George Clooney reclama de sua imagem sexy

Quando filmou Solaris, em 1972, o diretor russo Andrei Tarkovski não podia imaginar que, mais de trinta anos depois, o drama filosófico ainda levantaria polêmica. Muito menos que o motivo do estardalhaço seria o traseiro de George Clooney. Eleito várias vezes pela revista People como o homem mais sexy do showbiz, o astro rodou nu duas cenas na refilmagem de Solaris, que estreou nos cinemas brasileiros no fim de semana. "Nunca pensei que a minha bunda pudesse dar tanto o que falar", brincou o ator, de 41 anos.Apesar do tom sombrio do remake, calcado no aspecto emocional da perda de pessoas queridas, a mídia americana só faltou vender a produção como erótica durante o seu lançamento nos EUA, em novembro último. ?Eles banalizaram o trabalho sério que nós fizemos, confirmando como é difícil lançar um filme de arte em solo norte-americano?, afirmou Clooney, encarregado de interpretar o dr. Chris Klein, um psicólogo enviado à estação espacial onde ocorrem fatos inexplicáveis. Lá, ele reencontra a mulher (Natascha McElhone), morta alguns anos antes por overdose. Freqüentemente requisitado para viver homens sedutores e determinados, Clooney agarrou a chance de encarnar um tipo soturno e melancólico. ?Estava cansado dos personagens muito seguros de si. Alguns deles estupidamente autoconfiantes?, disse o ator, que volta a ser dirigido por Steven Soderbergh (depois de Irresistível Paixão e Onze Homens e um Segredo). Desde que chamou a atenção de Hollywood no papel do dr. Ross do seriado Plantão Médico, o ator soma mais de 20 longas-metragens no currículo. ?Com tantas ofertas, eu me sinto como um garoto diante de caixa de brinquedos.? Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Agência Estado em Nova York. Agência Estado - Depois de Solaris, arriscaria tirar a roupa de novo em cena?George Clooney - Sim. Não posso me deixar intimidar pela marcação da mídia. Faz parte do negócio. Como lutei para chegar aqui, conquistando finalmente o meu espaço, não posso reclamar agora. Fico muito frustrado com o apetite da mídia, que passa por cima da arte e faz sensacionalismo na ânsia de conquistar mais leitores e espectadores. Mas não posso fazer nada a respeito. Se é o preço a pagar, eu pago. O que importa é ter todas essas oportunidades profissionais.Encararia a fama de outra forma, caso tivesse conhecido o sucesso aos 20 anos, por exemplo?Eu me sinto privilegiado por ter alcançado a popularidade aos 33 anos, após passar 15 anos trabalhando duramente na TV. Por já ser um homem maduro, nunca deixei o sucesso subir à cabeça e nunca perdi a noção de quem sou. Até porque aprendi na minha família que a fama é passageira. Minha tia (Rosemary Clooney, cantora de jazz nos anos 50) deixou de ser famosa de um dia para o outro, sem que tivesse perdido o talento. Você simplesmente é deixado de lado. Um dia certamente acontecerá comigo.Assim acabará se livrando da imagem de mulherengo que a mídia faz de você... Que culpa eu tenho de continuar solteiro? (risos). Ser solteiro em Hollywood automaticamente faz de você um mulherengo. Não acredite, porém, em todas as histórias que você ouve. Não saí com metade das mulheres com quem a mídia me associou nos últimos anos. Não encontraria tempo para tantas aventuras (risos).Seu personagem em Solaris quer, a todo custo, uma segunda chance com a mulher para corrigir os erros. Mesmo sabendo que ela está morta. Por algum motivo, já quis voltar no tempo para refazer alguma coisa?Para começar, queria refazer Batman e Robin (risos). Por outro lado, estou vivendo a minha melhor fase profissional e pessoal. Às vezes penso que não estaria aqui, se não tivesse cometido os erros no passado. Então prefiro não me atormentar com essa idéia. Não mudaria nada.Solaris marca a sua terceira colaboração com Steven Soderbergh. Ele ainda vai dirigi-lo em "Ocean?s Twelve", além de ser seu sócio na produtora Section Eight. O que mais os aproximou? Têm a mesma visão de cinema?Sim. Nós temos a mesma sensibilidade cinematográfica. Procuramos fugir do mainstream tradicional, contando histórias que Hollywood não quer financiar. A nossa produtora também é responsável por Insônia, Longe do Paraíso e Welcome to Collinwood. Por conta da nossa afinidade, ainda devo confessar que roubei algumas coisas de Steven na minha estréia na direção (em Confissões de uma Mente Perigosa, que estréia no Brasil em 2 de maio). Como a experiência como diretor mudou a sua percepção do trabalho como ator?Atores geralmente só se preocupam com o próprio umbigo. Ou seja, com o seu personagem. Como o diretor quer que a cena funcione no conjunto, eu passei a ter uma visão mais geral do processo. Deixei de ser egocêntrico como ator (risos). Como recebeu o fracasso de Solaris nas bilheterias americanas?Desde o início do projeto, sabíamos que o filme polarizaria as opiniões. Isso porque nós ultrapassamos alguns limites deliberadamente. Mas a crítica gostou. Espero que um dia os espectadores reconsiderem, percebendo que a produção tem personalidade. Há ainda uma esperança de que o filme seja bem-sucedido no mercado internacional, onde esperamos que o meu traseiro não ofusque a história de novo.Você reclamou da atenção exagerada que o seu traseiro ganhou em Solaris. No entanto, fez o mesmo com o ator Sam Rockwell, que você dirigiu em uma cena de nudez em "Confissões".Foi idéia dele (risos). De tão sensibilizado com o meu drama, Sam se ofereceu para fazer o mesmo sob a minha direção.Só que ele não conseguiu a mesma visibilidade...A bunda de Sam é melhor. Só que a minha é mais famosa (risos).

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