Cinearte Produções Cinematográficas
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Galã televisivo, Tarcísio Meira também deixou sua marca no cinema

Ator esteve em filmes de grande apelo popular e em obras de cineastas mais autorais como Walter Hugo Khouri e Gláuber Rocha

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 15h12

Galã com forte presença na televisão, Tarcísio Meira teve participação mais modesta no cinema. Ainda assim, deixou sua marca na tela grande. Trabalhou em alguns filmes de grande apelo popular, em especial o patrioteiro Independência ou Morte, no qual interpretou Dom Pedro I. Mas também participou de filmes “de arte”, com cineastas autorais como Walter Hugo Khouri e Gláuber Rocha. 

É preciso lembrar que Independência ou Morte (1972), de Carlos Coimbra, foi realizado no quadro das comemorações do sesquicentenário da Independência do Brasil e em plena ditadura militar. Essa circunstância contribuiu para que a obra fosse hostilizada por parcelas da população contrárias ao regime da época e ainda hoje fica difícil destacá-la daquele contexto peculiar. 

Antes disso, Tarciso já havia trabalhado em outros filmes, como Casinha Pequenina (1963), com Mazzaropi, e Máscara da Traição (1968). Em especial, em Quelé do Pajeú (1969), de Anselmo Duarte, e Confissões de Frei Abóbora (1971), de Braz Chediak, adaptado do best-seller de José Mauro de Vasconcellos. Este, um filme de grande elenco, em que Tarciso contracena com Norma Bengell, Nelson Xavier e Emiliano Queiroz. 

  Muitas vezes vivendo par romântico com sua mulher, Glória Menezes, Tarcísio fazia sucesso nas novelas, como Irmãos Coragem, A Escalada, O Semideus, Cavalo de Aço e Sangue e Areia. Êxito que tentava ser transposto para as telas do cinema, nem sempre com eficácia pois os produtores às vezes se esquecem de que os públicos de TV e cinema podem ser diferentes. 

Em todo caso, Tarcísio era muito convidado buscado para filmes em tese populares, como alguns dos já citados e mais O Caçador de Esmeraldas (1978-1980), de Oswaldo de Oliveira, este ainda na linha da obra histórica, sobre o bandeirante Fernão Dias Paes Leme (vivido por Jofre Soares, ator emblemático do Cinema Novo). Tarcísio faz o capitão-mor, Glória Menezes interpreta a personagem Maria, e Arduíno Colasanti vive Borba Gato, cuja estátua foi recentemente incendiada em São Paulo.  

 Mais interessante foi sua parceria com Walter Hugo Khouri, cineasta com preocupações existenciais e filosóficas, dono de obra consistente e singular reflexão sobre o amor e o erotismo. Amor Estranho Amor (1982), com Xuxa Meneghel, e Eu (1988), com Nicole Puzzi e Monique Lafond são dois dois ótimos exemplares dessa experiência de ator. Essas participações também são prova de independência de um profissional que não hesitava em aceitar papéis contraditórios em relação à imagem de galã de telenovelas da Globo.

Nesse sentido, a participação mais surpreendente na carreira cinematográfica de Tarcísio Meira foi no labiríntico Idade da Terra (1980), obra final do grande Glauber Rocha. No filme, apresentado sob polêmica no Festival de Veneza, Tarcísio contracena com Ana Maria Magalhães, Antônio Pitanga e Jece Valadão, entre outros. É uma obra fundamental do cinema brasileiro, qualquer que seja o seu grau de dificuldade. E Tarcísio está nele, talvez sobrepondo seu personagem glauberiano à imagem popular consagrada na tela da TV. 

Dignas ainda de destaque são as duas adaptações de Nelson Rodrigues nas quais esteve presente. Em O Beijo no Asfalto (1981), de Bruno Barreto, faz o personagem Aprígio, num elenco formado com Christiane Torloni e Ney Latorraca. Na refilmagem de Boca de Ouro (1990), de Walter Avancini, Tarcísio vive o papel do famoso bicheiro e contracena com ninguém menos que Grande Otelo.   

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