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Gabriel Mascaro não ousa só com sexo explícito em 'Boi Neon'

Longa já arrebatou o público em Veneza e Toronto

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 05h00

RIO - Premiado nos Festivais de Veneza e Toronto, Boi Neon, de Gabriel Mascaro, é mais uma prova da força e vitalidade do cinema pernambucano. Esses rapazes - o cinema do Recife é predominantemente masculino - adoram uma transgressão sexual. Mascaro vai além de Cláudio Assis, Camilo Cavalcanti, Lírio Ferreira. O filme dele expõe a genitália de Juliano Cazarré em repouso, em nu frontal, em pleno combate, em cenas de sexo explícito. Cannes fez todo aquele escândalo por causa do sexo explícito em Love, de Gaspar Noë. Não há por que omitir o que Mascaro mostra no filme dele, mas seria reducionista explicar a obra do jovem autor só por isso.

Mascaro invade com sua câmera o universo das vaquejadas. Juliano Cazarré faz Iremar, que integra o grupo que prepara para a arena. O grupo todo vive na estrada, disputando espaço no caminhão com a boiada. Iremar, Zé, Negão, Galega e a filha dela, Cacá. É um universo rude e brutal. Iremar toca os bois, é intenso na cama. Mas tem mais. Há um polo de moda no sertão. E, nesse processo de industrialização têxtil, o macho opera no feminino criando moda. A grande cena de sexo nem é na cama, mas na mesa da fábrica em que se cortam as peças para compor as roupas. Além de Cazarré, o elenco tem Maeve Jenkings, Alyne Santanna e Vinicius de Oliveira - sim, o Josué de Central do Brasil, de Walter Salles. Mascaro pertence à geração de Kléber Mendonça Filho. É autor de uma obra que alterna documentário e ficção, ou que se constrói nas bordas de ambos. Um Lugar ao Sol, Doméstica, A Onda Traz o Vento Leva, Ventos de Agosto. São filmes ricos em investigação social e propostas estéticas - Doméstica provocou polêmica porque as imagens montadas pelo diretor não foram por ele captadas. É um procedimento que o russo Dziga-Vertov adotou no passado. Alguns críticos desconsideraram Mascaro, e não poucos entre eles colocam Vertov em um panteão. A coerência, onde está a coerência?

Como sempre, o Festival do Rio promove encontros internacionais. Nesta terça, haverá um debate para discutir ‘corpos jovens, um negócio lucrativo’. Será logo após a exibição de Chicas Nuevas 24 Horas, documentário em que a diretora Mabel Lozano aborda o tráfico de mulheres latino-americanos para redes de prostituição de todo o mundo. Nesta quarta-feira, outro debate promete refletir sobre o corpo da mulher como campo de guerra. Será após a projeção de Dr. Mukwege, o Homem Que Conserta Mulheres, de Thierry Michel, sobre a violência massiva contra as mulheres no Congo, onde o estupro é utilizado como arma por tribos e combatentes rivais.

NOTAS

Glauber

Figura mítica do cinema brasileiro, Glauber Rocha inspira o documentário Cordilheiras no Mar - A Fúria do Fogo Santo, de Geneton Moraes Netto. Em discussão, não o autor de cinema, mas o político que apoiou a abertura do General Ernesto Geisel e chamou Golbery do Couto e Silva de gênio da raça, durante a ditadura.

Poloneses

Integrada ao Festival do Rio, a Escola de Cinema Darcy Ribeiro e o Instituto Polonês de Cinema promovem a mostra Histórias de Transformação, que abre uma janela para a descoberta e (re)avaliação de seis décadas de cinema da Polônia. Entre as raridades programadas está Como Ser Amada, de Wojcech Has, com Zbigniew Cybulski, astro mítico que morreu em 1967, aos 39 anos.

Allende

A chilena Marcia Tambutti Allende está no Rio mostrando o documentário Allende Meu Avô Allende, sobre o ex-presidente.

 

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