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Geraldine Chaplin equilibra razão e sensibilidade no Ceará

Atriz humaniza o seu personagem em ‘Dólares de Areia’, exibido no Cine Ceará, que toca em tema delicado, turismo sexual

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 19h16

FORTALEZA - Com a exibição de Dólares de Areia, de Laura Guzman e Israel Cardenas, o Cine Ceará trouxe à tela do Theatro José de Alencar a realidade do turismo sexual na República Dominicana. O filme tem como protagonista a atriz Geraldine Chaplin, e também um casal de atores “naturais” do local, Ricardo Ariel Toribio e Yanel Mojica. Toribio, de 21 anos, veio ao Ceará representar o filme e encantou a todos com sua simplicidade, em especial ao contar que era a primeira vez que deixava seu país. 

Geraldine faz a turista lésbica que se apaixona pela garota interpretada por Yanel. A moça namora um tipo que também a explora (Toribio) e decidem aproveitar-se do dinheiro da velha estrangeira apaixonada. A quem sempre se referem como “la vieja”. 

O filme tem qualidades, em especial pela ambivalência com que os atores assumem seus personagens como seres com vida própria. Há esse evidente desejo de exploração da turista endinheirada. Porém, nunca se sabe até que ponto a própria garota pode estar amorosamente envolvida com ela. O casal jovem também mantém essa ambiguidade. Claro que há uma relação mais óbvia, que é a de um cafetão com a prostituta que ele explora. Ao mesmo tempo, existe entre eles um relacionamento afetivo, o desejo de uma vida estabilizada, a vontade de ter uma família “normal”. 

Por outro lado, a cor local é bastante expressiva, já a partir das primeiras cenas, com um cantor popular se apresentando em um bar noturno no qual as personagens começarão a se definir ao espectador. E, claro, ao lado do frescor dos dois atores estreantes, brilha o talento de Geraldine Chaplin, capaz de humanizar uma personagem que, de outra forma, poderia submergir no ridículo. 

Curtas. Os dois curtas apresentados foram interessantes, para dizer o mínimo. Guida, de Rosana Urbes, usa técnicas de animação tradicionais para contar a história de uma senhora idosa, que vive entre uma realidade cinzenta e sua vida de fantasia. Bonito traço e aquarelas inspiradas fazem a base da animação. “Trabalhei com mais de 8 mil desenhos para fazer este filme”, explicou a diretora. Foi recompensada. O curta já foi selecionado para cerca de 50 festivais pelo mundo e faturou 17 prêmios até agora.

Se, de Ian Capillé, era para ser apenas um trabalho de formatura na faculdade e ganhou vida própria. Tomou forma de um diário íntimo filmado, que fala das memórias da infância e das dificuldades e aspirações do presente. A fonte de inspiração de Capillé não poderia ser mais adequada: o cineasta David Perlov (1930-2003), nascido no Rio e morto em Israel, que filmou sua obra em forma de registro do cotidiano (seus Diários foram lançados em edição do Instituto Moreira Salles). 

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