Página Trabalhadores da Cinemateca/Facebook
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Funcionários da Cinemateca Brasileira entram em greve

Ligados à Associação Roquette Pinto, trabalhadores cobram definição da organização social sobre o impasse na instituição; eles também divulgam uma campanha de financiamento coletivo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2020 | 17h40
Atualizado 12 de junho de 2020 | 17h55

Os funcionários da Cinemateca Brasileira, ligados à Associação Roquette Pinto (Acerp), que faz a gestão da entidade, decidiram entrar em greve nesta sexta-feira, 12. A decisão, segundo manifesto divulgado nas redes sociais, pretenden "pressionar o Conselho (Administrativo da Acerp) a chegar a uma decisão e sair do impasse em relação aos trabalhadores". O Conselho se reúne também nesta sexta.

Por conta do impasse da Acerp com o governo federal, os trabalhadores estão sem receber os salários desde abril. "Queremos um posicionamento claro da empresa, uma declaração da situação de seu caixa e planejamento de suas ações para que parem de brincar com a nossa sobrevivência e que encaminhe algo resoluto em relação aos pagamentos. Exigimos os pagamentos devidos!", diz o texto.

Alguns funcionários também foram à sede da instituição, na Vila Clementino, em São Paulo, fazer uma manifestação.

A crise na instituição se acirrou no ano passado, quando uma parte do contrato do governo federal com a Organização Social que administra a entidade – Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) – foi encerrado por iniciativa do MEC. 

Em ofício enviado ao governo no início de junho, a Acerp pedia à Secretaria Especial de Cultura o esclarecimento de questões ainda indefinidas, como quando serão feitos os repasses atrasados para pagamentos dos funcionários e da conta de luz.

Em reunião em Brasília no dia 29 de maio, a Secult, por meio do secretário do Audiovisual, Heber Trigueiro, disse que encerraria as atividades da Cinemateca até o fim de 2020 ou até que as atividades fossem absorvidas pela União. Houve também indefinição sobre o pagamento de R$ 11 milhões atrasados à Acerp, relativos a despesas de 2019 e 2020. O valor já estaria depositado na conta da Secretaria Especial, com registros aprovados no Orçamento Geral da União.

No ofício, a Acerp se abre ao diálogo com o governo para resolver a situação.

"Sugerimos e solicitamos que, antes de tomarem qualquer decisão, sejam discutidas em conjunto soluções com representantes do setor", diz o ofício da Acerp. "Se faz necessário ouvir cineastas, bibliotecários, museólogos, diretores de TV, atores e atrizes e consultar os técnicos que estão na Cinemateca há décadas."

A Acerp optou por não se manifestar neste momento sobre a greve dos funcionários.

Funcionários pedem financiamento coletivo

Sem seus vencimentos há dois meses, os trabalhadores da Cinemateca decidiram montar, há cerca de 10 dias, um financiamento coletivo para amenizar a situação financeira até que a questão se resolva. Clique aqui para acessar.

"Muito se sabe a respeito do quadro emergencial em que se encontra o acervo da Cinemateca Brasileira, que tem sua origem a partir da organização da sociedade civil e abriga mais de 120 anos de história da cultura audiovisual brasileira", diz a página do crowdfunding. "Mas pouco tem se falado sobre a situação do seu corpo de trabalhadores, cuja sobrevivência também se encontra inteiramente em risco. Nesse atual cenário, não podemos esquecer que sem trabalhadores não se constroem nem se preservam acervos."

Os funcionários afirmam que a crise colocada atualmente é também responsabilidade "de uma política do Estado para terceirizar e privatizar os serviços públicos, postura de longa data de autoridades públicas que, cada vez mais, não se responsabilizam pela administração de seus órgãos".

Segundo a campanha, os trabalhadores com situações de emergência serão atendidos primeiro. Até o momento, o financiamento arrecadou R$ 56 mil em doações.

O movimento Cinemateca Acesa, que reúne 40 entidades do cinema, dentro e fora do Brasil, divulgou na quinta-feira, 11, um vídeo em que artistas como Fernando Meirelles, Antônio Pitanga, Bárbara Paz e Alessandra Negrini pedem apoio à campanha dos funcionários.

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