Furacão Luc Besson passa pela cidade de São Paulo

Em passagem meteórica pela cidade, uma das 28 capitais de todo o mundo que andam recebendo sua visita na turnê promocional de Arthur e Os Minimoys, o cineasta Luc Besson disparou uma série de frases bombásticas e divertidamente mau humoradas. Não queria ser filmado pelas emissoras de TV, muito menos ser fotografado. Reclamou de várias perguntas dos jornalistas e também do humor deles e fez piada da crítica. "Não acho que alguém deveria ser pago para ver filmes. Muito menos para dizer o que acha sobre os filmes dos outros", disse, quando questionado se por acaso já havia feito as pazes com a imprensa francesa - não, não fez. Besson guardou seus sorrisos para outra sala do complexo Kinoplex, no Itaim, onde a imprensa assistiu ao novo filme do diretor, que mistura atores reais, como Mia Farrow e Freddie Highmore, e animação em 3D e estréia no dia 23, sexta-feira que vem. Lá, alunos de quatro escolas públicas e quatro escolas particulares viram a super produção francesa que conta as aventuras de um garotinho de 10 anos no jardim de sua avó. Era com eles que o diretor de Nikita e O Quinto Elemento queria falar e, principalmente, ouvir. Crianças iguais "Tenho viajado muito para divulgar o filme, e em todos os países faço a mesma coisa, peço para que organizem sessões para crianças. E é impressionante como as crianças são iguais em qualquer parte do mundo", observou o diretor. "Na sala ao lado, além de estarem mais animados que vocês (jornalistas), as crianças fazem perguntas mais imediatas como ´quando vai sair o DVD?´. Não querem saber quanto custou, nem qual a motivação por trás de tudo isso." Esta é a primeira aventura de Besson na animação. Ele a justifica como apenas uma maneira de resolver a história que precisava ser contada, uma adaptação do primeiro de uma série de livros infantis escritos por ele. "Se eu precisasse contar essa história há 30 anos, eu teria mandado fabricar cogumelos e flores gigantes, por exemplo, para construir as cenas em que Arthur fica com dois milímetros", justificou. "Mas, hoje, a tecnologia 3D permite que a cena seja feita com um resultado muito bom." Famoso por filmes de grande impacto visual, como O Quinto Elemento, controversos, como Joana D´Arc, e violentos, como Nikita, Luc Besson está flertando com o lúdico. Diz que depois de ter tentado chacoalhar a elite burguesa francesa nos anos 90, o momento agora é de paz com a opinião pública. Acariciar a sociedade "Seria difícil falar de Joana D´Arc sem violência, por exemplo. De qualquer forma, violência para mim é o jornal da noite na TV. Quando fiz Nikita, a sociedade francesa era mais burguesa do que é hoje, e eu quis dar uns pontapés. Anos depois, há mais cinismo do que violência. Então, é o momento de acariciar a sociedade." Arthur e os Minimoys levou sete anos para ser produzido e consumiu 65 milhões de euros (R$ 195 milhões). Entra no mercado brasileiro com 150 cópias, e uma estrutura de marketing que raramente se vê fora do quintal da Disney - envolve produtos licenciados, como bonequinhos, álbuns de figurinhas, os livros da série e um jogo de computador. As cópias, aliás, são todas dubladas, o que nos impedirá de ouvir as vozes de Madonna (Princesa Selênia), Snoopy Dog (Max) e David Bowie (que nos lembra o Rei dos Duendes de Labirinto fazendo o vilão Maltazar).

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