Fim de festa para brasileiros em Cannes

O Brasil conquistou 29 leões em Cannes. Os brasileiros tiveram fraco desempenho na disputadíssima categoria de filmes comerciais,origem desse festival, quando exibidores temendo a concorrência da entãoestreante televisão estimularam a veiculação de propaganda nas salas decinema. O País conquistou apenas três leões - e de bronze - em filmescomerciais, de um total de 21 que estavam entre os finalistas, resultadode 233 inscrções. Em 2005, o País inscreveu 202 filmes e arrebatou seisleões. Nem Maradona, pelo guaraná Antarctica, conseguiu marcar gol afavor do País.Os três leões de bronze em filme foram conquistados por dois passarinhos,um da companhia aérea Gol e outro de Neosaldina, e um copo de cerveja.Criado pela Almap/BBDO, o filme da Gol mostra um passarinho viajando deônibus e chama a atenção para a existência de formas mais inteligentes deviajar, como a área. O outro passarinho, de Neosaldina, criado pela agência Fischer, está numajanela e leva um tiro. A intenção é mostrar que quando se está com dor decabeça, qualquer ruído - e o do tiro certeiro faz barulho - incomoda. Jáo do Grupo Schincariol, criado pela agência Lew,Lara mostra setas detrânsito que se confundem na medida em que a cerveja vai desparecendo docopo. Campanha de responsabilidade social, a peça tem como mote o "sebeber, não dirija".Os três leões de bronze se somaram aos nove conquistados na categoriaCyber Lions (internet), dos quais quatro de ouro, dois de prata e três de bronze; oscinco de Press (impressos), dos quais um ouro e quatro bronze, já descontado umleão de bronze recusado pela Giovanni, FCB;quatro em Outdoor (dois pratas e doisbronzes); cinco em Radio (dois pratas e três bronzes); um de prata em Media(mídia); um de prata em Lions Direct (Marketing Direto); e mais um Cyberna categoria Young Creatives, defendido pels jovens publicitáriosbrasileiros.O júri da competição de filmes de Cannes distribuiu 98 leões, mais umGrand Prix e a Palme D´Or. Desse total, 12 leões foram de ouro, 29 deprata e 56 de bronze. Concorriam no festival 4.860 comerciais de 91países. Quem liderou a competição de filmes publicitários foram osEstados Unidos e o Reino Unido, com 20 leões, sendo que o Reino Unidolevou o Grand Prix por comercial da cerveja Guiness, criado pela AbbottMead Vickers BBDO, mias seis leões de ouro, quatro de prata e nove debronze. Os Estados Unidos conquistaram nove de prata e onze de bronze. AArgentina ficou em terceiro lugar com 10 leões (cinco de prata e cinco de bronze),a Austrália ficou em quarto lugar com sete leões. O Brasil ficou em décimolugar na competição de filmes.O filme comercial da cerveja Guiness mostra pessoas voltando no tempo, deum bar moderno até às cavernas, para enfatizar a tradição de qualidade dacerveja escura inglesa, da Diageo. Vice-presidente da Fischer e juradobrasileiro da categoria filmes, Jader Rossetto, acha que o Brasil precisamelhorar as suas produções para conseguir melhor desempenho em filmes."Qualquer dificuldade de entendimento de um comercial, faz com que o júrio ignore, além disso o festival está cada vez mais global, menos regional.Não há preocupação em contemplar regiões do mundo, mas de premiar aquelasque estão voltadas para uma comunicação universal". O comercial e Guiness,por exemplo, tem pouquíssimo texto, ou melhor, apenas no final enfatiza acerveja e sua tradição. "É isso que precisamos fazer: peças simples,universais".A organização do festival também anunciou no último domingo o Japão como vencedor do leãode titânio, o prêmio criado para estratégias integradas de publicidade.Design Barcode (Design no código de barras) conquistou o TitaniumLions. Trata-se de inovações nas leituras, como por exemplo, o preçoincluído em desenhos mais originais, como fios de cabelos e pedaçosmicroscópicos de alimentos. O prêmio é uma antecipação da decisão doFestival Internacional de Publicidade de Cannes, no Braisl representandopelo jornal O Estado de S. Paulo, de incluir no próximo ano a categoriadesign. Atualmente, o festival já se divide nas categorias Marketing Direto,Promoção, Impresso, Outdoor, Cyber (internet), Mídia, Radio, Titânio eYoung Creatives. Cada categoria, se divide em setores da economia, comoautomotivo, serviços, alimentos, bebidas alcóolicas, bebidasnão-alcóolicas, utilidade pública, e assim até completar quase 30segmentos, com leões de ouro, prata ou bronze para cada um deles,dependendo do critério dos jurados.Com a divulgação de filmes e do titânio, o Brasil acabou se destacandomais nesta edição em intenet. Os Estados Unidos também lideraram acompetição, com 25 leões, dos quais dois Grand Prix, mais nove leões deouro, seis de prata e oito de bronze. Em segundo lugar, ficou o ReinoUnido com 12 leões (um de ouro, seis de prata e cinco de bronze). O Brasil, se acompetição tivesse regras como a das Olímpiadas, ficaria na verdade emsegundo lugar, pois conquistou quatro leões de ouro, dois de prata e três de bronze.De qualquer forma, uma agência brasileira, a DM9DDB deixou Cannes com otítulo de terceira melhor do mundo em internet, perdendo apenas para asamericanas Crispin Porter + Bogusky, de Miami e Goodby Silverstein, sendoque a primeira conquistou o título de Agênica Interativa do Ano, que haviasido arrebatado pela DM9DDB em 2005.Computados todos os prêmios, a agência de publicidade TBWA Paris levou,pelo quarto ano consecutivo, o leão de Agência do Ano. Esse prêmio vaipara a agência com o maior número de pontos nas competições de filme,impressos, outdoor e rádio. A Abbot Mead Vickers BBDO, de Londres, ficouem segundo lugar, e a Saatchi & Saatchi de Nova York, em terceiro. Aúltima vez que uma agência brasileira saiu de Cannes com esse título foiem 2001, quando a F/Nazca, de Fábio Fenandes vendeu, numa trailha abertanos anos de 1998 e 1999 pela DM9DDB, a qual se seguiu, em 2000, aAlmap/BBDO.

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