Sergio Castro/AE
Sergio Castro/AE

Fim de semana para assistir a 'Bróder'

Comunidade do Capão Redondo lotou o Multiplex Campo Limpo para se ver na tela

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

19 Abril 2011 | 06h00

Chegou o fim de semana e todos querem diversão, um dia entoou Mano Brown em Fim de Semana no Parque, o rap antológico do Racionais Mc’s, que nasceu no Capão Redondo e mostrou a cara de ‘quem mora do lado de lá’, só atravessa a ponte para trabalhar, para passear no parque ou, quem sabe, dar uma conferida na Virada Cultural. Mas, no último domingo, foi a vez da Comunidade Zona Sul ir ao cinema conferir a pré-estreia de Bróder no Multiplex Campo Limpo.

Brown, que já havia assistido ao filme, não estava lá. Mas sua família sim. Contrariando os ‘contras’, como o domingo de sol, de Virada Cultural, e de culto na igreja local, cerca de 300 moradores do Capão lotaram o cinema em dia histórico. Era a primeira vez que a comunidade iria se ver na tela grande. E sem precisar atravessar a ponte. Era também o primeiro evento oficial do Multiplex em seis anos de funcionamento. Para completar, o diretor Jeferson De e o elenco (Caio Blat e Jonnathan Haagensen iam estar lá). E assim foi. A rapaziada compareceu em peso, aplaudiu e ainda cantou junto o rap do Racionais que, claro, tocou na tela de Bróder, "Pela primeira vez vi uma música do Racionais ‘tocar’ no cinema", contou Wellington, de 23 anos, morador do Capão, que trabalha com shows da banda. ‘Gostou?’ "Adorei. Representa muito bem a gente." " Então, se gostou, recomende para a família e para os amigos. Vamos dominar os cinemas", brincava o diretor.

Primeiro longa de Jeferson De, o filme conta a história de três amigos de infância, Macu (a semelhança com Macunaíma não é coincidência), Jaiminho (Jonathan Haagensen) e Pibe (Sílvio Guindane). Os três cresceram juntos no Capão, mas seguem seus caminhos em separado. Jaiminho virou jogador de futebol. Pibe é corretor de imóveis. Macu foi seduzido pelo crime e ‘alugou’ sua casa para uma gangue de traficantes que pretende sequestrar uma criança. Tudo vai bem, ou quase, até que a gangue decide sequestrar Jaiminho. Jeferson fez questão de explicar para uma das TVs que acompanhavam o evento: "Apesar de a violência estar à espreita, é uma história de amizade. Poderia se passar em qualquer bairro".

Mas não passa. No domingo, passou na quebrada. "O Capão não é só violência não, mano. Tem de tudo. Tem até gente rica. Tem problema, claro, mas tem muito amor também", comentou o pai de cinco filhos, que levou a ‘ninhada’ para conferir.

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