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'Frozen 2' tem potencial para empoderar meninas e meninos, diz a atriz Idina Menzel

Seis anos depois do sucesso de 'Frozen', animação ganha sequência e se aprofunda nas emoções de Elsa e Anna, com conflitos mais difíceis

Jonathan Landrum Jr., AP

20 de novembro de 2019 | 15h22

Quando Idina Menzel começou a cantar Let It Go ao vivo nos shows, ela pensou que a letra e a melodia empolgante iriam empoderar todas aquelas meninas da plateia vestidas de Elsa. Em vez disso, Menzel disse que muitas vezes era ela mesma quem saía dessas apresentações se sentindo tão inspirada quanto as garotinhas.

“Sinto um orgulho extremo de tudo isso”', disse Menzel, a artista vencedora do Tony Award que dubla Elsa, uma rainha forte e independente que tem o poder mágico de manipular o gelo e a neve, em Frozen. A música tocou fundo em seu íntimo porque, na época, ela tinha de fazer malabarismos entre vários empregos na Broadway e passava por um divórcio, tentando “dar um passo de cada vez”.

“Aí você vê uma garotinha de vestido azul na segunda fila”, continuou ela. “É quando você percebe que a música e o filme representam essas garotas. Que estão dando a elas a força para assumirem aquilo que são de verdade, tudo aquilo o que as torna únicas e diferentes. Mas é uma relação recíproca. Tudo volta para mim multiplicado por mil, porque também preciso ouvir”.

Menzel acredita que Frozen 2, que chega aos cinemas americanos na sexta-feira, 22, e no Brasil em janeiro, tem potencial para empoderar meninas, meninos e outras pessoas de todas as idades. O novo filme vem seis anos depois de o original quebrar recordes de bilheteria para filmes de animação, acumulando US $ 1,2 bilhão em vendas de ingressos no mundo inteiro, impulsionado por ‘Let It Go’, que ganhou um Grammy e dois Oscars. Jennifer Lee, co-diretora e roteirista de ambos os filmes, disse que não esperava o sucesso de Frozen. Ela contou que foi uma conversa com uma desconhecida que lhe revelou o impacto do filme.

“Conheci uma mulher que estava usando um colar Let It Go feito à mão, mas ela não fazia ideia de quem eu era”, disse Lee. “Ela ficou falando e eu, só ouvindo. Ela abraçou o filme por si mesma. Sentiu a música falar com ela. Empoderá-la. Este é o nosso objetivo”.

Menzel não sabe ao certo se a sequência terá os mesmos números astronômicos que o original. Mas espera que a história e a música possam ressoar na audiência e aprofundar os temas do primeiro filme, mostrando que as personagens femininas não precisam de uma cara-metade masculina para resgatá-las do sofrimento.

“Acho que vai comover as pessoas”, disse ela. “O filme é poderoso. Não sei qual será o sucesso da música fora do filme. Mas sei como me senti quando ouvi as canções. Sei como amei gravá-las e entrar nelas. Acho que as pessoas vão aprender muito com Elsa, que sempre supera seu medo de dar o próximo passo e arriscar”.

'Frozen 2' se aprofunda nas emoções de Elsa e Anna

Em Frozen 2, Elsa finalmente assume seus poderes, mas se vê assombrada por uma voz perturbadora que ninguém mais consegue ouvir. Ela acaba embarcando em uma jornada perigosa em busca de respostas, com sua irmã, Anna, interpretada por Kristen Bell. Também se juntam a elas o namorado de Anna, Kristoff (Jonathan Groff), a rena Sven e o boneco de neve Olaf, dublado por Josh Gad.

O co-diretor Chris Buck disse que a sequência tem momentos “divertidos e bem-humorados”, mas que a história também se aprofunda nas emoções de Elsa e Anna. Ele disse que as personagens principais estão tentando encontrar significado na vida. O filme expande os desafios enfrentados pelo reino de Arendelle, com Sterling K. Brown se juntando ao elenco como oficial militar e Evan Rachel Wood dando voz à mãe das irmãs.

“O primeiro filme é mais parecido com o primeiro ato de um musical, em que você define as motivações das personagens e quem elas são”, disse Buck. “No segundo, podemos avançar para o Ato 2. Geralmente, as canções ficam mais profundas e emotivas. Você descobre mais sobre as personagens. Os conflitos são mais difíceis. Seguimos esse modelo. Isso nos ajudou a moldar o filme”.

Vários prazos foram “muito ultrapassados” durante a criação da história, que chegou a ter pelo menos 50 versões reescritas, disseram os diretores. Bell elogiou a equipe criativa por fazer tudo a seu tempo, sem se apressar.

“Eles não tentaram fazer a sequência só por uma questão de dinheiro ou de marketing”, disse a atriz. “Quando você vê uma sequência de qualquer coisa, sabe na sua alma, no seu íntimo, se ela conecta com você ou não. Tipo ‘Ah, são os mesmos personagens que eu amo, mas não me conectei com eles’. A equipe queria encontrar algo com que as pessoas se conectassem”.

Lee disse que o maior avanço ocorreu quando a dupla de compositores Kristen Anderson-Lopez e Bobby Lopez entregou a música Into the Unknown (algo como “rumo ao desconhecido”). “Aí tudo mudou”, disse Lee. “Era uma música mais ativa. Uma música que diz para a Elsa: ‘Você tem que agir. Você precisa ter coragem de seguir o que sua vida poderia ser’. Dá para ver a expressão dela mudando entre o começo e o fim da canção. Foi aí que as engrenagens do filme começaram a rodar”.

Anderson-Lopez concorda. Ela disse que a música e o filme vão incentivar as mulheres a confiar em seus instintos em momentos de conflito.

“Seguimos dizendo que as mulheres precisam ouvir e seguir sua intuição”, disse Anderson-Lopez, que ganhou dois Oscars com o marido por Let It Go e Remember Me, do filme Viva! A Vida é uma Festa. “Você é poderosa à sua maneira quando diz a verdade e se levanta depois da queda”, continuou ela. “Quando o pior acontece, você aprende a fazer a coisa certa. Você dá um passo, depois outro passo, depois outro e vai tropeçando em direção. Respire fundo. Um passo de cada vez”.

Tradução de Renato Prelorentzou

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