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Joaquin Phoenix. O desafio de recriar personagem icônico que outros atores consagraram Warner Bros

Genial ou perigoso, só se fala em ‘Coringa’, filme que estreia dia 3 de outubro

Filme estrelado por Joaquin Phoenix estreia mundialmente na quarta-feira, 3 de outubro

Lindsey Bahr, AP

01 de outubro de 2019 | 08h04

Nos 80 anos em que faz parte da cultura popular, o Coringa sempre deu jeito de irritar alguém – seja por seu caráter, seja pelo que ele representa ou até pelas justificativas dos atores sobre o que os levou a fazer papel. Mas desta vez o personagem mexeu com os nervos gerais antes mesmo de estrear nesta quinta, 3 - pré-estreias estão previstas para a quarta, 2.

Os holofotes sobre Coringa (Joker) estão testando limites. O filme sobre o incansável inimigo de Batman vem inspirando artigos a favor e contra. Coringa já está sendo considerado o filme que finalmente dará um Oscar a Joaquin Phoenix, mas também já foi chamado de “perigoso”, “irresponsável” e até “incentivador ao celibato”.

Na semana passada, parentes de vítimas mortas no tiroteio no cinema Aurora em 2012 escreveram ao presidente da Warner Bros. pedindo-lhe que apoie a campanha contra as armas. O estúdio divulgou uma declaração dizendo que o filme não incentivava “nenhum tipo de violência do mundo real”.

O filme teve uma estreia triunfal no Festival de Cinema de Veneza e ganhou o prêmio máximo. E, embora as críticas fossem  na maioria positivas, ele foi também submetido a um duro escrutínio, deixando os realizadores na defensiva.

O diretor e corroteirista Todd Phillips não foge da discussão. “Se preciso, falarei do filme o dia inteiro”, disse ele. Todd apenas gostaria que as pessoas vissem o filme antes de tirar conclusões. “É péssimo quando alguém critica argumentando que ‘não preciso assistir para saber o que é’. Fico atônito ao ver como a extrema esquerda se aproxima da extrema direita quando convém a ela.” A reação negativa antecipada é ainda mais desconcertante para Phillips porque ele esperava e espera que o filme possibilite discussões sobre armas, violência e tratamento dado a pessoas com distúrbios mentais. “É um filme engraçado? Qual é seu impacto sobre a violência no mundo real?”, pergunta o diretor.

O filme mostra como um perturbado homem de meia-idade chamado Arthur Fleck vai aos poucos se tornando o vilão Coringa. Fleck é um palhaço profissional decadente que vive com a mãe em um decrépito apartamento em Gotham e se reporta ocasionalmente a um assistente social. Distribui um cartão às pessoas explicando que suas explosões de riso, incontidas e dolorosas, são consequência de um problema médico. Sua única alegria é assistir à noite ao talk show de Murray Franklin (Robert De Niro).

“Ele é triste e espalha tristeza”, disse Philips. “E sabe o que acontece nos filmes em que o mundo é sem simpatia e sem amor? Você tem o vilão que merece.”

Em Coringa, o ator tem de ir a lugares difíceis e o filme tem complicações adicionais por seu realismo, embora se passe num mundo ficcional. Para fazer Arthur e o Coringa, Phoenix pesquisou pessoas que ele se recusa a mencionar. Também teve de perder 24 quilos numa dieta extremamente baixa em calorias, sob supervisão de um médico. Com o emagrecimento, ele temia que fosse ficar irritadiço, vulnerável, sempre faminto. Em vez disso, a perda de peso levou a uma “fluidez” que ele não previra.

O cenário também é de certo modo fluido e Phoenix disse que ele e Phillips constantemente descobriam novas características no Coringa e em Arthur. “Parecia haver infinitas maneiras de interpretar cada cena e no fim tudo fazia sentido. Em algumas vezes, eu choro, noutras faço piada, noutras me enfureço, mas tudo se completa”, disse ele.

A experiência foi “excitante e surpreendente”, mas fazer Arthur/Coringa também se revelou “complicado e desconfortável” para o ator de 44 anos. Quanto à possibilidade de o público eventualmente usar o personagem como inspiração ou desculpa para seus atos, Phoenix acredita que o ônus cabe a cada um. “O público tem que a descobrir a diferença entre certo e  errado. Não creio que seja responsabilidade do diretor dar lições de moral. Quem não compreender essa diferença poderá se julgar direito de fazer o que bem entender”,  disse Phoenix.

Ele e Phillips frisam que Coringa não é um filme para crianças, nem para todos. “Não espero que todo mundo goste”, disse Phillips. “Se um filme agrada a todos, geralmente é porque não agradou a ninguém.” / Tradução de Roberto Muniz.

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'Coringa' estreia dia 3 de outubro com Joaquin Phoenix entre a dor e a loucura

Ator consegue rivalizar com outros grandes nomes que interpretaram o vilão, de Jack Nicholson a Heath Ledger

Mariane Morisawa, especial para O Estado, e Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 07h00

VENEZA - A seleção de Coringa, de Todd Phillips, para a competição do 76.º Festival de Veneza era um indício de que não se tratava de um filme baseado no universo dos quadrinhos como tantos outros que vêm inundando as salas de cinema. E, de fato, o longa prescinde de grandes cenas de ação e efeitos especiais épicos para se inspirar mais nos dramas de Martin Scorsese dos anos 1970 e 1980. Mas foi com certa surpresa que o Leão de Ouro foi recebido.

Com estreia prevista para 3 de outubro no Brasil, Coringa abriu a venda antecipada de ingressos na quinta, 19. No Festival de Veneza, a presidente do júri, Lucrecia Martel, que está bem longe de fazer cinema comercial, elogiou os riscos que a produção correu e a reflexão que faz dos anti-heróis como vítimas do sistema. Mas Coringa não seria o que é, um filme com capacidade de sacudir Hollywood na direção de mais ousadia, sem a interpretação de Joaquin Phoenix, que não se baseou em nenhuma das versões anteriores – de Cesar Romero, Jack Nicholson ou Heath Ledger e muito menos a de Jared Leto. 

