George Lucas abre evento sobre avanços no cinema

O diretor George Lucas inaugurou nesta segunda-feira, em Los Angeles, a 32.ª edição do Siggraph, a maior convenção sobre os avanços técnicos em um cinema cada vez mais digital, desde efeitos especiais até distribuição. Trata-se da maior união de tudo o que se pode criar em uma tela de computador, um campo cujo crescimento na última década foi vertiginoso. Isto será mostrado pelos 30.000 profissionais que até quinta-feira passarão pelo Centro de Convenções de Los Angeles para esta mostra anual. Ali estarão os trechos dos filmes mais esperados onde estes avanços ficam demonstrados, King Kong, The Chronicles of Narnia, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Guerra dos Mundos, Star Wars III - A Vingança dos Sith, Sin City e outros. Durante anos, a revolução digital permitiu que os profissionais alcançassem duas de suas três metas resumidas como "bom, rápido e barato". Agora, nenhum destes fatores tem por que ficar de fora da equação, graças às novas técnicas apresentadas no mercado. Segundo Steve Sullivan, do departamento de pesquisa dos estúdios ILM (de George Lucas), todos os últimos avanços ficam claros em Guerra do Mundos. O filme de Steven Spielberg utiliza as últimas versões do programa Maya de Alias, que consegue acelerar o processo básico para gerar imagens por computador. O sistema para reproduzir movimentos de câmara em um ambiente gerado por computador Zenviro também simplificou o processo, como mostra Star Wars III - A Vingança dos Sith, e a CloneCam, usada em Lemony Sniket mudou as técnicas para transformar um ator em uma imagem digital que possa ser manipulada. O chefe de tecnologia dos estúdios DreamWorks, Andy Hendrick, afirma que se trata de uma busca contínua para melhorar a captura digital de objetos reais, a criação de ambientes sintéticos e o perfeito ajuste entre ambos os mundos. Tudo isto com a melhor qualidade, mas da forma mais rápida e também mais econômica. "Desde Gollum sabemos que é possível gerar personagens críveis por computador", disse Hendrick, em referência ao protagonista da trilogia de O Senhor dos Anéis. "Mas continua sendo um trabalho difícil e demorado", ressaltou. No outro extremo digital da indústria, a distribuição e exibição do filme em salas, o processo também foi difícil. Os participantes do Siggraph comemoraram o anúncio feito na semana passada, que confirma um acordo sobre as especificações técnicas para a distribuição e exibição usando um sistema digital de alta definição. O acordo põe fim a três anos de negociações entre os principais estúdios, exibidores e diferentes representantes de empresas técnicas, como a Kodak e a Technicolor, e representa a prova de fogo para o cinema digital. Este é o sonho de todos os profissionais no Siggraph, que se esforçam para oferecer a melhor qualidade nos efeitos digitais, que depois são prejudicados no processo transferência de arquivos de imagem de alta definição para película. Ao saber da notícia, George Lucas disse que trata-se de um "gigantesco salto", não apenas para a indústria, mas "para qualquer um que vá ao cinema", que agora poderá ver os filmes com a mesma qualidade que seus criadores. Um salto que também será "trabalhoso e levará tempo" já que, por enquanto, só há 300 telas de alta definição no mundo todo, e tanto os estúdios como os exibidores continuam discutindo quem terá que pagar a remodelação nos cinemas.

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