Garfield, o gato preguiçoso, chega às telas

Há certos filmes cujos trailersparecem ter sido feitos pela concorrência. Você não fica com amenor vontade de vê-los. Garfield é um deles. Se você viu otrailer de Garfield e não gostou, arrisque, mesmo assim, umaolhada no filme de Peter Hewitt, que estréia hoje nos cinemas. Temalgo da mistura de técnicas de Scooby-Doo. O gato écomputadorizado, o restante é live action. E é mais um programade censura livre que chega às telas para aproveitar as férias dagarotada.Você provavelmente conhece o personagem das tiras dodesenhista Jim Davis. Americano do meio-Oeste, Davis deve suaglória ao gato que atinge 220 milhões de pessoas em todo omundo. Suas tiras, afinal, são publicadas em 2.550 jornais de 87países. Garfield é um gato obeso, preguiçoso e ardiloso. Éegocêntrico e possui um dono - o desempregado Jon - que adoramonopolizar. Jon é apaixonado por uma veterinária, para a qualnão ousa se declarar. Logo nas primeiras cenas de Garfield - OFilme, ele cumpre o ritual de visitar o consultório, sob adesculpa de que Garfield precisa de atendimento. A médica dizque quer lhe pedir uma coisa. Jon topa, sem saber o que é - ouna expectativa de que seja um convite para sair. A veterináriaquer que ele cuide de seu cãozinho. E a confusão está formada.Pois o dono de Garfield começa a dar atenção excessiva ao totó,o que provoca a ira do bichano.O mundo divide-se entre cinófilos e gatófilos. Há os queadoram cães e os que adoram gatos. A paixão quase sempre éexcludente. Cães são adorados porque são fiéis, dependentes - eexiste até a expressão ´fidelidade canina´ para referendá-lo.Gatos também são adorados, mas pelo motivo oposto. Sãoindependentes, vivem a vida deles e não ficam o tempo todoolhando os donos com aqueles olhos pedintes. O cão de Garfield étolinho. O gato tira proveito disso. Consegue expulsá-lo de casa mas há um vilão nessa história e não é Garfield. É umapresentador de TV alérgico a gatos - curiosamente, a mulher deDavis também é -, embora seu programa seja sobre eles. Esse caraprecisa de um cachorro para iniciar nova carreira em Nova York.Seqüestra o que Garfield expulsou - pois o totó é ótimodançarino.Garfield fala, no Brasil, com a voz de Antônio Calloni,que realiza, aqui, sua primeira dublagem. Calloni divertiu-semuito com o trabalho. "Embora só fosse utilizar a voz, mepreparei para fazer Garfield como para qualquer dos personagensde minha carreira. Estudei o roteiro, procurei achar o tom certopara interpretá-lo." Calloni identifica o que tem em comum comGarfield. "É o senso de humor." Embora não seja tão preguiçosocomo o gato, ele também é do tipo que cultiva o ócio. E há,ainda, um elemento de malandragem que o fascina no personagem.Mas ele observa - "Garfield é do bem, mesmo quando parece estaragindo mal."No filme, é o que faz com que o gato preguiçoso saia decasa e enfrente os desafios da cidade grande para tentar salvaro querido inimigo, que sabe que caiu em mãos do apresentador -mas não consegue informar ao dono, por mais que tente. A graçade Garfield é que, no fundo, ele tem um coração mole - ou entãoé preguiçoso demais. Quando um rato invade a casa e o dono exigeque ele o persiga, Garfield vai a contragosto - e finge que comeo bichinho, só para decepcionar o dono. Mais tarde, esse ratovai salvá-lo de um ataque de ratazanas enormes. O mundo animal,mesmo com suas antinomias, consegue ser mais solidário do que odos homens. Ah, sim - Garfield é viciado em café bem forte e emlasanha. Serviço - Garfield - O Filme (99 min.). Livre.

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