George Clooney fala de seu novo filme

O ator George Clooney disse que seu filme mais recente é um pedido de atenção ao público de hoje sobre os abusos que podem ser cometidos contra as liberdades civis em nome do patriotismo, como ocorreu no meio do século 20, com o Macartismo.O filme que estréia em breve Good Night, and Good Luck, que Clooney dirigiu e também foi co-roteirista, conta sobre o comentarista da cadeia CBS Edward R. Murrow na época em que o senador Joseph McCarthy liderou uma campanha contra os comunstas nos Estados Unidos.Em uma entrevista para a The Associated Press, Clooney disse que esses conflitos políticos da década de 1950 ressurgiram de alguma forma na atualidade nos Estados Unidos, só que agora osinimigos são os "terroristas"."Pensei que era um bom momento para debater o assunto novamente, sobre o governo usando o medo para barrar as liberdades civis, algo que se passa a cada 30 ou 40 anos", disse Clooney, que tem um dos papéis protagonistas do filme como FredFriendly, produtor do jornalista Murrow.Se na atualidade alguém faz uma pergunta incômoda ao governo sobre os ataques terroristas de 2001, ou a guerra no Iraque, então"de algum modo você é antipatriótico", acrescentou. "Este governo, graças aos ataques de 11 de setembro, recebeu um "passe" para que a imprensa não lhe fizesse as perguntas difíceis", disse Clooney. "O primeiro presidente Bush não o teve, Clinton certamente não, Carter também não e Ford tampouco"."Isso diminuiu um pouco agora", disse o ator e diretor de cinema de 44 anos. "Não somente devido à crescente impopularidade da guerra, mas também porque como país, sempre que há momentos de medo, reagimos um pouco demais. Por exemplo, ocorre o ataque a Pearl e então prendemos todos os japoneses que vivem nos EUA e os colocamos em acampamentos. Reagimos com pânico, sempre o fazemos, até recuperarmos a candura depois".Clooney, ex-protagonista do programa de televisão ER (Plantão Médico), que teve papéis estelares em filmes como Onze Homens e um Segredo, Irresistível Paixão, Mar em Fúria, entre outros, disse que não espera grande bilheteria para o filme que custou US$ 7,5 milhões de dólares.Grant Heslov (co-autor do roteiro e intérprete de Don Hewitt, que seria o criador do programa 60Minutes), disse esperar que a gente tenha a oportunidade dever um pouco de história do país, em especial porque só 20%do público nas projeções de pré-estréia disseram que tinham ouvido falar de e apenas 40%, sabiam quem era McCarthy ou o Macartismo."Agora o Macartismo é como uma palavra a mais no dicionário", disse Helov. "Não me surpreende, mas é algo triste e me dá um pouco de medo".O filme em preto-e-branco estréia de maneira limitada nos Estados Unidos na sexta-feira e o lançamento oficial será em 14 de outubro.

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