“Sou pouco conectado à indústria do entretenimento”, disse o ator em entrevista exclusiva ao Estado, em Veneza. E jurou não ter ideia da quantidade de fãs que a história tinha. “Começaram a me perguntar da pressão dois dias antes do início das filmagens, e eu disse: ‘Não me digam isso agora!’”, contou. “Era tarde demais, mas no começo eu estava na ignorância completa. Ainda bem.” 

Phoenix ama uma reação forte aos filmes que faz. “Seja qual for”, contou. “A indiferença é que me incomoda.” Às vésperas de completar 45 anos, o ator afirmou categoricamente que não pode, no entanto, levar em conta a opinião de ninguém ao fazer um papel. “Nem a do diretor. Para mim, trata-se de uma exploração e uma experiência pessoais. Faço só para mim.” 

Mas quem é este Coringa? Arthur Fleck é um comediante frustrado que trabalha como homem-placa, vestido de palhaço. Mora com a mãe, que insistia que seu destino era ser feliz e fazer os outros rirem, e depende de remédios para seus problemas de saúde mental – ele tem uma condição que faz com que ria descontroladamente. Sendo pobre e esquisito, Arthur é invisível para a sociedade. Quando alguém o enxerga, é em geral para humilhá-lo. Só que, um dia, ele se vê com o poder nas mãos. 

Este Coringa não tem o jeito brincalhão de Romero, nem é transformado em vilão depois de cair num tanque de substâncias químicas como no caso de Nicholson. Não tem um desejo de ver o circo pegar fogo como o Coringa de Ledger, nem sabe-se lá o que Jared Leto estava fazendo. Arthur às vezes inspira pena. “Gosto que o filme peça ao espectador que pelo menos tenha empatia por alguém que é o vilão e que faz coisas horrendas. Às vezes, rotulamos uma pessoa como má, como se fôssemos incapazes dos mesmos atos.” 

Leia a seguir outros trechos da entrevista:

Você falou de divisão, e as sociedades mundiais parecem muito divididas. Acha que falta vontade de ouvir opiniões contrárias às nossas? 

Sim, claro. Não há muito debate saudável. Eu me lembro dos programas de notícia de antigamente. Hoje, eles são uma competição de quem grita mais alto. Há questões difíceis que precisamos discutir. Mas, se ficarmos gritando uns com os outros, não vai ter solução. Ficamos viciados nisso, dá mais audiência, mas isso está saindo caro. 

Mas mesmo no caso de pessoas que são detestáveis ou simplesmente fazem coisas horríveis?  

É um desafio. O Coringa é uma pessoa complexa. Mas há momentos em que se pode simpatizar com ele, ou pelo menos ter alguma empatia. Mas não se engane: ele é um vilão. Eu o interpretei como um vilão. O Coringa é a própria definição do narcisismo, que é a expectativa de que seus sentimentos devem ser validados pelos outros e que todos precisam prestar atenção porque ele é a pessoa mais importante do mundo. Agora, ele não é político. Só quer adoração. O narcisismo é muito perigoso. 

Hoje que você tem uma vida muito privilegiada consegue manter-se atento à dor dos outros? 

Não quero parecer estar me vangloriando, mas sempre fui muito sensível. Quando leio um jornal, não estou só absorvendo informação, mas vivenciando a vida de alguém e isso me afeta profundamente. Acho que é de mim, nasci assim.

Psicopata

Personagem fictício criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane na DC Comics, o Coringa, ou The Joker, apareceu pela primeira na revista do Batman # 1, de abril de 1940. Rapidamente, tornou-se um dos vilões preferidos do público. No início, era um psicopata, verdadeiro gênio do crime, que utilizava sua habilidade em engenharia química para produzir misturas letais. Mau, muito mau, e aquele sorriso esculpido no rosto fez dele o pesadelo de muitas crianças. No fim da década de 1950, por pressão do Comics Code Authority – o código de censura dos quadrinhos –, converteu-se num bandido bobo e atrapalhado, e como tal foi retratado por Cesar Romero na TV e no cinema, e no Batman de Leslie H. Martinson, com Adam West como o herói mascarado.

Aquele era um Homem-Morcego inocente e o diretor incorporava o humor camp da TV e dos quadrinhos, com direito a balões com as expressões características do herói e seus vilões (além do Coringa, também o Charada, o Pinguim e a Mulher-Gato). Algo muito diferente se passou em 1989, quando Tim Burton fez seu Batman para adultos e que arrebentou na bilheteria. Michael Keaton vestia a armadura, mas o grande personagem era o vilão, Jack Nicholson como o Coringa, embora ambos, na verdade, fossem as duas faces da mesma moeda, dois malucos que perderam todo juízo, têm problemas com as mulheres, os pais e a cidade, e ameaçam destruir o mundo todo. A grande sacada de Burton, e nisso ele fez história, foi não estabelecer fronteiras muito nítidas. Um louco de máscara e capa, outro maquiado, ou será que se pode confiar, como herói, num sujeito que se pendura em telhados e anda com aquela fantasia, bancando o justiceiro, na calada da noite?

Batman surgiu otimista, virou dark durante a Guerra do Vietnã. Comparativamente, o Coringa de Heath Ledger, no filme de Christopher Nolan – O Cavaleiro das Trevas – que lhe valeu, postumamente, o Oscar de melhor ator coadjuvante, em 2008, é mais insano (de volta às origens?) e o de Jared Leto, em Esquadrão Suicida, de 2016, é mais palhaço sem deixar de ser neurótico. Justamente, o Coringa de Jared. Nove entre 10 críticos (11 entre 10?) amam falar mal dele, mas se Jared já não tivesse recebido o Oscar (por Clube de Compras Dallas, de 2014) sua interpretação talvez tivesse sido mais bem entendida, e apreciada. É magnífico. 

