Gibson pede desculpas novamente e nega ser anti-semita

Mel Gibson disse, nesta terça-feira, que não é um intolerante ou um anti-semita e frisou que pediu desculpas a toda a comunidade judaica pelas palavras desprezíveis que pronunciou após ser preso, em Malibu, na sexta-feira. "Qualquer espécie de ódio vai contra meus princípios", afirmou o ator e diretor em um comunicado divulgado por seu porta-voz, Alan Nierob.Para o astro de Hollywood, um mundo em que os holofotes iluminam suas estrelas em seus bons e maus momentos, agora é seu lado obscuro que está em destaque. O ator de 50 anos foi preso por dirigir embriagado, em alta velocidade e por ter supostamente feito afirmações anti-semitas, sexistas e inclusive ameaçado policiais no momento da prisão."Eu não quero apenas pedir desculpas", Gibson disse. "Eu gostaria de dar um passo adiante e me encontrar com líderes das comunidades judaicas para que juntos encontremos um caminho apropriado para curar as feridas", sugeriu o ator.É o segundo pedido de desculpas de GibsonEm seu segundo pedido de desculpas desde que foi preso, Gibson comentou sobre seu tratamento contra o alcoolismo e pediu à comunidade judaica "a quem ele ofendeu pessoalmente", para ajudá-lo nesse esforço. "Não há desculpas, nem deveria haver tolerância para alguém que pense ou expresse qualquer tipo de anti-semitismo", disse Gibson. "Mas, por favor, saibam que do fundo do meu coração eu não sou um anti-semita. Não sou invejoso. Qualquer tipo de ódio vai contra a minha fé", afirmou."Devo assumir a responsabilidade por minhas palavras e pedir desculpas diretamente àqueles que ficaram magoados e ofendidos por essas palavras", ressaltou o ator, que finalizou seu comunicado dizendo que suas palavras não tinha relação apenas com a prisão em s. "Isso não tem nada a ver com um filme ou uma licença artística, mas diz respeito à vida real e ao reconhecimento das conseqüências dolorosas que as palavras podem ter".O ator disse saber que há muitas pessoas da comunidade judaica que não querem mais nada com ele, mas ele reza para que as portas não se fechem para ele para sempre". Disse ainda, "devo assumir a responsabilidade por minhas palavras e pedir desculpas àqueles que ficaram ofendidos com elas". Afirmou ainda que foram ditas em um momento de insanidade.O comentários anti-semitas do atorO site de entretenimento TMZ postou os supostos comentários anti-semitas feitos por Gibson quando foi preso. De acordo com o site, o ator teria dito: "Os judeus são responsáveis por todas as guerras que já aconteceram no mundo" e então teria perguntado para o policial James Mee "você é judeu?". O policial James Mee, que prendeu Gibson, disse à AP que considerava sua prisão um ato rotineiro, e que não levaria quaisquer comentários feitos pelo ator à sério. Gibson inicia tratamento após declaraçõesOntem, o agente do ator Mel Gibson, Alan Nierob, disse que o ator procurou tratamento para a sua batalha contra o álcool, ao site sobre show business da rede CBS americana, sem especificar o nome da clínica onde o ator estaria internado.Segundo informou a polícia, o nível de álcool no sangue de Gibson no momento de sua detenção às 2h36 da última sexta-feira em Malibu, nos Estados Unidos, era de 0,12%, quando o limite legal é de 0,08%. Ele dirigia seu Lexus LS, onde foi encontrada uma garrafa de tequila, a mais de 140 quilômetros por hora, em um local onde o limite de velocidade era de 72 quilômetros por hora.Gibson que é ator e diretor de cinema, ganhou um Oscar por Coração Valente (1995). O ator estrelou filmes como Máquina Mortífera, Mad Max, Do que as Mulheres Gostam e Homem Sem Rosto, entre outros. O último filme que dirigiu foi o polêmico A Paixão do Cristo (2004), que causou polêmica com grupos religiosos, especialmente os judeus. Atualmente conclui as filmagens de Apocalypto, produção que é rodada em dialeto maio e que deve ser lançada em dezembro, produzido pelos estúdios Walt Disney. ABC cancela produção; Disney mantémA rede de televisão ABC cancelou hoje a parceria com a empresa de Gibson para produzir uma minissérie sobre o holocausto. Já quanto à Disney, segundo o blog de Kim Masters, no site da revista Slate, o diretor de marketing que se tornou o novo presidente dos estúdios Disney Oren Aviv, de origem judaica, disse que "ele está preparado para perdoar a esquecer".Apesar da prisão de Gibson em Malibu, Apocalypto deve ser lançado em 8 de dezembro nos Estados Unidos. Antiga polêmica com os judeusTambém não é a primeira vez que Mel Gibson cria polêmica com os judeus. O filme dirigido por ele em 2004, A Paixão de Cristo, que relata as 12 últimas horas da vida de Cristo, gerou protestos dos judeus contra a versão da morte de Cristo proposta pelo filme, ao colocar a culpa pela crucificação de Cristo nos judeus e não nos romanos, incentivando um sentimento anti-semita.Nos Estados Unidos, dois importantes líderes judeus, o rabino Marvin Hier, reitor do Centro Simon Wiesenthal, e Abraham Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação, pediram a retirada de uma cena em que o líder judeu Caiaphas chama uma maldição para o povo judeu declarando, sobre a crucificação: ?Que seu sangue caia sobre nós e nossas crianças.? No Evangelho de São Mateus, essa frase é creditada a uma multidão de judeus pedindo a morte de Cristo, mas foi repudiada pelo segundo Concílio do Vaticano, em 1965. Gibson, que pratica uma forma tradicionalista do catolicismo romano, não reconhece as reformas feitas na década de 60. Gibson não retirou a cena, mas a legenda que traduzia o aramaico, idioma falado no filme.

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