Filmes sobre boxe buscam maior realismo na recriação de lutas

Ao longo da história, o esporte deixou de ser apenas pano de fundo dos roteiros

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2013 | 21h30

Ajuste de Contas é mais um filme que tem o boxe como pano de fundo. A enorme maioria dos astros de Hollywood já foi pelo menos uma vez um representante da "nobre arte" nas telas. E com Sylvester Stallone e Robert De Niro não é diferente.

O que é perceptível a cada fita é a aproximação da ficção com a realidade. Existe uma preocupação por parte de diretores e produtores de preparar os protagonistas e coadjuvantes.

Obras-primas como O Campeão (Wallace Beery, 1931), O Invencível (Kirk Douglas, 1949) e Punhos de Campeão (Robert Ryan, 1949) se preocuparam quase exclusivamente com o enredo do filme. As cenas de luta eram secundárias.

A partir de Rocky (Sylvester Stallone, 1976), que inclusive ganhou o Oscar, as produções ficaram mais sofisticadas e passaram a ter a tecnologia como aliada. A trilha sonora ganhou espaço e serviu para embalar o treinamento dos "campeões", e as cenas de luta passaram a ser acompanhadas por um batalhão de câmeras.

Todos os diretores são unânimes ao apontar o boxe como o esporte mais fácil para se filmar, daí a quantidade imensa de filmes com este esporte como tema. Isso explica a personagem de Menina de Ouro (Hilary Swank, 2004) ser uma pugilista. Ela poderia ser qualquer outra esportista.

Em Touro Indomável (1980), Robert De Niro, que vive o explosivo Jake La Motta, chegou a engordar 40 quilos para representar os turbulentos momentos do ex-campeão dos médios da década de 40 e 50. Nesta película, a intenção do diretor Martin Scorsese é transmitir a violência dos punhos de La Motta. As câmeras são fechadas em De Niro tanto nos ataques quanto nos momentos em que é golpeado. Os ferimentos chegam a chocar e fazem com que os espectadores mais sensíveis virem o rosto para não ver o "castigo" sofrido pelo lutador.

A exigência do público e da crítica fez os diretores, com a ajuda dos efeitos especiais, buscarem fazer cada duelo o mais real possível. Para isso, boxeadores profissionais e técnicos renomados foram contratados para participar diretamente das filmagens. Em Hurricane (1999), que conta a história de Rubin Carter, condenado injustamente por assassinato, Denzel Washington se apresenta em uma forma de dar inveja a qualquer pugilista. Passa-se uma impressão de que o ator é candidato ao título mundial. Desempenho semelhante tem Michael Jai White em Tyson (1995). Até os tiques nervosos do "Iron Man" não foram esquecidos pelo ator, que foi escolhido por ter a mesma altura, idade, tipo físico e por ter nascido também no bairro do Brooklyn, em Nova York, assim como o mais novo campeão dos pesos pesados.

Mas dois momentos são especiais. Russell Crowe em Cinderella Man (2005) e Will Smith em Ali (2002). Tanto os astros como os demais atores praticamente encarnam os pugilistas representados. Crowe e Smith se movimentam, andam, dão socos e recebem socos como James Braddock e Muhammad Ali. Para atingir tal nível de interpretação, Crowe teve a companhia do lendário técnico Angelo Dundee, enquanto Smith passou horas ao lado do próprio Ali.

Apesar das lutas ganharem atenção especial nas últimas décadas, os filmes de boxe continuam com histórias saborosas. É o caso de O Vencedor (Mark Wahlberg, 2010), que conta parte da vida do pugilista Micky Ward. O nível dos atores foi tão bom que Christian Bale e Melissa Leo ganharam o Oscar de ator e atriz coadjuvante.

Ajuste de Contas coloca os veteranos Stallone e De Niro em ação. Os setentões não decepcionam os fãs nessa comédia, que só estreia no Natal, nos EUA, e dia 10 de janeiro no Brasil. Mas é garantia de sucesso. Afinal, tem o boxe como tema.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.