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Análise: Coringa é o louco maquiado que sempre rouba a cena

No início, era um psicopata, verdadeiro gênio do crime; passou por bandido bobo e atrapalhado e nas suas últimas encarnações assumiu faces ambíguas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2019 | 16h00

Personagem fictício criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane na DC Comics, o Coringa, ou The Joker, apareceu pela primeira na revista do Batman # 1, de abril de 1940. Rapidamente, tornou-se um dos vilões preferidos do público. No início, era um psicopata, verdadeiro gênio do crime, que utilizava sua habilidade em engenharia química para produzir misturas letais. Mau, muito mau, e aquele sorriso esculpido no rosto fez dele o pesadelo de muitas crianças.

No fim da década de 1950, por pressão do Comics Code Authority – o código de censura dos quadrinhos –, converteu-se num bandido bobo e atrapalhado, e como tal foi retratado por Cesar Romero na TV e no cinema, e no Batman de Leslie H. Martinson, com Adam West como o herói mascarado.

Aquele era um Homem-Morcego inocente e o diretor incorporava o humor camp da TV e dos quadrinhos, com direito a balões com as expressões características do herói e seus vilões (além do Coringa, também o Charada, o Pinguim e a Mulher-Gato).

Algo muito diferente se passou em 1989, quando Tim Burton fez seu Batman para adultos e que arrebentou na bilheteria. Michael Keaton vestia a armadura, mas o grande personagem era o vilão, Jack Nicholson como o Coringa, embora ambos, na verdade, fossem as duas faces da mesma moeda, dois malucos que perderam todo juízo, têm problemas com as mulheres, os pais e a cidade, e ameaçam destruir o mundo todo.

A grande sacada de Burton, e nisso ele fez história, foi não estabelecer fronteiras muito nítidas. Um louco de máscara e capa, outro maquiado, ou será que se pode confiar, como herói, num sujeito que se pendura em telhados e anda com aquela fantasia, bancando o justiceiro, na calada da noite?

Batman surgiu otimista, virou dark durante a Guerra do Vietnã. Comparativamente, o Coringa de Heath Ledger, no filme de Christopher Nolan – O Cavaleiro das Trevas – que lhe valeu, postumamente, o Oscar de melhor ator coadjuvante, em 2008, é mais insano (de volta às origens?) e o de Jared Leto, em Esquadrão Suicida, de 2016, é mais palhaço sem ser deixar de ser neurótico.

Justamente, o Coringa de Jared. Nove entre dez críticos (onze entre dez?) amam falar mal dele, mas se Jared já não tivesse recebido o Oscar (por Clube de Compras Dallas, de 2014) sua interpretação talvez tivesse sido melhor entendida, e apreciada. É magnífico.

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'Coringa' provoca diversas interpretações e debates antes da estreia

Para alguns, filme passa o pano para os 'incels', os homens, em geral brancos e de classe média, que exigem atenção do mundo e das mulheres

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2019 | 16h00

VENEZA — Um dia depois da sessão de gala do Festival de Veneza – e antes, portanto, do Leão de Ouro –, o diretor norte-americano Todd Phillips se disse aliviado, mas ainda ansioso. “Quando se faz uma produção chamada Coringa, há sempre um nível enorme de expectativa”, afirmou. “Mesmo que tenhamos deixado claro que não era um filme de quadrinhos. De jeito nenhum queríamos enganar as pessoas e levar a pensar que era um longa de ação e que o Batman ia aparecer”, completou. Batman de fato não aparece, mas a família Wayne, sim. “Quisemos brincar com o cânone, por exemplo, apresentando Bruce Wayne ainda criança e seu pai, Thomas.” 

É impossível assistir a Coringa sem fazer um paralelo com os dias de hoje. “É um filme humanista, e acho que precisamos de mais desses. Então, se você assiste e vê como um espelho do que está havendo no mundo, certamente nos Estados Unidos e provavelmente no Brasil, não acho ruim”, disse o diretor, mais conhecido pela franquia de comédias Se Beber, Não Case! 

Phillips se disse empolgado com as diversas interpretações do longa-metragem. “Um amigo, por exemplo, achou que o Coringa era o Trump”, contou. “Quero deixar claro que não estou afirmando isso. Eu e o Joaquin (Phoenix) temos certa dificuldade de falar do que o filme trata. Há muitos modos de ver Coringa. E para mim isso é legal, embora seja frustrante para algumas pessoas. É o que tentamos fazer”, falou, referindo-se a poder abrir diversos temas de discussão. 

E eles são muitos, da pressão pela felicidade constante ao abismo entre ricos e pobres, da invisibilidade de tantos que não se encaixam nos moldes à doença mental sem que haja tratamento adequado, e a busca pela fama e pela adoração. 

Antes mesmo de sair de Veneza, o filme, que tem chances de emplacar algumas indicações para o Oscar, foi debatido. Para alguns, Coringa passa o pano para os “incels”, os homens, em geral brancos e de classe média, que exigem atenção do mundo e das mulheres e, se não conseguem, promovem tiroteios em massa. Se o Coringa virar um herói de pessoas assim, não seria a primeira vez. “É uma terrível má interpretação do filme”, explicou Phillips. “Mas pode acontecer e não há como controlar.” 

Elogiado astro do primeiro filme sobre o arqui-inimigo do Batman, Joaquin Phoenix tentar entender a cabeça de pessoas como Arthur Fleck, o comediante perturbado e fracassado que depois se torna o macabro Coringa. “Não deveríamos fazer isso, compreender gente que não compartilha nossos valores e opiniões?”, questionou o ator que foi muito aplaudido após a exibição de Coringa no Festival de Veneza, além de ser unanimemente elogiado pela crítica.

