"Fuga #": uma história para cinco diretores

Tudo começou no FestivalInternacional de Curtas de São Paulo, no ano passado. Há um ano,portanto, já que a nova edição do evento dirigido por ZitaCarvalhosa inicia-se nesta quinta-feira, trazendo à cidade omelhor do curta mundial. Alguns dos diretores participantescomeçaram a trocar idéias do tipo "por que não fazemos um filmejuntos?" As discussões, iniciadas no Festival de Curtas,prosseguiram na internet. E o projeto foi sendo formatado aospoucos.Foi assim que nasceu Fuga #. O longa-metragemproduzido por Moema Müller para a empresa Olhos de Cão, de PauloSacramento, terá direção de Camilo Cavalcante, Gustavo Spolidoro, José Eduardo Belmonte, Eduardo Nunes e Flávio Frederico. Cincodiretores para fazer um só filme? Não, Fuga # não se propõea ser uma narrativa em episódios. Narra uma só história, mas elafoi concebida para desenrolar-se em cinco cidades diferentes, deforma a permitir que cada diretor possa fazer a sua parte em suacidade, com sua equipe. Eles poderão até buscar recursos usandoos mecanismos de captação possibilitados pela legislaçãoestadual de suas regiões, claro que sem abrir mão, também, derecorrer ao estatuto da Lei do Audiovisual, que é federal.É uma iniciativa pioneira no cinema nacional. Poderáabrir caminhos, quem sabe. Houve, até certo ponto, a experiênciaanterior de A Felicidade É..., mas Gustavo Spolidoro lembraque o outro filme era em episódios, bem tradicional. Cadadiretor contava sua história, com começo, meio e fim - umaprodução independente -, e o filme simplesmente agrupava todaselas sob a mesma bandeira, como variações sobre o mesmo tema.Aqui, as coisas são diferentes. Fuga # constrói-se em tornode um personagem. Ele se chama Lucas. Vive uma experiência quepode ser considerada surpreendente. Lucas acorda a cada dia numanova cidade, com uma realidade diferente.Moema Müller conta que a idéia, discutida ao longo demeses de convivência na internet, sempre foi somar experiências,de forma a espelhar a diversidade na tela. Entenda-se essadiversidade no seu sentido mais amplo: com filmagens no Recife,em Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, o longavai tentar unir, no mesmo relato, as especificidades dediferentes regiões do Paías, cada uma com sua cultura e a suacomplexidade humana e social. Flávio Frederico, que estevepresente no lançamento do projeto na cidade - no quadro doFestival Internacional de Curtas, como aquecimento para o eventodeste ano -, acrescenta que o projeto é diferente porque cadadiretor está autorizado a pesquisar novas linguagens e a buscarnovas formas de produção.Todo mundo que está ligado no projeto tem estrada. Aprodutora Olhos de Cão ostenta 13 filmes de curta-metragem nocurrículo, desde 1992. Dez anos mais tarde, em 2002, a empresaproduz seus primeiros longas: a ficção Amarelo Manga,dirigida pelo pernambucano Cláudio Assis, e o documentário OPrisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, que invadeo universo das prisões para dar voz às vítimas do sistemacarcerário brasileiro. A produtora Moema Müller também atua naárea cinematográfica desde 1987. Produziu e foi assistente dedireção de numerosos curtas. Participou do longa Como Nascemos Anjos, de Murilo Salles, e da série de TV Os Nomes doRosa, de Pedro Bial. Ela lembra que a Olhos de Cão é umaempresa paulista que possui uma sucursal no Rio. Essa sucursalcarioca é quem toca o projeto, pelo simples fato de que ela moralá. Acrescenta que Fuga # está orçado em R$ 1,5 milhão e osinteressados podem contatá-la no telefone (0--21) 3813-1109.Os diretores não são menos experientes. CamiloCavalcante fez O Velho, o Mar e o Lago, que ganhou 16prêmios em festivais. Spolidoro, autor de Outros, tambémpossui muitos prêmios no currículo e, atualmente, faz a direçãode cena dos programas de TV de Tarso Genro, que disputa ogoverno do Estado do Rio Grande do Sul. Eduardo Nunes dirigiucinco curtas (o mais famoso é Reminiscência), prepara olonga Sudoeste e co-assina o roteiro de Árido Movie, deLírio Ferreira. José Eduardo Belmonte, paulista radicado emBrasília, ganhou o prêmio da MTV pelo clipe Mulher de Fases,da banda Raimundos. E o carioca, radicado em São Paulo, FlávioFrederico, de curtas como Ofusca, lançado em Oberhausen,este ano, é o único que já pôs na tela seu longa Urbânia.Até pela diversidade entre eles, vale apostar em Fuga #, umprojeto que espera chegar aos cinemas no ano que vem.

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