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'Gabo', do diretor Justin Webster, tenta compreender genialidade de Gabriel García Márquez

Filme mostra como menino nascido no interior da Colômbia tornou-se um gênio da literatura

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2016 | 18h45

Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez, de Justin Webster, é a história de um milagre. Como um menino nascido num lugarejo colombiano pôde se tornar o escritor mundialmente conhecido, prêmio Nobel de Literatura e responsável pela renovação da arte literária? O filme tenta mostrar as evidências dessa trajetória multifacetada.

García Márquez, o mais velho de 11 irmãos, nasceu 1927, em Aracataca. Foi criado pelos avós, pois os pais haviam se mudado para Barranquilla e, em dificuldades financeiras, não puderam levar o filho. Gabo cresceu ouvindo as histórias de guerra do avô e as narrativas místicas da avó. Como sabem os leitores de sua obra-prima, Cem Anos de Solidão, são essas as fontes da sua criação literária.

Entre várias outras, é verdade. Entrevistando contemporâneos, amigos e conhecidos do escritor, e também se valendo de trechos de depoimentos do próprio García Márquez, Webster refaz os traços dessa trajetória acidentada e multifacetada. Gabo iniciou a vida como jornalista, em Cartagena das Índias e depois Bogotá. Foi um grande repórter e nunca abandonou de fato a profissão. Pelo contrário, trabalhou na cubana Prensa Latina, foi correspondente na Europa e, mais tarde, criou a Fundação do Novo Jornalismo Latino-americano. O ofício estava em seu coração. Porém dividido com a literatura. E, quando conseguiu fundir a objetividade jornalística com os tons narrativos da avó Tranquilina e do avô Nicolás Márquez Mejía, deu forma ao realismo mágico, pedra de toque do chamado boom da literatura latino-americana.

Um dos principais depoentes do livro é Gerald Martin, britânico, autor da biografia considerada definitiva do escritor. Martin ajuda a retraçar os pontos principais desta vida agitada, da Aracataca natal aos périplos pelo mundo. Do ativismo literário ao engajamento político, com a polêmica amizade com Fidel Castro e o apoio incondicional a Cuba, mesmo no clima pesado da Guerra Fria.

E, sim, o filme traz a presença luminosa do próprio Gabo, em entrevistas gravadas, nas quais fala de coisas sérias, sempre temperadas por seu conhecido senso de humor. O documentário é fascinante e cheio de sabor, como o Caribe que era, segundo Gabo, o único lugar da Terra em que se sentia em casa.

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