“Quero que as pessoas tenham uma reação visceral, mas certamente não posso ditar como as pessoas vão assistir a um filme”, revelou o astro que emagreceu 23 quilos para viver o personagem sombrio. Como ele afirmou, as discussões são importantes. E reiterou: “O Coringa é um vilão”. 

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Joaquin Phoenix Warner

‘Coringa’ é vivido em toda a sua maldade por Joaquin Phoenix

Recriado por vários atores, personagem clássico dos quadrinhos e do cinema volta às telonas em filme dirigido por Todd Phillips e com participação de Robert De Niro

Mariane Morisawa , Especial para O Estado de S. Paulo

Atualizado

Joaquin Phoenix Warner

VENEZA — A seleção de Coringa, de Todd Phillips, para a competição do 76.º Festival de Veneza era um indício de que não se tratava de um filme baseado no universo dos quadrinhos como tantos outros que vêm inundando as salas de cinema. E, de fato, o longa prescinde de grandes cenas de ação e efeitos especiais épicos para se inspirar mais nos dramas de Martin Scorsese dos anos 1970 e 1980. Mas foi com certa surpresa que o Leão de Ouro foi recebido. 

Com estreia prevista para 3 de outubro no Brasil, Coringa abriu a venda antecipada de ingressos na quinta, 19.

No Festival de Veneza, a presidente do júri, Lucrecia Martel, elogiou os riscos que a produção correu e a reflexão que faz dos anti-heróis como vítimas do sistema. Mas Coringa não seria o que é, um filme com capacidade de sacudir Hollywood na direção de mais ousadia, sem a interpretação de Joaquin Phoenix, que não se baseou em nenhuma das versões anteriores – de Cesar Romero, Jack Nicholson ou Heath Ledger e muito menos a de Jared Leto. 

“Sou pouco conectado à indústria do entretenimento”, disse o ator em entrevista exclusiva ao Estado, em Veneza. E jurou não ter ideia da quantidade de fãs que a história tinha. “Começaram a me perguntar da pressão dois dias antes do início das filmagens, e eu disse: ‘Não me digam isso agora!’”, contou. “Era tarde demais, mas no começo eu estava na ignorância completa. Ainda bem.” 

Phoenix ama uma reação forte aos filmes que faz. “Seja qual for”, contou. “A indiferença é que me incomoda.” Mas em relação à preparação de seus personagens, garantiu que não leva em conta a opinião de ninguém. “É uma exploração e uma experiência pessoais. Faço só para mim.” 

Mas quem é este Coringa? Arthur Fleck é um comediante frustrado que trabalha como homem-placa, vestido de palhaço. Mora com a mãe, que insistia que seu destino era ser feliz e fazer os outros rirem, e depende de remédios para seus problemas de saúde mental – ele tem uma condição que faz com que ria descontroladamente. Sendo pobre e esquisito, Arthur é invisível para a sociedade. Quando alguém o enxerga, é em geral para humilhá-lo. Só que, um dia, ele se vê com o poder nas mãos. 

Este Coringa não tem o jeito brincalhão de Romero, nem é transformado em vilão depois de cair num tanque de substâncias químicas como no caso de Nicholson. Não tem um desejo de ver o circo pegar fogo como o Coringa de Ledger, nem sabe-se lá o que Jared Leto estava fazendo. Arthur às vezes inspira pena. “Gosto que o filme peça ao espectador que pelo menos tenha empatia por alguém que é o vilão e que faz coisas horrendas. Às vezes, rotulamos uma pessoa como má, como se fôssemos incapazes dos mesmos atos.” 

Leia a seguir outros trechos da entrevista:

Você falou de divisão, e as sociedades mundiais parecem muito divididas. Acha que falta vontade de ouvir opiniões contrárias às nossas? 

Sim, claro. Não há muito debate saudável. Eu me lembro dos programas de notícia de antigamente. Hoje, eles são uma competição de quem grita mais alto. Há questões difíceis que precisamos discutir. Mas, se ficarmos gritando uns com os outros, não vai ter solução. Ficamos viciados nisso, dá mais audiência, mas isso está saindo caro. 

Mas mesmo no caso de pessoas que são detestáveis ou simplesmente fazem coisas horríveis?  

É um desafio. O Coringa é uma pessoa complexa. Mas há momentos em que se pode simpatizar com ele, ou pelo menos ter alguma empatia. Mas não se engane: ele é um vilão. Eu o interpretei como um vilão. O Coringa é a própria definição do narcisismo, que é a expectativa de que seus sentimentos devem ser validados pelos outros e que todos precisam prestar atenção porque ele é a pessoa mais importante do mundo. Agora, ele não é político. Só quer adoração. O narcisismo é muito perigoso. 

Como consegue manter-se atento às dores dos outros? 

Não quero parecer estar me vangloriando, mas sempre fui muito sensível. Quando leio um jornal, não estou só absorvendo informação, mas vivenciando a vida de alguém e isso me afeta profundamente. Acho que é de mim, nasci assim.

Veja aqui o trailer oficial do novo Coringa:

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Leão de Ouro para 'Coringa' pavimenta caminho para o Oscar

Brasil ganhou dois prêmios no Festival Veneza, para o documentário de Bárbara Paz e “A Linha”, vídeo em realidade virtual

Mariane Morisawa, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 17h44

No ano passado, Roma saiu de Veneza com o Leão de Ouro para uma campanha do Oscar que terminou com três estatuetas, inclusive direção. Em 2017, A Forma da Água levou o Leão de Ouro e depois quatro Oscar, inclusive filme e direção. Em 2019, a história deve se repetir, com a vitória de Coringa, de Todd Phillips, que não é o típico “filme de Oscar”, por ser uma produção que se passa no universo dos quadrinhos da DC, e por isso mesmo tem muito a ganhar com o troféu principal num dos principais festivais de cinema do mundo – que também não costumam premiar esse tipo de produção. “Me parece incrível que uma indústria cujo principal foco é o negócio tenha corrido tamanho risco com ‘Coringa’”, disse a presidente do júri Lucrecia Martel. “Fazer para esse público um filme que é uma reflexão sobre os anti-heróis, mostrando que talvez o inimigo não seja o homem, mas o sistema, me parece bom para os Estados Unidos e para o mundo todo. Além disso, havia cenas muito arrojadas e uma atuação espetacular”, completou Martel, referindo-se a Joaquin Phoenix.

