Mike Blake/ Reuters
Mike Blake/ Reuters

Freira dos EUA se torna referência de católicos do país como crítica de cinema

Religiosa classifica 'Três Anúncios Para Um Crime' como seu filme favorito de 2017.

Eric Kelsey, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 14h50

Em um escritório de um subúrbio de Los Angeles localizado entre seu convento e uma capela, a crítica de cinema e freira Rose Pacatte se senta diante do computador e assiste a um vídeo da comédia de humor negro Três Anúncios Para Um Crime.

Os numerosos palavrões do premiado filme não abalaram a integrante de 66 anos da congregação Filhas de São Paulo. Sentada em uma mesa rodeada de cartazes inspiradores, uma esteira e um boneco do papa Francisco, a religiosa classifica Três Anúncios como seu filme favorito de 2017.

“Se você vê o sofrimento que as pessoas passam, você tem que esperar alguma válvula de escape”, disse sobre a história de uma mãe revoltada que busca justiça pelo assassinato não resolvido de sua filha. “O filme é cheio de primorosos momentos de graça e humanidade - e é extremamente divertido!”

Em uma era na qual a influência dos críticos de cinema dá lugar ao burburinho das redes sociais e à aprovação dos fãs, a pequena irmã Rose vem atuando há 15 anos como uma intermediária entre os filmes e os católicos norte-americanos.

“Ela é como a nossa vanguarda para tudo ligado aos filmes”, disse Chris Heffron, coeditor-executivo da St. Anthony Messenger, uma revista mensal que tem cerca de 400 mil visitantes mensais em seu site e publica uma coluna da irmã Rose.

O cinema sempre teve um papel de destaque na vida de irmã Rose, que na adolescência decidiu se tornar freira em parte por causa da cinebiografia A Canção de Bernadette, sobre Santa Bernadette, e a comédia Anjos Rebeldes, que se passa em uma escola católica.

Esse amor pelos filmes anda de mãos dadas com a ordem religiosa Filhas de São Paulo, cujos membros atuais adotou a hashtag #MediaNuns (FreirasDaMídia) em sua missão de conectar as pessoas à Igreja por meio da mídia.

A irmã Rose, que atua como diretora do Centro Paulino de Estudos da Mídia de Culver City, no Estado da Califórnia, e também escreve para o jornal quinzenal National Catholic Reporter, se vê como uma “mediadora do cinema” para o catolicismo.

Suas resenhas não se limitam a títulos religiosos ou voltados à família, cobrindo desde Sex and the City 2 a sucessos de super-heróis e produções independentes.

 

Mais conteúdo sobre:
cinema religião

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.