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Futebol, política e rock para entender o Brasil

Pedro Asbeg fala de 'Democracia em Preto e Branco', seu belo documentário sobre a chamada 'democracia corintiana'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h11

Como pode um carioca, e flamenguista doente como o diretor Pedro Asbeg, fazer um filme sobre a democracia corintiana? "Como nenhum diretor brasileiro quis fazer esse filme antes?", retruca Asbeg. Democracia em Preto e Branco é a atração de hoje do Festival Internacional de Documentários. Futebol, política e rock'n'roll. O repórter conta para Asbeg - em dezembro de 2011, estava em Dubai, na première mundial de Missão Impossível 4. Naqueles dias, morreu o grande Sócrates. A Al-Jazira, emissora oficial do mundo árabe, dedicou-lhe um especial. E não foi só para falar do grande jogador. Embora o repórter não entendesse o que estava sendo dito, as imagens de manifestações de rua, clamando por diretas já, indicavam que a democracia corintiana, com certeza, contribuiu para a fama de Sócrates no mundo árabe.

Ao ouvir a história, Asbeg argumenta - "Está vendo? A democracia corintiana ultrapassa o futebol. E não é assunto só de paulista." Mas ele confessou que estava curiosíssimo para ver a reação do público paulistano a seu filme. No Rio, nas duas sessões de Democracia em Preto e Branco, foram muitos amigos do diretor. Ele recebeu abraços, cumprimentos. Mas não lotou nenhum Maracanã, no sentido metafórico. No Rio, só se o assunto estivesse ligado ao Mengão. Asbeg já colaborou na realização de outro notável documentário, Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski. A ditadura militar, e a resistência a ela, sempre o interessaram. Em 2010, aproveitando que estaria em São Paulo a trabalho, reuniu uma pequena equipe e fez as primeiras entrevistas para o atual documentário.

Quando os documentaristas dizem que nunca sabem o filme que vão conseguir fazer, estão dizendo a pura verdade. Em 2011, Asbeg voltou a São Paulo para mais entrevistas. Alargou o foco. E foi só ao misturar o futebol, a democracia corintiana, com o movimento das diretas e a música - a luta dos artistas por expressão - foi que ele descobriu o filme que queria fazer. A contextualização da democracia em preto e branco para olhar e entender o Brasil. Por isso, ele insiste - "Agradeço muito, mas não sei como nem por que ninguém fez esse filme."

Sócrates Brasileiro de Souza, o Dr. Sócrates, foi uma figura importantíssima nessa história toda. Mas o quadro não estaria completo sem os palanques que incluíam o Dr. Ulisses (Guimarães), Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Nem com os músicos - Rita Lee, por sinal, faz a locução. Todo mundo já falou da lei das biografias. Asbeg soma sua voz. Diz que discutir direito de imagem e material de arquivo é complicado, mas os direitos das músicas são uma loucura. "Tanto faz que seja para um milionário comercial de carro ou um filme pequeno como o nosso, o valor é o mesmo, e alto." O importante é o resultado. Talvez a nação preto e branca vibre mais, mas vai ser difícil conter a emoção face ao Brasil, e ao futebol, que bate na tela do É Tudo Verdade.

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