O júri também comentou a concessão do Grande Prêmio do Júri, segundo troféu mais importante, para J’Accuse, de Roman Polanski. No início do festival, Martel tinha declarado que não separava o homem do artista e que ficava dividida por ter de avaliar o filme do cineasta polonês, condenado nos anos 1970 por sexo ilegal com menor e fugitivo da justiça americana. O diretor italiano Paolo Virzì declarou que podia garantir pessoalmente que as conversas tinham girado totalmente em torno da qualidade do filme. “Não houve debates sobre polêmicas”, disse. Lucrecia Matel também opinou. “Quando alguém fala do filme, não está deixando de falar do autor, que é um ser humano. A pior coisa que poderíamos fazer com um ser humano é separá-lo de sua obra, porque teríamos de castigar todos. O senhor Polanski representa um caso entre centenas, inclusive pessoas sentadas nesta sala. Não separar o homem da obra não é um benefício para o homem. Polanski mostrou em seu filme uma visão do mundo interessante para todos nós. Se você pensa que, ao não falarmos sobre o autor, somos mais justos com a obra, asseguro que está equivocado.” 

O Leão de Prata de direção foi para o sueco Roy Andersson, por About Endlessness, que reproduz cenas tocantes e patéticas do cotidiano e da história com um misto de drama e comédia, em cenários construídos individualmente. 

Os dois atores premiados com a Coppa Volpi – Ariane Ascaride por Gloria Mundi de Robert Guédiguian, e Luca Marinelli por Martin Eden, dirigido por Pietro Marcello – mencionaram os refugiados que morrem aos milhares no Mediterrâneo em seus discursos de agradecimento. 

Nascido em Taiwan e criado em Hong Kong, Yonfan levou o prêmio de roteiro por No. 7 Cherry Lane, uma animação adulta sobre uma mulher de meia idade que vive um romance com um homem mais jovem. “Demorei sete anos para fazer este filme, estou com 72. Para fazer um filme, preciso ter algo a dizer. Não sei se tenho algo a dizer agora. Mas falei muito sobre Hong Kong nesta semana, mesmo que muita gente tenha me dito para evitar. Eu senti que tinha de dizer, mesmo que não fossem coisas apropriadas”, disse o cineasta, que elogiou a liberdade que sempre teve em Hong Kong e pediu que ela continuasse. 

O italiano La Mafia Non è Più Quella di una Volta, de Franco Maresco, ganhou o prêmio especial do júri, enquanto o australiano Toby Wallace, de Babyteeth, dirigido por Shannon Murphy, ficou com o Marcello Mastroianni para melhor ator ou atriz jovem. 

 

Prêmios para o Brasil

Em relação a Berlim e a Cannes, a participação brasileira em Veneza foi mais modesta, mas não menos significativa. Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, estreia na direção da atriz Bárbara Paz sobre o cineasta Hector Babenco, levou o troféu de melhor documentário na seção Veneza Clássicos. “Hector costumava dizer que filmar é viver um dia mais. Foi o cinema que o manteve vivo. Hector, eu te amo para sempre”, disse Paz, muito emocionada. “Este prêmio é muito importante para meu país. Digamos não à censura. Vida longa à cultura brasileira!”, completou. 

A Linha, de Ricardo Laganaro, saiu com o prêmio de melhor experiência para conteúdo interativo em realidade virtual. “Sou o segundo brasileiro aqui hoje, não é demais?”, disse o diretor. “O nosso filme é sobre amor, memórias e o medo da mudança. A tecnologia faz com que tenhamos medo. Mas eu acho que a tecnologia pode ajudar, porque nós contamos histórias e ouvimos outros seres humanos.”   

 

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'Coringa' joga fora o manual dos filmes de quadrinhos

Filme de Todd Phillips exibido no Festival de Veneza traz Joaquin Phoenix em estado de graça num estudo de personagem e história de origem do vilão da DC

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2019 | 12h18

VENEZA – Coringa não é um filme de super-herói como os outros – e não apenas por tratar de um vilão da DC. O longa-metragem de Todd Phillips prescinde das cenas de ação espetaculares, das lutas sem fim, das explosões e dos prédios derrubados, com milhares de vítimas civis invisíveis. Para quem tinha alguma dúvida, faz todo o sentido o filme estar na competição do 76.º Festival de Veneza, onde foi exibido na manhã deste sábado, 31, tratando de temas relevantes como identidade, empatia, saúde mental e do abismo entre quem tem muito e quem não tem nada. Indicações ao Oscar também não devem faltar. 

A história evita a repetição das várias aparições cinematográficas recentes do personagem, de Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) a Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016), contando a transformação gradual de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix, candidatíssimo à Coppa Volpi de melhor ator e ao Oscar na categoria) em Coringa. É um estudo de personagem e um drama realista na linha de clássicos dos anos 1970 e 1980 como Serpico, Taxi Driver e Rede de Intrigas, o que pode abrir uma nova via para os filmes baseados em quadrinhos da DC e da Marvel.

“Não entendo nada de competição com a Marvel”, disse Phillips na coletiva após a exibição. “Mas, quando concebemos a ideia, queríamos uma abordagem diferente. Não sei se vai ser uma inspiração para outros, até porque os filmes de quadrinhos parecem estar indo bem. Foi duro de convencer a DC e o estúdio a fazer. Mas agradeço à Warner por ter feito uma aposta tão ousada.”

