Gibson não teve tratamento especial, diz chefe de polícia

O chefe de polícia do condado de Los Angeles Lee Baca defendeu a maneira como seu departamento prendeu Mel Gibson por dirigir alcoolizado e rechaçou as afirmações de que seus agentes tentaram encobrir suas declarações anti-semitas."São completamente falsas", disse Baca à AP, referindo-se às denúncias. "O policial do distrito verifica claramente em sua declaração todas as evidências, incluindo os comentários inapropriados, os comentários racistas e anti-semitas, incluindo um vídeo e uma gravação sonora".O ator e diretor de cinema Mel Gibson, premiado com um Oscar por Coração Valente, em 1995, foi acusado formalmente nesta quarta-feira de dirigir embriagado, ter um nível elevado de álcool no sangue e possuir uma garrafa de bebida alcoólica aberta em seu carro.As acusações foram feitas cinco dias após ele ter sido preso em uma estrada de Malibu por excesso de velocidade e no momento da prisão ter feito declarações anti-semitas que danificaram sua imagem pública.Baca disse que as denúncias de encobrimento de provas eram "absurdas". "É um absurdo. Absurdo... A imprensa deveria prestar mais atenção aos fatos e não às opiniões", disse Baca. Segundo ele, Gibson, que ajudou uma organização beneficente ligada á polícia, não recebeu nenhum tratamento especial.Se for declarado culpado Gibson pode pegar até seis meses de prisão. Sem dúvida, os motoristas que cometem o delito de dirigir embriagados pela primeira vez geralmente enfrentam uma pena mínima. O juiz deverá determinar se o ator cumprirá alguma pena.Segundo um agente de segurança que pediu para não ser identificado, o informe da polícia indicou que Gibson disse ao agente que o prendeu que "os judeus são responsáveis por todas as guerras do mundo", e perguntou a ele: "você é judeu?"Polêmica com comunidade judaicaEssas declarações tornaram o incidente ainda mais grave, causando veementes protestos da comunidade judaica. O próprio ator reconheceu seu erro e se desculpou duas vezes publicamente pelo ocorrido. A fama de anti-semita persegue Gibson desde 2004, quando dirigiu A Paixão de Cristo, que incomodou os judeus por mostrar que eles se sentiram injustamente retratados pelo seu papel na morte de Jesus. O fato assumiu maiores proporções após uma entrevista concedida pelo pai de Gibson, que disse que o Holocausto era uma ficção.O incidenteSegundo informou a polícia, o nível de álcool no sangue de Gibson no momento de sua detenção às 2h36 da última sexta-feira em Malibu, nos Estados Unidos, era de 0,12%, quando o limite legal é de 0,08%. Ele dirigia seu Lexus LS, onde foi encontrada uma garrafa de tequila, a mais de 140 quilômetros por hora, em um local onde o limite de velocidade era de 72 quilômetros por hora.É a segunda vez que Gibson é preso por dirigir sob efeitos do álcool. A primeira foi na década de 90, no Canadá, quando o ator rodava com Diane Keaton o filme "Mrs Soffell - Um Amor Proibido".Gibson que é ator e diretor de cinema, ganhou um Oscar por Coração Valente (1995). O ator estrelou filmes como Máquina Mortífera, Mad Max, Do que as Mulheres Gostam e Homem Sem Rosto, entre outros. O último filme que dirigiu foi A Paixão do Cristo (2004). Atualmente conclui as filmagens de Apocalypto, produção que é rodada em dialeto maio.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 19h16

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