França promove primeiro festival de cinema online do mundo

França promove primeiro festival de cinema online do mundo

Com votação pela internet, mostra de ótimos filmes recentes da França é exclusivamente virtual

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2011 | 11h30

É uma iniciativa pioneira no mundo. A Unifrance, a Ancine do cinema francês, inicia nesta sexta-feira, 14, o primeiro festival de cinema online do mundo. Não é bem assim. O repórter observa para a diretora geral da entidade, Régine Hatchondo, que a mostra de cinema de São Paulo já abriu essa janela para a internet.

Ela não sabia, mas de qualquer maneira observa que My French Film Festival, junte todas as palavras, acrescente o ponto e com, não se desenrola em nenhum espaço físico, mas integralmente na rede. De hoje a 29, durante duas semanas, em qualquer lugar do planeta será possível se conectar no site e assistir aos dez longas e dez curtas selecionados pela comissão nomeada pela Unifrance a partir de uma solicitação feita a produtores e distribuidores da França.

"Vamos começar do princípio", diz Régine. Desde que assumiu a direção geral da Unifrance - e viajando através do mundo, incluindo o Brasil -, ela percebeu que o público dessas iniciativas (festivais e encontros) era majoritariamente maduro. Régine conversa com o repórter do Estado em seu escritório no bairro de Pigalle. A sala está uma baderna - ela se desculpa - e o curioso é que as paredes são ornadas com cartazes de Os Incompreendidos e de filmes de diretores da velha guarda, que François Truffaut detestava. A Unifrance não promove nem tem compromisso com um cinema francês em especial. Ela abrange o leque todo. Régine prossegue - "Em todo o mundo, as pesquisas apontam o público dominante das salas como jovem. Como conquistar essa audiência para o cinema francês? Através da ferramenta da internet."

Assim como o público, os realizadores também são jovens. "Se a ideia é formar público, vamos fazer com que os jovens possam se identificar com os novos diretores que vão fazer o cinema de amanhã." Os filmes são produções dos últimos dois anos. A maioria quase não circulou no mundo (exceto em festivais) e a ideia é dar visibilidade a esses filmes e diretores.

Filosofando. Colocar os filmes na internet não facilita a pirataria, uma praga que atinge o cinema no mundo? "Quem quer piratear não precisa de estímulo. Vai fazê-lo de qualquer maneira", ela observa um tanto filosoficamente. e acrescenta: "Os países da Ásia e da América Latina são os que mais pirateiam nossos produtos. Graças a parcerias com os distribuidores locais, como a Imovision, e ao apoio da allocine.com, que detém 75% da audiência da internet na França, com 8.2 milhões de acessos semanais, conseguimos fazer com que o festival seja gratuito em toda a América Latina."

Quanto isso vai representar em termos de acessos? "Não quero arriscar para não me decepcionar. E, depois, é a primeira edição do festival. Tem gente que arrisca mais de 100 mil. Vamos esperar pelos números." Com legendas em português, os filmes permitirão quantos acessos os internautas quiserem, Haverá prêmio do público, outro de blogueiros selecionados em diversos países - o Brasil está nessa - e um prêmio do júri internacional, formado por jornalistas especializados.

Os três mais fortes. Entre os longas selecionados, há um, Complices, de Frédéric Mermoud, que já foi exibido na Mostra de São Paulo. É um dos melhores. Os nove restantes são completamente inéditos no Brasil e pelo mais dois são muito bons - Qu’un Seul Tienne et Les Autres Suivront, de Léa Fehner, que recebeu o Prêmio Louis Delluc, para melhor filme de diretor estreante em 2009, e Adieu, Gary, de Nassim Amaouche. Um filme de gênero policial (Complices), outro sobre três personagens cujas vidas se cruzam no parlatório de uma penitenciária (Qu’un Seul Tienne) e o terceiro sobre operários que estão sendo descartados numa pequena cidade periférica (Adieu, Gary).

Mais opções. Mesmo que esses sejam os melhores, não faltam atrativos para os demais. Por exemplo: o retrato acurado de família de La Famille Wolberg, de Axelle Ropert; o olhar sobre o universo das baladas em Bus Palladium, de Christopher Thompson; a aventura em Espion(s), de Nicolas Saada; o mundo da representação, por meio de um falso documentário, em Le Bal des Actrices, de Maiwen, e elas, as atrizes, são Jeanne Balibar, Romane Bohringer, Julie Depardieu, Matrina Foie, Karin Viard e Charlotte Rampling; a periferia sem violência nem drogas de Tout Ce Qui Brille, de Géraldine Nakache e Hervé Mimran; e os destinos cruzados, aqui sim com violência, de Tête de Turc, de Pascal Elbé.

Você vai ajudar a escolher o melhor. Através do facebook, em duas páginas - myfrenchfilmfestival e frech film epidemic -, você também poderá concorrer a viagens a Paris e a Nova York (durante o festival da Unifrance, em março).

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