Geena Davis volta em "Stuart Little 2"

Arqueira profissonal, Geena Davis recuperou a pontaria certeira ao interpretar em 1999 a mãe superprotetora de O Pequeno Stuart Little. Afastada das telas desde 1996, depois de amargar fracassos de bilheteria como O Despertar de um Pesadelo, A Ilha da Garganta Cortada e Apenas Bons Amigos, a atriz conseguiu reconquistar o prestígio em Hollywood com a comédia infantil que arrecadou mundialmente mais US$ 300 milhões. Às vezes, ainda me sinto ridícula, dando vazão ao meu instinto maternal diante de um ator invisível, brinca Geena, que volta a contracenar com o ratinho criado por computador em Stuart Little 2.Sempre lembrada pela performance em Telma & Louise, em que dividiu as cenas com Susan Sarandon, a atriz de 46 anos ainda reclama da ausência do ratinho falante no set de filmagem. A equipe apenas sinaliza com laser a posição de Stuart, para que Geena saiba para onde olhar quando diretor grita ?ação!?. ?Preferia que ele fosse um dinossauro virtual. Seria mais fácil demonstrar medo do que afeição por uma coisa que eu não vejo.? Atuar na continuação, que desembarca nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, só foi mais fácil porque Stuart já é conhecido e amado pelo público. ?No primeiro filme, tive medo de estar exagerando quando o tratava como a coisa mais fofa do mundo. Se surgisse na tela um ratinho sem graça, eu pareceria uma maluca.?Como se não bastasse o desafio de ser a mãe adotiva de Stuart (dublado por Michael J. Fox em inglês e Rodrigo Santoro em português), Geena contracena na seqüência com mais dois personagens animados. Entram nessa segunda aventura a pardalzinha Margalo, uma suposta amiga de Stuart que rouba a casa dos Little, e o Falcão, o mentor dos delitos que a pardal é obrigada a cometer. Como a história é retomada alguns anos depois, a família ainda cresceu com a chegada da pequena Martha, a irmã mais nova do menino George (Jonathan Lipnicki). ?Para acelerar as filmagens, a produção escalou dois bebês gêmeos para o papel. Enquanto uma dormia, a outra atuava. O problema é que quando uma estava acostumada comigo, já era hora de trocar?, conta Geena, que filmou parte de Stuart Little 2 grávida da primeira filha, Alizeh Keshvar. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que a atriz, vencedora do Oscar de melhor coadjuvante por O Turista Acidental (1988), concedeu à Agência Estado, em Los Angeles.Stuart Little 2? trouxe algumas inovações tecnológicas que facilitaram a sua vida, na hora de contracenar com um ator invisível? Os efeitos especiais foram aprimorados na comparação com o primeiro filme. Mas ninguém se deu ao trabalho de criar uma holografia de Stuart para nos ajudar (risos). Só tínhamos mesmo o pontinho vermelho do laser. Não podíamos usar sequer um boneco porque daria trabalho para os técnicos apagarem a imagem na hora de colocar Stuart. Foi tudo pura imaginação.Quanto mais efeitos especiais, mais tempo ocioso no set. O que fazia para matar o tempo?Nós brincamos com armas (risos). Sei que não deveria dizer isso, considerando que Stuart Little é uma franquia infantil, mas é verdade. Alguém chegou com uma picape repleta de armas e nós, do elenco, começamos a brincar de mocinho e bandido. Ainda aproveitei para praticar arco e fecha, uma das minhas grandes paixões. Felizmente Hugh Laurie (que interpreta o marido de Geena no filme) topou colocar uma maçã sobre a cabeça para servir de alvo. Sua confiança na minha habilidade de arqueira foi tocante (risos). Como foi retomar o papel de Eleanor Little, uma mãe zelosa, grávida?Durante a maior parte da filmagem, eu ainda não estava grávida. Ou, pelo menos, não sabia que estava. Eu só apareci com uma barriga de cinco meses no set para as cenas adicionais. Foi perfeito para o momento que eu estava vivendo. Adorei fazer o papel da melhor mãe do mundo, ainda que a minha filha na vida real acabasse cortada das cenas (risos). A equipe teve de apagar a minha barriga no computador.Você é uma mãe tão superprotetora quanto a personagem?Ainda não sei como vou me sair como mãe. Por enquanto, Alizeh não vai a lugar nenhum sem mim e não se arrisca, fazendo coisas perigosas. Mas quero que ela seja determinada, confiante e curiosa.Por que se afastou das telas, antes de ?Stuart? 1 e 2? Pesou o fato de os seus filmes anteriores terem sido mal-acolhidos nas bilheterias? Não. Eu sempre fui exigente na hora de escolher papéis. Se ao ler o roteiro o filme não me deixar com aquela sensação de urgência para fazê-lo, prefiro esperar por algo mais interessante. Infelizmente atingi a idade em que as atrizes são apenas as mulheres dos personagens que fazem coisas incríveis. Isso não me interessa. Prefiro ficar em casa.A sua experiência no seriado, ?The Geena Davis Show, mudou a sua percepção sobre fazer cinema?Depois de gravar cerca de 50 páginas por dia na série, rodar uma única página diariamente no filme foi moleza. A experiência no seriado ainda me lembrou o teatro, já que os sitcoms são realizados com a presença da platéia. Atuar na televisão proporciona uma vida boa para quem tem uma família e não quer se deslocar atrás de uma equipe de cinema, viajando para a China, por exemplo. Fiquei triste quando a emissora cancelou a série. Se surgir uma nova oportunidade, tentarei de novo.Como explica os boatos de uma continuação de ?Telma & Louise??Nunca entendi isso. Já me perguntei inúmeras vezes como poderíamos voltar, considerando que nossas personagens morreram no final. Conversando uma vez com Ridley Scott (o diretor), contei uma idéia de seqüência que tive. A segunda parte deveria começar exatamente onde o filme anterior parou. Susan Sarandon e eu voando no carro e gritando. Aí a câmera registra nós duas nos espatifando no chão (risos).Qual a sua lembrança mais vívida da filmagem de ?Telma & Louise??Nunca esqueci a última cena que rodamos que coincidiu justamente com o final do filme, o que é uma raridade em Hollywood. Guardo comigo aquela imagem: o sol se pondo, Harvey Keitel vindo na nossa direção e nós olhando uma para a outra, dizendo as últimas falas e tomando a decisão de seguir em frente. Susan e eu já tínhamos ficado muito amigas ao final da produção. Estávamos dizendo adeus ao filme e à experiência de trabalharmos juntas. Foi mágico.

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