George Clooney dirige primeiro filme

George Clooney está no meio do que chama de "depressão maciça." E seu último filme não fracassou e nenhum tablóide está falando sobre sua vida. Ele está apenas montando Confessions of a Dangerous Mind, filme sobre o apresentador Chuck Barris, do Gong Show. É seu primeiro filme como diretor e ele teve de cortar uma de suas cenas favoritas. Agora, ele não sabe se a história vai se manter. O filme deve estrear no Natal. "O jeito de contar histórias tem de ser visto de outra perspectiva, com um olhar diferente. Posso mandar tudo pelos ares, mas às vezes você quer dizer ´uito bem, deixem-me fazer como quero. Se vou fazer isso, vai ficar assim". Esse impulso, com as frustrações e possibilidades, não é só de Clooney, que é apenas um dos atores famosos que foram para trás das câmaras. Entre os que estão para fazer seus primeiros filmes há Nicolas Cage, Denzel Washington, Jennifer Jason Leigh, Bill Paxton, Ethan Hawke, Salma Hayek, Matt Dillon e John Malkovich. Para alguns, é algo planejado, para outros, como Clooney, é quase um acidente, um caso de usar seu poder para conseguir fazer um projeto difícil. Em certo ponto, dirigir é uma progressão lógica para atores que querem a oportunidade de contar uma história ao seu modo. Eles olham para a qualidade dos filmes sendo feitos hoje e acreditam que podem fazer melhor. Muitos atores fizeram essa transição. Charles Chaplin, Buster Keaton e Orson Welles, para citar apenas três dos mais importantes. Depois vieram Burt Lancaster, Paul Newman, Warren Beatty, John Wayne e Robert Redford, que chegou a ganhar um Oscar por Gente como a Gente. Nos últimos anos isso está cada vez mais comum. Vários atores premiados - Mel Gibson (Coração Valente, de 1995), Kevin Costner (Dança com Lobos, de 1990) e Clint Eastwood (Os Imperdoáveis, de 1992) ganharam Oscars de direção. E não são só astros top que fazem filmes. Jennifer Jason Leigh e Alan Cumming conseguiram US$ 3 milhões para fazer A Festa de Aniversário porque podiam contar com um elenco de amigos como Kevin Kline e Gwyneth Paltrow. George Clooney não tinha um desejo de dirigir. O que aconteceu é que Confessions of a Dangerous Mind significava muito para ele. "Me pareceu que nunca seria feito e há tão poucos bons roteiros por aí. Preferia fazer Confessions do que um filme como A Senha". Clooney concordou em receber menos e interpretar um papel de coadjuvante como um agente da CIA. Além disso, trouxe as amigas Julia Roberts e Drew Barrymore. Isso convenceu o chefão da Miramax Harvey Weinstein a colocar US$ 30 milhões no filme, desde que o sócio de Clooney, Steven Soderbergh, entrasse como produtor executivo e, em caso de desastre, assumisse como diretor. Clooney entende porque os atores se sentem mais estimulados a dirigir para proteger seu trabalho. Atores bons como Denzel Washington estão se envolvendo em filmes ruins como John Q. Nicolas Cage tem o mesmo pensamento. Ele estava avaliando o que fazer, quando pensou: "Bom, talvez eu devesse tentar dirigir". Atores-diretores geralmente têm uma melhor compreensão do ofício, mas sempre há o perigo de estarem centrados demais nas interpretações. Clooney, quando está interpretando um papel, entende que o diretor está tentando manipulá-lo para conseguir o que quer. Em troca, ele manipula o diretor para conseguir o que quer. É um dar e receber. Mas, como diretor, Clooney estava pouco à vontade para esse tipo de dança. "É diferente, quando você é o diretor, pois tem de negociar com cada ator". Embora fale entusiasticamente sobre sua experiência diretorial, Clooney está absorvido demais na montagem do para saber se vai tentar outra vez. "Não sei se sou bom nisso", diz. "Mas sei que se você é um ator que consegue fazer os filmes, e há poucos de nós, você tem de se concentrar em tentar fazer filmes cada vez melhores. E é o que estou tentando fazer. Posso fracassar, mas pelo menos os sucessos e fracassos serão meus".

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