Gil quer dar "choque de capitalismo" no cinema nacional

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, diz que é preciso dar um "choque de capitalismo" no cinema brasileiro para tirar o setor da atual crise. Ele criticou o atual modelo de produção e distribuição dos filmes nacionais. O ministro participou da solenidade de posse dos dois novos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Manoel Rangel Neto e Nilson Rodrigues foram nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e terão um mandato de quatro anos na Diretoria Colegiada da agência. De acordo com Gil, o desempenho dos filmes nacionais vem caindo no mercado de exibição nos últimos 18 meses e isso se torna ainda mais evidente quando se compara a situação atual com o resultado obtido há dois anos. Em 2003, considerado o auge de um ciclo de sucesso, os filmes brasileiros haviam conquistado 21% do mercado. No ano passado, essa participação caiu para 14,5%, e em 2005 a previsão é de que fique em 10%. Para o ministro da cultura, a queda na bilheteria não é problema de falta de recursos públicos. Em 2004, segundo Gil, o governo federal liberou aproximadamente R$ 160 milhões para o setor; em 2003, haviam sido R$ 140 milhões. Ele disse ainda que no primeiro ano do atual governo, os 29 filmes nacionais lançados no circuito interno foram vistos por aproximadamente 22 milhões de espectadores, o que gerou uma receita de US$ 50 milhões. Para o ministro, a crise no setor é motivada por problemas estruturais e pela falta de uma polícia eficiente de produção, divulgação e distribuição do cinema nacional: "A cadeia produtiva deve se remunerar na bilheteria, não com o investimento público", afirmou. "Este, por sua vez, deve ser um estímulo, não a única fonte de recursos; e deve chegar equilibradamente ao conjunto da atividade, nas formas de incentivo fiscal, como agora, e também de crédito barato, fundos públicos e prêmio de performance." Gil defendeu também a expansão do parque exibidor - atualmente 93% das cidades brasileiras não têm salas de cinema -, a redução nos preços dos ingressos, o fortalecimento dos distribuidores, melhoria na relação com a televisão, ampliação do programa de exportação de filmes, integração com os outros mercados da América do Sul, criação de novos instrumentos de fomento público e a busca de novas parcerias na iniciativa privada.

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