"Gaijin 2" deve repetir primeiro sucesso

Com Lua de Cristal, TizukaYamasaki assinou o melhor (menos ruim?) filme da Xuxa e aindabateu o recorde de bilheteria do cinema brasileiro nos anos1990. Agora, ela só precisa mostrar que ainda sabe fazer bomcinema com Gaijin 2, seu acalentado projeto de mais de 20anos. Desde que o primeiro Gaijin estreou, em 1980, quem édo ramo sabe que Tizuka sempre quis fazer daquele filme oprimeiro de uma trilogia. O segundo seria sobre os japonesesdurante a 2.ª Grande Guerra e o terceiro, sobre japoneses noBrasil contemporâneo.Tizuka bem poderia apropriar-se do livro de Fernando Morais -Corações Sujos - para fazer o segundo. Pulou logo para oterceiro. Seu filme sobre japoneses no Brasil atual segue ocaminho inverso de Gaijin e fala sobre os dekasseguis,descendentes de japoneses que vão trabalhar no Japão, em buscade oportunidades que lhes são negadas (e não só a eles, claro),no País. Há expectativa de que Tizuka consiga voltar aos bons tempos deGaijin, que aliou ao sucesso de público o de crítica. Ofilme venceu o Festival de Gramado, ganhou o Gran Coral doFestival de Havana e até o júri da Fipresci, a FederaçãoInternacional da Imprensa Cinematográfica, deu-lhe seu prêmio emCannes. O que houve depois dá bem uma idéia das dificuldades dese fazer cinema no Brasil.Repetidas vezes, Tizuka transformou filmes em divãs paraautoanalisar-se. Depois de Gaijin, no qual refletiu sobresua experiência, como neta de japoneses. discutiu a condição damulher em Parahyba Mulher Macho e a cidadania emPatriamada. É verdade que os filmes foram ficando menosinteressantes. A própria Tizuka virou um caso do cinemanacional. De nada adiantou o sucesso de Lua de Cristal. Elapenou durante toda a década passada em busca de investidorespara seu projeto mais pessoal. Enquanto isso dirigiu Xuxa e osTrapalhões e inúmeros especiais para televisão. Dirigiu até umanovela: Kananga do Japão.Chega desses trabalhos ´profissionais´. Voltou, para Tizuka, aera do comprometimento, embora talvez seja injusto com elaexagerar na carga de expectativa com Gaijin 2. Poderáprejudicar o filme, que se antecipa oportuno e sério. Se omulticulturalismo estava embutido em Gaijin, em Gaijin 2o tema talvez seja, como em Patriamada, a questão essencialda cidadania. De volta ao Japão, os dekasseguis descobrem quesão mesmo é brasileiros.

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