Cena de 'Jules et Jim'
Cena de 'Jules et Jim'

François Truffaut é revisto em 17 de seus filmes essenciais em mostra em SP

Festival no Belas Artes soma-se à exposição do MIS para que iniciados e iniciantes (re)descubram o importante diretor

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 04h00

Pode ser que a grande exposição sobre François Truffaut não esteja superando os números superlativos dos eventos sobre Stanley Kubrick e Jules Verne no Museu da Imagem e do Som, mas talvez seja porque, para muitos espectadores jovens, o diretor não seja tão conhecido. É claro que, como crítico e cineasta, ele se tornou referência do movimento conhecido como nouvelle vague, a nova onda do cinema francês por volta de 1960. Mas Truffaut morreu em 1984, há mais de 30 anos. Seu cinema circula nas cinematecas, ou graças ao formato do home entertainment.

Por isso é tão importante o ciclo que começa nesta quinta, 17, no Caixa Belas Artes. A Nova Onda de François Truffaut resgata 17 filmes do diretor. Não é tudo o que ele fez, mas boa parte de seus filmes, incluindo os melhores. Depois de (re)ver Os Incompreendidos, Jules e Jim/Uma Mulher para Dois, O Garoto Selvagem e O Homem Que Amava as Mulheres, é provável que muita gente queira volta ao MIS, ou que espectadores se sintam mais motivados a conhecer o homem por trás do artista, por meio de seu acervo pessoal.

Truffaut foi um garoto desajustado, com sérios problemas familiares. Poderia ter virado um delinquente. Salvou-o o cinema, que descobriu graças ao crítico André Bazin. Virou, ele próprio, um crítico ácido, que fustigou o que chamava de ‘uma tendência do cinema francês’. O cinema de papai, de domingo à tarde. Seus mestres foram Alfred Hitchcock, Roberto Rossellini e Jean Renoir. Adaptou escritores como Henri-Pierre Roché, William Irish/Cornell Woolrich e Ray Bradbury e fez uma série autobiográfica com o personagem Antoine Doinel, interpretado pelo ator Jean-Pierre Léaud. Os críticos dizem que era um romântico que desconfiava do romantismo. Amava as mulheres, mas também desconfiava delas. Sua galeria de personagens ternas e cruéis é imensa. Diretor de programação do Belas Artes e diretor-geral do MIS, André Sturm convida – “Para nós é um orgulho enorme exibir um recorte tão amplo da filmografia de Truffaut. Aliado à exposição no MIS, o festival esmiúça o universo desse gênio do cinema. São filmes autorais mas que dialogam com o público. Falam das relações humanas, das paixões e suas facetas”.
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