço da história do cinema", resume Meneghtti.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.