Coringa, que estreia no Brasil em 3 de outubro, se passa, justamente, na Gotham, ou seja, Nova York, dos aos 1980, quando a cidade enfrentava problemas de violência, pobreza e lixo nas ruas, além de cortes nos programas sociais. Arthur divulga uma loja vestido de palhaço, quando um grupo de garotos lhe toma a placa e dá uma surra. Não vai ser a primeira vez que ele será visto no chão. Arthur sofre de problemas de saúde mental, entre eles uma condição que o faz rir descontroladamente – especialmente quando, na verdade, quer chorar. Mas é carinhoso com a mãe, Penny (Frances Conroy), que vive no passado esperando o reconhecimento de um poderoso na cidade. 

O maior sonho de Arthur é ser comediante de stand-up e fazer os outros rirem, de preferência participando do programa de Murray Franklin (Robert De Niro). “Minha mãe sempre me diz para sorrir e fazer uma cara feliz”, ele diz. A violência existe, mas é pontual e causa impacto quando acontece. “Meu desejo é que fosse tudo em fogo brando”, disse o diretor. "John Wick tem muito mais violência. Como tentamos fazer de maneira realista, quando ela ocorre, é um soco no estômago.” 

Phoenix afirmou ter evitado encaixar o personagem numa personalidade específica. “Não queria defini-lo. Muitas vezes explorei suas motivações e terminei recuando. Queria que ele tivesse mistérios.” Mesmo depois de assistir, Coringa é um personagem inclassificável. Mas, para o ator, cuja imagem pública é de um homem angustiado, a atração de Arthur era sua luz. “Sua luta para encontrar a felicidade, a conexão, o calor humano, o amor.” Para Phillips, este Coringa não quer ver o mundo arder. “Ele está procurando sua identidade e quer ser adulado, trazer alegria ao mundo. Vira líder por engano.” 

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'Não queria que um psicólogo fosse capaz de identificar', diz Joaquin Phoenix sobre Coringa

Ator afirma que desejava criar um psicopata criminal difícil de ser categorizado

Lindsey Bahr, AP

01 de setembro de 2019 | 17h34

Joaquin Phoenix está tendo dificuldades para definir o Coringa, mas, novamente, ele realmente não quer.

O ator passou oito meses explorando como um comediante de stand-up chamado Arthur Fleck se torna o antagonista do Batman, o vilão com uma risada arrepiante e um amor ao caos. A preparação para o papel envolvia perder um pouco de peso, estudar distúrbios de personalidade e praticar o riso repetidas vezes.

"(É) muito difícil emitir o som", disse Phoenix no sábado, 31, antes da estreia mundial de Coringa no Festival Internacional de Cinema de Veneza. O filme está competindo pelo prêmio Golden Lion no prestigiado festival antes de ser lançado nos cinemas em quatro de outubro.

A perda extrema de peso - supostamente acima de 23 quilos - levou a um tipo de loucura que o ajudou a se preparar para o papel, assim como um livro que detalha os tipos de personalidade de assassinos políticos. Mas Phoenix queria criar um psicopata criminal que não fosse fácil de categorizar.

"Eu não queria que um psicólogo fosse capaz de identificar que tipo de pessoa ele era", disse ele. "Eu queria que permanecesse um mistério sobre o personagem."

E ele estava tão nervoso por acertar a risada que pediu que o diretor e roteirista Todd Phillips viesse ao seu encontro para que ele pudesse "fazer um teste" de algumas, o que aparentemente durou um período desconfortável.

O personagem evoluiu constantemente, mesmo para as filmagens. A nota assombrosa da compositora Hildur Guðnadóttir - que ela começou a escrever fora do roteiro - se tornou um motivador essencial durante o processo. Phillips costumava tocar trechos no set para ajudar a definir o tom.

"Estávamos descobrindo novos aspectos sobre sua personalidade até o último dia", disse Phoenix.

Às vezes, as descobertas resultavam em debates sobre a possibilidade de voltar ou não a refazer.

Phillips disse que, ao desenvolver o roteiro, ele e o co-roteirista Scott Silver se pressionavam todos os dias para "criar algo totalmente insano".

O filme em si é um desvio maciço do modo atual dos filmes da DC Comics da Warner Bros, como Mulher Maravilha e Liga da Justiça. Não está vinculado aos quadrinhos nem em roteiros antigos.  O objetivo deste Coringa era fazer algo inteiramente novo.

"Foi um filme difícil para nós convencermos a DC e o estúdio", disse Phillips. "E, para ser justo, o estúdio adotou um balanço ousado com o filme e deixou-nos fazer exatamente o que queríamos ... realmente não havia regras e limites para ele".

Phillips descreve isso como um estudo de personagem na veia dos filmes da década de 1970 com os quais ele cresceu, como Taxi Driver, de Martin Scorcese, e The King of Comedy.

Situado no final da década de 1970 e no início da década de 1980, com Nova York tocando Gotham City, seu Coringa é limitado pelo realismo sombrio. Isso levou a algumas preocupações iniciais sobre a violência que o público pode esperar do filme.

Phillips disse que não há muita e eles foram "muito cuidadosos" com a forma como a violência foi usada no filme.

"Muitas pessoas pensam que será um filme realmente violento", disse Phillips. "Por que isso pode afetá-lo é que tentamos pintá-lo com o pincel o mais realista possível, para que, quando vier, pareça um soco no estômago".

Quanto a qualquer semelhança temática com os eventos atuais, acrescentei que ele acha que os filmes são "muitas vezes espelhos da sociedade, mas nunca são modeladores".

As primeiras reações ao filme alimentaram ainda mais as especulações sobre Phonix ganhar o Oscar. O ator evitou reconhecer isso em uma pergunta de uma entrevista coletiva em Veneza sobre suas perspectivas de ganhar seu primeiro Oscar. Em vez disso, elogiou o processo criativo.

