Andrew Stuart/Open Road Films
Andrew Stuart/Open Road Films

Foo Fighters estrelam filme de horror, 'Terror no Estúdio 666'

Em entrevista, Dave Grohl fala sobre o longa e como foi filmar com a banda que está junta há 26 anos

Entrevista com

Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters

Sara Aridi, The New York Times

01 de março de 2022 | 20h04

Nas três décadas de Dave Grohl como uma estrela do rock, ele gravou com artistas como Stevie Nicks e Paul McCartney, dirigiu documentários, se apresentou para presidentes e foi incluído no hall da fama do Rock, duas vezes. Mas agora ele apresenta uma estreia: o Foo Fighters está lançando Terror no Estúdio 666, uma comédia de terror dirigida por BJ McDonnell (Hatchet III) e estrelando, bem, o Foo Fighters. Por quê?

"Por diversão", disse Grohl em uma recente entrevista por vídeo. Como ele explicou, "nunca foi nossa intenção entrar no jogo de Hollywood com este grande filme de horror. Apenas aconteceu."

No filme, que também conta com Whitney Cummings, Will Forte e Jeff Garlin, a banda se muda para uma mansão, onde o próprio Grohl chegou a viver, para trabalharem no seu 10º álbum. Mas a composição das músicas revela-se um desafio. Na esperança de sair de uma crise criativa, Grohl vagueia pela casa e descobre um segredo que o infunde criatividade - e desejo de sangue.

O filme tem sido trabalhado desde 2019, com a produção interrompida por causa da pandemia de coronavírus. É improvável que ganhe prêmios - "Nós não estamos pedindo smoking para o Oscar", disse Grohl - mas ele oferece pílulas de hard rock e sangue coagulado.

Conversando de seu estúdio em Los Angeles enquanto toma uma xícara de café, Grohl falou sobre a realização do filme, suas ideias sobre rock 'n' roll e um novo álbum. Estes são trechos editados da entrevista.

Por que você decidiu fazer um filme?

Três anos atrás, um amigo foi a uma reunião com um estúdio de cinema, e nosso nome surgiu. Eles disseram, "sempre desejamos fazer um filme de terror com o Foo Fighters". Ele me mandou uma mensagem e eu disse, "é a ideia mais estúpida que eu já escutei", e não pensei nada sobre isso.

Estávamos escrevendo música para nosso último disco. Normalmente, quando nós fazemos um disco, eu vou para meu estúdio de casa ou para um estúdio demo sozinho e escrevo melodias e instrumentais. Então comecei a procurar por casas para alugar onde eu poderia construir um estúdio temporário. Ao mesmo tempo, meu corretor de 10 anos atrás me mandou um e-mail e disse: "Você quer comprar alguma propriedade?" Eu disse não, mas que se eu pudesse alugá-la, seria ótimo.

Comecei a escrever e estava enviando demos ao nosso produtor e ele disse: "Isso parece ótimo. Vamos gravar lá". Então comecei a pensar, podíamos fazer um filme de terror nesta casa velha, assustadora. Eu criei o conceito, apresentei à banda e eles apenas riram. Foi uma bola de neve a partir daí. Nós nunca imaginamos que faríamos um longa.

Você é fã de terror?

Não sou um aficionado. Embora tenha crescido amando um monte dos clássicos. Lembro de ler o livro Amityville Horror em 1979 e depois ver o filme. E eu cresci fora de Washington, D.C., onde eles filmaram O Exorcista. Eu era obcecado com a casa e aqueles degraus. Era lá que todos os punks andavam nos anos 1980. Sentávamo-nos na base daqueles degraus e bebíamos cerveja.

'Terror no Estúdio 666' também é um filme de banda, que parece não haver muitos por aí. Por que você acha que isso acontece?

Eu não sei. Eu cresci assistindo filmes de rock 'n' roll. Kiss Meets the Phantom of the Park. Os Ramones em Rock 'n' Roll High School. Costumava ser algo que andava de mãos dadas com um elenco de atores. Acho que a banda não só tem que estar disposta a fazer isso, mas ser capaz de fazer piada de si mesma. Faz 26 anos que fazemos isso, então esta é apenas uma versão longa de nós nos divertindo em ser uma banda de rock.

Falamos sobre uma sequência e como (Terror no Estúdio 666) pode ser passado de banda em banda. Será que Coldplay faria um filme de terror? Wu-Tang faria? Isso seria incrível.

O filme faz piada com o rock em geral, mas também toca em você: você não pode escrever novas canções; Lionel Richie grita com você. Isso foi divertido?

Há tantos clichês neste filme. É parte Terror em Amityville. É parte O Iluminado. É parte A Morte do Demônio. No lado musical, há o vocalista controlador que está torturando a banda, a dificuldade do bloqueio criativo.

O clichê mais engraçado, eu acho, é o aplauso na sala de estar. Sempre que um engenheiro ou produtor entra em uma sala antes de gravar, eles sempre batem palmas para ouvir a acústica. Eu estou aqui para dizer que não faz diferença.

Há uma cena em que seu gerente diz que o rock não é relevante há muito tempo e que precisa de uma infusão. Você acha que isso é verdade? Se sim, o que poderia revitalizá-lo?

Acredito que seja parcialmente verdade. Não acho que o rock precise de mais Satanás, mas acho que precisa de uma outra revolução impulsionada pela juventude. Minha (filha) mais velha tem quase 16 anos. Eu a vejo descobrir a música e escrever canções, e é aqui [que a ação está].

Acho que a próxima revolução do rock não será nada parecida com aquela que já vimos antes. E não tenho certeza absoluta como será. Mas ela está chegando. Há muito o que apreciar. Encontro um novo artista favorito uma vez por semana, por isso não é como se o poço estivesse seco.

Só em 2021, você lançou dois álbuns, um documentário, uma série documental, um livro de memórias, alguns singles e você fez uma turnê. O que o leva a fazer tanto?

Café. [Risos.] Não - eu apenas aprecio toda a oportunidade que tenho. Agradeço às pessoas que ajudam a facilitar estas idéias ridículas, e me cerco de pessoas que têm a mesma energia. E eu odeio férias. Sou apenas inquieto. Sinto este estranho sentimento de culpa quando não faço nada. Eu sou como um tubarão. Se eu parar de nadar, vou morrer. 

Você sabe o que estou fazendo agora? Estou fazendo o álbum perdido da banda Dream Widow (do filme), como as fitas de A Bruxa de Blair.

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