Futuro governo abre discussão sobre cinema

O novo ministro da Cultura ainda não foianunciado, mas a indústria brasileira do audiovisual já está emlua-de-mel com o próximo governo federal. Esse foi o clima doseminário realizando esta semana na Biblioteca Nacional, no Rio, com aparticipação de representantes de todos os setores, da AgênciaNacional de Cinema (Ancine) aos exibidores, passando pelasdistribuidoras internacionais (até o presidente da MotionPictures Internacional para a América Latina, Steve Solot, bateuponto) a produtoras independentes regionais. O encontro foi oprimeiro de uma série que a equipe de transição pretende mantercom produtores culturais de várias áreas. Alguns ganhos já foram registrados pelos participantesdo seminário e a inclusão da TV na discussão do audiovisual foiuma unanimidade. "Está claro que não há uma segmentação. Cinema, vídeo, televisão... tudo é audiovisual e está integrado", diza presidente do Congresso Brasileiro de Cineastas, AssumpçãoHernandez. A necessidade de fortalecer o Fundo Nacional deCultura e distribuir melhor os recursos captados através das leis deincentivo federais (Rouanet e do Audiovisual) é ponto pacífico.Hoje, 80% vão para o Rio e São Paulo. A inclusão da televisão(emissoras públicas, abertas e pagas) na área do Ministério daCultura é outra unanimidade e há, inclusive, proposta de incluiresse veículo na área da Ancine. Outro ponto abordado foi a regionalização da produção deTV, cujo projeto de tornar obrigatório que 30% da produção sejalocal e parte dela feita por independentes está em votação noCongresso. Orlando Senna lembrou que a Rede Bandeirantes e o SBT seinteressaram pelo assunto, embora não tivessem mandadorepresentantes para o seminário. As propostas apresentadas pelasmesas (Ancine, leis de incentivo, TV, cinema cultural e mercadoexterno) serão levadas à equipe de transição do novo governo. A produtora Marisa Leão (Lamarca, Canudos, Quase Nada e,atualmente, O Piadista) comemora, em primeiro lugar, a aberturada discussão antes mesmo de o próximo governo começar. "É aprimeira vez que isso acontece, pois antes se chamavamdeterminadas lideranças para conversar com os representantes doministro. Agora veio todo mundo, de todas as áreas, gente quevotou ou não no Lula", lembrou ela. "Nossa principal propostaé moralizar e fiscalizar o setor. Evitar a falsa democracia, em que tudo e todos têmdireito a incentivos e lembrar que educação, cultura ecomunicação andam juntos. Se esse governo conseguir isso, terádado um passo enorme.""A conversa com o pessoal do audiovisual é mais fácil, porquediscutem suas questões há cerca de dois anos. As reivindicaçõese o debate já estão amadurecidos e eles chegam com propostasconcretas para o setor", disse o secretário de Cultura doEstado do Rio, Antônio Grassi (um dos cogitadsos para oMinistério) que passou estes dois dias na BN. Ontem, estiverampressentes também Hamilton Pereira, Márcio Meira e o ator SérgioMamberti, que integram a equipe em nível nacional.

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