George Clooney, estrela da Berlinale

George Clooney foi a estrela do dia no 56.º Festival Internacional de Cinema de Berlim. E exibição fora de concurso do "thriller" político Syriana, Stephen Gaghan, pelo qual Clooney concorre ao Oscar de melhor ator coadjuvante, ofuscou sem dificuldades os filmes da competição do dia: o dinamarquês En Soap e o austríaco Slumming.Clooney acredita que sua obrigação, como artista e cidadão, éfazer filmes críticos como Boa Noite e Boa Sorte e Syriana,assinado por seu amigo Stephen Gaghan. A política sempre fezparte de sua vida. "Meu pai foi comentarista político; minha mãefoi prefeita." Mas ele nega que pretenda se candidatar a algumcargo público. "Só quero usar a minha força como celebridadepara estimular as pessoas a pensarem."Clooney disse tudo isso hoje, em Berlim, durante acoletiva de imprensa, após a exibição de Syriana. Admitiu quenão foi fácil conseguir patrocínio para um filme de perfil tãoparticular. "Tem mais de cem papéis com diálogos, foi filmado emcinco continentes, critica a política externa americana e nãotem chance de virar um grande sucesso de bilheteria." Ele acha que as indicações para o Oscar dão exposição aSyriana e a Boa Noite e Boa Sorte e são importantes, mas nãotem muita expectativa em relação à premiação da Academia deHollywood. "Vamos perder", diz. O diretor Gaghan concorda comele. "Talvez, se tivéssemos feito dos nossos mocinhos caubóis..." Clooney deixa a frase no ar, numa referência humorada a OSegredo de Brokeback Mountain. Syriana, escrito e dirigido por Stephen Gaghan (Oscar de melhor roteiro por Traffic, dirigido por Steven Soderbergh), denuncia o aparelho político-judicial nos EUA, em cumplicidade com a CIA e os consórcios petroleiros, e como tais ligações favorecem o extremismo Islâmico. Faz uma viagem pela política internacional, que vai de Teerã e Beirute aos Emirados, passando por Marbella, Washington, um rancho texano e um acampamento onde um rapaz paquistanês é expulso do Golfo Pérsico e começa a visitar uma escola muçulmana, sem esquecer o impacto do poderio chinês.Os filmes da mostra competitivaPor via das dúvidas, para lembrar quem são os destaques do dia, oprograma da mostra competitiva deixou claro: a estreantedinamarquesa Pernille Fischer Christensen, com "En Soap", e oaustríaco Michael Glawogger, com "Slumming"."Busquei o contraste entre o autêntico e a série televisiva. Meusprofessores são John Cassavetes e Douglas Sirk", disse a diretorasobre seu primeiro longa-metragem, recebido no Festival de Berlimcomo a inevitável contribuição do cinema de baixo orçamento quedesperta ternura. O argumento lembra os primeiros filmes de Pedro Almodóvar: umamulher deixa o namorado e se torna vizinha de um transexual. Umaporta que não fecha bem e o cachorrinho do transexual unem o novoCasal. O filme explora vários conflitos de identidade, até que otransexual bate no ex-namorado de sua vizinha lhe mostrando a medidaexata das coisas: apesar das dúvidas em relação ao seu sexo,continua sendo um homem. O filme austríaco Slumming conta a história de um rapaz (AugustDiehl), que por ser atraente e rico se sente no direito de circularpor zonas de meretrício, e um mendigo alcoólatra (Paulus Manker) quevaga por estações aos gritos, batendo em turistas e crianças. O primeiro se diverte fotografando a vagina das meninas queseduz, o segundo bebe demais e de vez em quando dá algum dinheiro asua namorada. O primeiro acaba em Jacarta, na busca de subúrbios mais marginaisque os austríacos; o segundo amanhece um dia em uma estação tcheca,após uma viagem no porta-malas do rapaz. O filme dinamarquês é pouco instigante, e o austríaco confirmouque o propósito da direção era a exibição de Clooney e ninguém mais.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2006 | 18h47

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