Freeman evita temas polêmicos

O ator Morgan Freeman não se preocupa comquestões raciais quando escolhe personagens. Exemplo disso é ofilme Crimes em Primeiro Grau, de Carl Franklin, que estréianesta quarta-feira no Brasil e ele protagoniza ao lado de Ashley Judd.Freeman é o advogado Grimes, decadente e ex-beberrão, que ajudaa colega Claire Kubik, criminalista jovem e ambiciosa, a provara inocência do marido numa corte marcial. É um papel sob medidapara um show de atuação, mas poderia ser vivido por um ator dequalquer nacionalidade ou raça. Modestamente, ele nem acha que representar seja arte eatribui o sucesso, traduzido em três indicações para o Oscar eum Globo de Ouro (como o motorista Hoke, em Conduzindo MissDaisy), aos roteiristas e diretores que criaram os papéis."Difícil é escrever as histórias, criar personagens. Ao atorcabe cumprir o que lhe foi determinado", disse ele, nasegunda-feira, último dia de sua visita de uma semana ao Brasil."Mas cada ator põe um pouco de si nos papéis que vive. Issoacontece comigo também." O filme foi lançado nos Estados Unidos em março e játeve 12 milhões de espectadores. Dá uma imagem perversa dasociedade norte-americana, com cenas que caberiam melhor nocinema-denúncia. Freeman preferiu passar ao largo dessasquestões, dizendo estarem além da capacidade de um ator. "Ajustiça mostrada no filme é poética, não há intenção de refletira realidade", disse. "Não acho que os filmes de hoje dêem umaimagem pejorativa dos Estados Unidos. Acontece que a violênciaestá à nossa frente e o cinema mostra isso." A visita de Freeman pode ter iniciado um namoro do atorcom o País. Ele chegou no dia 22 a Brasília, onde lançou seufilme no Festival de Cinema da capital federal e conheceu opresidente Fernando Henrique Cardoso (que achou bonito ecortês). Depois veio ao Rio, abrir o Afro-Fest, ciclo de filmessobre a questão negra, promovido pelo consulado de seu país epela PUC-Rio. Do festival, ele viu pouco. "Passei o tempo dandoentrevistas", contou ele. "Mas conheço alguma coisa do cinemabrasileiro, como Orfeu Negro (filme francês, de Marcel Camus,que se passa numa favela carioca), Central do Brasil e DonaFlor e Seus Dois Maridos." Freeman esteve com atores e produtores brasileiros epensa em co-produzir aqui, por intermédio da RevelationEntertainment, sua empresa. Só não sabe como nem quando, mas nãoserá seu primeiro empreendimento brasileiro. Freeman é acionistada Embraer e acredita no País. Tanto que, quando as ações daex-estatal que fabrica aviões caíram, ele injetou dinheiro e sedeu bem. A empresa se recuperou e as ações subiram de novo."Quero investir mais aqui, construindo aviões ou fazendofilmes; adorei este país", concluiu.

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