Gérard Depardieu volta às telonas em 'Quando Estou Amando'

Filme de Xavier Giannoli aborda universo dos salões de danças por meio de um cantor que se apaixona por jovem

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 de julho de 2031 | 17h07

Nos últimos anos, Gérard Depardieu tem se dedicado tanto às suas vindimas que Guillaume, o filho com quem ele não mantém as melhores relações, assumiu a defesa do bom nome da família na arte da representação. Guillaume revelou-se um grande ator em Ne Touchez Pas la Hache, que Jacques Rivette, um dos autores mais importantes do cinema francês, adaptou de A Duquesa de Langeais, de Balzac. Mas volta e meia Gérard Depardieu volta à cena para que ninguém se esqueça do ator maravilhoso que é. Isso ocorre agora em Quando Estou Amando (Quand J’Étais Chanteur), de Xavier Giannoli, e voltará a ocorrer na semana que vem, quando estrear Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos, no qual ele volta à pele do gordo companheiro do ‘gaulois’ criado pela dupla Uderzo e Goscinny.  Veja também:Trailer de 'Quando Estou Amando'    Há dois anos, nove entre dez críticos eram capazes de apostar que Gérard Depardieu ganharia o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes por seu papel no filme de Giannoli. No final, quem levou o troféu foi Tommy Lee Jones, por Três Enterros, mas o retrato que o ator faz de um cantor de baile veio marcar pontos em seu currículo extraordinário, que inclui filmes com François Truffaut, Maurice Pialat e Bertrand Blier. Como Chega de Saudade, de Laís Bodanzky, Quando Estou Amando aborda o universo dos salões de danças por meio desse velho cantor, um tanto fora de forma (física), que se apaixona por uma jovem divorciada enquanto recicla clássicos do cancioneiro romântico - que o próprio Depardieu canta. São 14 canções e algumas delas você vai reconhecer como hits de Julio Iglesias. "A idéia de Xavier era resgatar canções que geram sentimentos e que nos permitem encontrar nossas verdades individuais", disse o ator num encontro com um pequeno grupo de jornalistas promovido no estande da Unifrance. Ele admite que o cinema não é mais sua prioridade, e talvez nunca tenha sido, porque mais importante é viver. Mas o cinema pode ajudar no processo. "O personagem tem humanidade, é autêntico e isso universaliza sua história. Acho que é um personagem que pode falar às platéias de todo o mundo." Depardieu diz que foi gostoso cantar. "Xavier permitiu que eu participasse da escolha das canções. Favoreci as que sabia que conseguiria cantar. Mais do que a técnica, o que importa, no caso de Alain - o personagem - é a emoção. " Nada de som nem de fúria, apenas uma história simples. Mas é preciso desconfiar dessa simplicidade e não confundi-la com pobreza. Há exatamente dez anos, em 1998, Xavier Giannoli ganhou a Palma de Ouro do curta-metragem, em Cannes, por A Entrevista. Passaram-se oito anos antes de que ele voltasse a Cannes com seu primeiro longa. "Xavier é amigo de Christophe. Eram vizinhos e viram seus primeiros filmes juntos. Paradis Perdus foi um choque para ele, com seu cantor de terno branco. Veio daí a atração pela figura do cantor. Xavier fez uma extensa pesquisa para construir Alain. A origem deste filme é quase documentária, de tal maneira ele procurou se documentar sobre os personagens e os ambientes. Xavier foi a salões de bailes de periferia, de terceira idade. Entrevistou o público, cantores. Um deles o impressionou particularmente, Alain Chanone. Foi o modelo para Alain e Xavier o incluiu no elenco, como meu adversário", conta Depardieu. E o ator continua - "Seria um risco muito fácil cair no patetismo, mas Xavier conseguiu evitá-lo. Seu filme não é sobre um fracassado que queria ser astro e agora canta em salões decadentes. Foi justamente o que me atraiu em Quando Estou Amando. Alain quer agradar a seu público, quer agradar à mulher por quem está apaixonado (interpretada por Cécile de France, que Mathieu Amalric leva ao salão). Mas ele quer agradar a todos sem abrir mão da própria identidade. Acho que é uma bela definição do papel do artista. O tema de Quando Estou Amando é a dignidade", diz o ator. Para a colega de elenco, Cécile de France, ele não poupa elogios. "Cecile é bela, delicada, mas possui muita força interior. Quanto mais os diretores perceberem isso, mais papéis importantes vão lhe dar."

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