"Acho que nunca tive uma experiência como essa", disse Phoenix. "Quanto mais imprevisível, mais inspirador era."

Mas uma coisa de que Phoenix tem certeza: ele não pensa no Coringa, nem em nenhum de seus personagens, como "atormentado". É uma palavra, segundo ele, que só ouve quando faz aparições na mídia para seus filmes.

"Eu estava interessado na luz de Arthur pela falta de uma palavra melhor", disse Phoenix. "Sua luta para encontrar a felicidade, sentir-se conectado, sentir calor e amor."

O diretor Phillips acrescentou que o homem que se torna o Coringa estava procurando por identidade ... Ele pensou que foi colocado nesta terra para fazer as pessoas rirem e trazer alegria ao mundo. ”

Relembre as versões de Coringa:

Confira o trailer final de Coringa:

 

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Enquete: O melhor ator de Coringa para a TV e cinema

De quem foi a melhor interpretação para o inimigo do Batman? Ajuda a escolher

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 11h44

A chegada do novo Coringa, dessa vez estrelado por Joaquin Phoenix, promete mudar a maneira de se contar a história do grande vilão da DC. Durante o Festival de Veneza, o público testemunhou que não se trata de um filme de super-herói, como os outros.

O grande vilão e inimigo do Batman ganhou inspirações de Martin Scorsese, Charles Chaplin e Alan Moore no filme de Todd Phillips. Mas o papel de Phoenix não foi o primeiro a despertar atenção do público. Antes dele, outros atores também encarnaram a loucura do Coringa em produções para o cinema e televisão.

Relembre as produções e escolha seu Coringa favorito.

 

Cesar Romero

O primero Coringa foi de Cesar Romero, no seriado dos anos 1960, de Adam West. Sua versão era a de um palhaço mais infantil. Conta-se que o ator recusava-se a retirar o bigode e a maquiagem do Coringa era feita por cima.

 

Jack Nicholson 

O ator foi o primeiro Coringa para os cinemas. No filme de Tim Burton, Nicholson interpretou um grande mafioso e seu sorriso permanente serviria de referência para os próximas produções.

 
 

Heath Ledger 

Quando o ator de Brokeback Montain foi anunciado no papel do vilão, a reação do público não foi das melhores. Além da crítica ao visual desse Coringa, nada durou muito quando Ledger mostrou seu trabalho. O resultado foi um enxurrada de prêmios, inclusive póstumos, já que o ator morreu aos 28 anos, em 2008. 

 

Cameron Monaghan

A série Gotham estreou com o objetivo de apresentar os inúmeros vilões da cidade de Batman. Ao longos dos episódio, o ator que interpretou Jerome Valeska demonstrou que não era preciso ter o cabelo verde e a pele branca para encanar a loucura do vilão. 

Jared Leto

Muita gente apostou tudo na interpretação do vocalista da banda 30 Seconds To Mars. Seu Coringa para o Esquadrão Suicida foi bastante criticado. Com o anúncio da continuação da franquia, ficou confirmado que o ator não está escalado para o papel.

 
 

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Por que 'Coringa' será diferente de outros filmes de super-herói?

Longa estrelado por Joaquin Phoenix e dirigido por Todd Phillips tem inspirações de Martin Scorsese, Charles Chaplin e Alan Moore, e promete uma experiência diferente no cinema de super-heróis

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 07h34

No dia 3 de outubro, estreia nos cinemas brasileiros o filme Coringa, que conta a origem do mais conhecido personagem da galeria de vilões do Batman. Filmes baseados em histórias em quadrinhos de super-heróis têm obtido grande sucesso de público nos últimos anos, mas raramente repetem o bom desempenho com a crítica. Por que Coringa promete surpreender?

A influência de grandes cineastas é um dos pontos que podem explicar como Coringa é um filme diferente de outras adaptações dos quadrinhos. Dirigido por Todd Phillips, que rodou a comédia Se Beber Não Case (2009) e o filme Cães de Guerra (2016), Coringa vem sendo cotado até mesmo para indicações ao Oscar 2020. No entanto, antes da confirmação de quem dirigiria o longa, em 2017, os rumores eram de que cineasta Martin Scorsese assumiria a tarefa. 

O diretor de Taxi Driver, Os Bons Companheiros e A Última Tentação de Cristo acabou não ficando com essa missão, mas Todd Phillips vem fazendo claras referências a outro filme de Scorsese com os trailers e imagens divulgados até então: O Rei da Comédia, de 1982. Ambos os enredos falam sobre comediantes de standup submetidos à pressão do fracasso, que decidem cometer um ato de insanidade. O protagonista do filme de Scorsese, Robert De Niro, estará também no elenco do filme de Phillips.

Outro diretor lendário que foi referenciado no material de divulgação do filme já revelado é Charles Chaplin. Um cartaz de Tempos Modernos e a trilha sonora de Luzes da Ribalta aparecem no primeiro trailer — vale lembrar que Luzes da Ribalta fala sobre um palhaço que perde a fama e entra em declínio.

Coringa é inspirado livremente no quadrinho A Piada Mortal, de 1988, escrito por Alan Moore e com arte de Brian Bolland. A obra foi a primeira a oferecer a origem do Coringa, até então um mistério na DC Comics. Ele era um engenheiro que abandonou a carreira para se tornar um comediante de standup frustrado. Para sustentar sua mulher grávida, ele acaba envolvido em um roubo na fábrica em que trabalhava, mas o golpe dá terrivelmente errado, sua mulher morre e ele enlouquece em uma espiral de decadência. 

Relembre a adaptação em animação de A Piada Mortal com o trailer abaixo:

O personagem apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em abril de 1940, na primeira edição solo do Batman. Criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson, ele surgiu como um sujeito mais caricato no início, mas à medida que outros roteiristas e quadrinistas foram dando novos traços à sua personalidade, o Coringa se tornou mais soturno. 

