Ghobadi repete feito na Mostra de SP

No original, o título é muito maisbonito: "Cantos do País da Minha Mãe". Tem mais a ver comTempo de Embebedar Cavalos, o filme anterior do diretoriraniano Bahman Ghobadi, que também ganhou o troféu BandeiraPaulista (e trata da cultura curda). Mas foi com o títulotrocado para Exílio no Iraque que "Cantos" passou na 26.ªmostra (vitorioso do prêmio do júri).Um cantor curdo parte com os dois filhos em busca daex-companheira que vive, agora, no Iraque. O povo curdo cantapara mitigar sua dor enquanto caem as bombas de Saddam Hussein.A primeira parte do filme lembra os vastos retratos da guerrafeitos por Emir Kusturica. É meio caótica (confusa?) e o diretornão se revela muito à vontade no humor. A partir da lição sobreo avião, Cantos melhora e faz a ponte com a densidade etragédia de Tempo de Embebedar Cavalos.Ghobadi esteve em São Paulo na primeira semana damostra. Disse que fez o filme de forma clandestina, entrando esaindo do Iraque todos os dias, com uma equipe reduzida. Essaequipe era formada por jovens curdos que, mais do que tudo,querem fazer cinema. "Há hoje uma necessidade do povo curdo defilmar para contar sua história", ele disse. Contou o caso deum taxista que vendeu seu carro para comprar uma câmera usada ehoje filma tudo o que pode, do jeito que pode, para documentar odrama de seu povo. Os curdos odeiam Saddam Hussein, informaGhobadi. Valeria tudo, até apoiar Bush, para derrubá-lo.

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