A mística do personagem é outro motivo pelo qual o filme de Todd Phillips pode surpreender. O Coringa já foi interpretado por alguns dos maiores atores da história do cinema, como Jack Nicholson, que viveu o personagem na adaptação de 1989 por Tim Burton, e Heath Ledger, que marcou uma geração de fãs ao se entregar ao papel em O Cavaleiro das Trevas, de 2008, de Christopher Nolan

Relembre O Cavaleiro das Trevas com o trailer abaixo:

Outros atores não agradaram tanto ou tiveram desempenhos menos aclamados na pele do palhaço, como Cesar Romero, que deu vida a um Coringa muito mais bem-humorado e infantil na série de TV do Batman nos anos 1960, e Jared Leto, que participou de Esquadrão Suicida (2016) como um Coringa obssessivo e cheio de tatuagens. O que leva tantos astros a se debruçar sobre um personagem que é considerado maldito?

O Coringa tem essa fama, entre outros motivos, pelo seu retrospecto com os atores que o interpretaram. Heath Ledger e Jared Leto, ambos adeptos do método Staniskavski, que prega a imersão absoluta na mente do personagem para conseguir uma atuação mais verossímil, apresentaram comportamentos estranhos durante e depois das gravações. 

Ledger chegou a se trancar em um quarto de hotel e afirmou ao New York Times em 2007 que estava dormindo duas horas por noite. Ele morreu pouco depois das filmagens de O Cavaleiro das Trevas, mas sua atuação rendeu-lhe o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante. Na época, sua entrega ao papel foi apontada como um possível motivo que teria desencadeado as crises que culminaram em sua morte por uma overdose de medicamentos. Esses boatos foram desmentidos por sua irmã Kate Ledger em 2017, na estreia do documentário I Am Heath Ledger, sobre sua carreira.

Já Jared Leto enviou presentes macabros como um porco morto e projéteis a seus companheiros de set durante as filmagens de Esquadrão Suicida. Joaquin Phoenix, também adepto do método Stanislavski, afirmou em uma entrevista recente à revista italiana Il Venerdì que assistiu a vídeos de portadores de risada patológica para se inspirar a criar a gargalhada do Coringa no novo filme.

Diferente de outros filmes inspirados no universo dos super-heróis, o longa de Todd Phillips não prima pelas cenas de ação ou pela megalomania. Assim como Logan, dirigido por James Mangold em 2017, Coringa preza por uma atmosfera mais densa e um drama psicológico, aproveitando o rico material produzido em quase oito décadas nos quadrinhos. 

Isso explica por que o filme será exibido no Festival de Cinema de Veneza, estará na programação do prestigioso Festival de Toronto e já tem boas cotações para o Oscar 2020. As altas expectativas poderão ser recompensadas ou frustradas apenas em outubro, quando os espectadores acompanharem a nova encarnação do Coringa nos cinemas.

Confira o trailer final de Coringa:

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Estreia de ‘Coringa’ preocupa famílias de massacre em cinema dos EUA

Em carta à Warner Bros, vítimas pedem à empresa apoio para acabar com contribuições políticas aos candidatos que apoiam armas

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2019 | 10h05

Famílias envolvidas em um tiroteio em massa no cinema dos Estados Unidos em 2012 pediram ao estúdio por trás de Coringa que ajude a pressionar pela reforma de armas, expressando preocupação com o filme que retrata violência.

Em carta à Warner Bros, as famílias de algumas das vítimas também pediram à empresa para encerrar quaisquer contribuições políticas para os candidatos que recebem dinheiro da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) e para financiar programas de intervenção contra a violência armada.

A carta não pede que o filme seja retirado, mas diz: “Com grande poder vem uma grande responsabilidade. É por isso que pedimos que vocês usem sua enorme plataforma e influência para se juntar a nós na luta para construir comunidades mais seguras com menos armas”.

O documento, visto pela revista Variety e outros veículos da indústria de Hollywood, vem antes da estreia de Coringa, estrelado por Joaquin Phoenix como o vilão do Batman, nos cinemas dos Estados Unidos, em 3 de outubro. 

Assista ao trailer:

O filme conquistou o prêmio principal no festival de Veneza em setembro e ganhou aplausos por sua descrição perturbadora de um pária social que causa violência aterrorizante. Os analistas de bilheteria preveem que o filme arrecade até US$ 80 milhões (aproximadamente 320 milhões de reais) nas bilheterias norte-americanas no fim de semana de estreia.

O melhor ator de Coringa para o cinema e TV

E para você, qual foi o melhor Coringa de todos os tempos? Além do mais recente, vivido por Joaquin Phoenix, o vilão foi interpretado por Cesar Romero, Jack Nicholson, Heath Ledger, Cameron Monaghan e Jared Leto.

Massacre em cinemas nos EUA e Brasil

Em 2012, 12 pessoas foram mortas e 70 ficaram feridas durante uma exibição no cinema à meia-noite de Batman - O Cavaleiro das Trevas, também sobre o personagem do Coringa, em Aurora, no Colorado, por um atirador solitário que agora cumpre pena de prisão perpétua. 

Na época, o incidente lembrou um episódio parecido que aconteceu em 1999 no Brasil, na cidade de São Paulo. O estudante de Medicina Mateus da Costa Meira matou três pessoas e deixou quatro feridas no cinema do MorumbiShopping, zona Sul da capital. Na ocasião, estava sendo exibido o filme Clube da Luta.

Condenado a 110 anos de prisão, ele cumpre pena desde 2007 na Bahia. Em 2009, Meira tentou matar um colega de cela. Em julgamento nesta ação, ele foi declarado inimputável, por sofrer de distúrbios psiquiátricos atentados por laudos médicos.

 

\Com informações da agência Reuters

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